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1 de outubro de 2018

III Seminário de Estética Social (IP - USP, 2018) - dois trabalhos apresentados

No final de setembro/2018, eu e Claudia Regina Lemes participamos do III Seminário de Estética Social, no Instituto de Psicologia da USP. Essa terceira edição do evento foi muito estimulante e gratificante para nós. A seguir, disponibilizamos os links para os 2 trabalhos que apresentamos no evento:

(DOI: 10.13140/RG.2.2.23160.49920)


(DOI: 10.13140/RG.2.2.23789.64485)

15 de março de 2014

Para debater livros, cultura e memória - III

Última parte da coletânea de trechos curtos do livro Não contem com o fim do livro (RJ: Record, 2010), de U.Eco, J.C.Carrière e J.P.Tonnac, para fomentar o debate sobre cultura, livros, tecnologia e memória, dentro e fora da sala de aula.


"O Mahabharata é a primeira obra escrita. A história moderna do livro também começa com uma bíblia."
(J.C.Carrière)




"Atravessamos uma época complexa, incerta, em que o primeiro dever de todos, sem dúvida, na medida do possível, é estimular as trocas entre os saberes, as experiências, os pontos de vista, as esperanças, os projetos."
(J.C.Carrière)

15 de janeiro de 2014

Estatística & Cidadania (III) - Analise, em vez de desprezar os dados



   Em vez de desprezar os dados, devemos sempre exercitar a análise crítica. Não se pode realizar um levantamento estatístico "querendo muito provar que se está certo" porque, em última análise, isso pode levar pessoas a conclusões bastante equivocadas. 
   Segue um exemplo de duas notícias (divulgadas nesta semana, em sítios da internet e imprensa falada e escrita) e duas leituras dos mesmos dados:

Informações:
1) Desemprego cai para 5,3% em agosto
2) Bolsa Família passa de 3.583.000 famílias assistidas em 2003 para 13.751.000 em 2013

Interpretações:
1) Gente adepta do "quanto pior, melhor" tem reclamado por aí contra esses dados. A acusação: estas seriam notícias contraditórias, pois o aumento de bolsas seria tradução do aumento do desemprego. Assim, estes "opositores das notícias" concluem que "os dados não são confiáveis e ao menos um deles deve ser ser "engodo" (sim, foi essa a palavra que li).
2) Bem mais simples: o nome disso é INCLUSÃO SOCIAL. Temos mais pessoas empregadas e menos pessoas alijadas da sociedade.

Discussão:
Antes de mais nada, é bom dizer que as duas notícias estão associadas ao conceito de derivada, importantíssimo em Cálculo e que representa a taxa de variação.
Por definição, a inflação é a taxa de variação do preço ao longo do tempo*. Assim, "inflação zero" obviamente não significa nada de graça (ah, quem dera...!), mas simplesmente quer dizer que não ocorreu variação de preço no intervalo de tempo considerado.
Já sobre o número de famílias atendidas num programa, uma informação importante diz respeito, também, à variação: se o programa foi mantido, ampliado ou reduzido ao longo da década (a notícia se refere ao período 2003-2013).
   Como o número de atendidos em 2013 foi maior do que o atendido em 2003, temos o que se chama de derivada positiva: ampliação do programa ao longo da década.
   Defender a tese do "engodo" é ignorar uma diferença fundamental na escala de tempo dos dados...! Vejamos:
- A notícia 1 refere-se a uma escala MENSAL
- A notícia 2 refere-se a UMA DÉCADA.

Sempre há quem goste de ajustar os dados à sua própria visão das coisas. Chega-se ao cúmulo de sugerir desprezar os dados...! Nas nossas aulas de Estatística aprenderemos a NÃO desprezar os dados e fazer, SIM, análise crítica. Abraços!

Paulo Barja

* derivada negativa, em inflação, significa redução de preços - a chamada DEFLAÇÃO. É algo particularmente comum quando se trata de produtos agrícolas entrando em fase de maior produção: "o preço do tomate caiu 20%" e assim por diante. Tentem comprar morango em julho e em dezembro e avaliem se há ou não diferença no preço...

14 de janeiro de 2014

Estatística & Cidadania (II) - Corrigindo um gráfico

Semana passada, causou estupor o gráfico apresentado de modo distorcido no programa Conta Corrente, da GloboNews. Feito sem escala, apresentava a inflação anual do Brasil segundo o IPCA divulgado pelo IBGE. Os valores divulgados estavam corretos, mas o gráfico sem escala mostrava absurdos como, por exemplo, 5,91% aparecendo acima de 6,5%!
Segue a versão corrigida que fiz naquela data, de modo bastante simplificado (usando o programa Word):

1 de janeiro de 2014

Obrigação & Proibição (pra se pensar)


Dois relatos pessoais, bem simples: 

1) quando meu pai me obrigou a estudar um ano de piano, ele não me colocou alternativa... ele simplesmente me proibiu de faltar às aulas no primeiro ano. Depois, eu poderia fazer o que quisesse, foi esse o trato. Isso faz dele um mau pai?

2) quando minha filha era pequena, criei uma proibição em casa: Xuxa, nunca! Nem TV, nem cd, nem dvd... nem nas festinhas de buffet pagas por mim... isso faz de mim um mau pai?

Quero com isso relativizar as ideias de que “toda proibição é burra” e “toda obrigação é opressora” – nem sempre, acho... “Disciplina é liberdade”, como dizia Renato Russo, guru pop de (mais de) uma geração. Pois é...
P. R. Barja

P.S.: 1) hoje adoro música e não consigo pensar minha vida longe do piano; 2) a menina que foi proibida de ouvir Xuxa e estimulada a ouvir muitas outras coisas hoje é uma apaixonada por ópera...