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1 de março de 2018

MÍDIA - PADRÕES DE MANIPULAÇÃO (3)

AULA RÁPIDA DE INTERPRETAÇÃO
DE NARRATIVA MIDIÁTICA PÓS-GOLPE
(a partir de apontamentos de Perseu Abramo)

Quando um jornalão afirma, em manchetes com letras garrafais, que 
"Recuperação chega a mais de 60% dos setores da indústria", está na verdade escondendo DUAS coisas:

1) A crise atual bateu forte em 38% dos setores industriais, que estão encolhendo.
Isso NÃO PODE (ou não deveria) ser motivo de comemoração, e sim de preocupação.

2) A tal "recuperação" não significa, no entanto, expansão nem contratação de funcionários (...). Durante a crise, a empresa [...] reduziu a equipe pela metade, para 40 pessoas.

Detalhe: este segundo trecho, eloquente, aparece isoladamente, "perdido" no meio da própria matéria do jornalão. Sim, aquela mesma que comemorava "recuperação".

Entenderam por que escrevemos entre aspas?

27 de janeiro de 2018

MÍDIA - PADRÕES DE MANIPULAÇÃO (2)


PERSONALIZAR, QUANDO É PARA VALORIZAR;
ESCONDER, QUANDO É PARA EVITAR DESGASTE

Esse truque é manjado: personaliza-se a notícia para valorizar o sujeito (Carmen Lúcia) quando cumpre as medidas exigidas por essa mídia; no entanto, esconde-se o sujeito atrás de siglas quando se deseja preservar o mesmo de eventual desgaste com ação que mostre impunidade (ou qualquer outro gesto compreendido como "condenável pelo público")

3 de janeiro de 2018

MÍDIA - PADRÕES DE MANIPULAÇÃO (1)

Título de matéria publicada na primeira edição de 2018 do jornal "A Tribuna" (Santos, SP)



SE A AFIRMAÇÃO NÃO ENCONTRA RESPALDO NO PÚBLICO, A CULPA É DO LEITOR?

     A manchete do jornal santista sugere que a Economia melhorou, MAS as classes C e D não tiveram o bom senso de "perceber" ou "sentir" esta melhora. Ao longo do texto, arrisca-se até a hipótese criminosa: as pessoas estariam impressionadas por questões ligadas ao desemprego (e/ou subemprego) e isso estaria atrapalhando a compreensão do momento atual da economia.
     Ei! Desde quando se pode falar em melhora da economia com alta do desemprego? Para QUEM, afinal, a economia estaria melhorando, a não ser para os opressores de sempre? O erro não está na percepção das classes C e D, claro.

13 de julho de 2017

A Revista VEJA e seus seguidos tiros no pé (a pressa é "iminiga"...)

     Na divulgação da sentença proferida ontem por um juiz de Curitiba contra Lula, um detalhe é revelador de possíveis "ligações perigosas". Até onde sabemos, a primeira postagem de veículo midiático sobre a sentença foi divulgada pela Veja, ainda antes das 14h (a partir das 14h, a notícia multiplicou-se em diversos sítios de notícias). 
     A imagem abaixo (compartilhada ao longo do dia em redes sociais) mostra, porém, que a pressa pode ser inimiga da perfeição - e revela ainda mais:



     Quem trabalha (ou tem contato) com o meio jornalístico sabe que é comum a preparação de versões prévias de notícias, que ficam (ou deveriam ficar) aguardando confirmação e detalhamento de informações para publicação em seguida. No entanto, a "ansiedade vejística" foi tamanha que a matéria saiu com um "XX" no lugar da informação!
     Fica no ar a pergunta: será que houve informação privilegiada (ainda que incompleta)? Ou este foi só mais um exemplo do desleixo e/ou mau jornalismo dessa revista-boa-pra-fazer-papel-machê?
P.R.Barja


O Tema da Vez (e mais uma sextilha da série Cordel-Notícia, 12/07/17)

     No futebol também é assim: em alguns jogos, a estratégia adotada por uma das duas equipes (ou mesmo o estilo desenvolvido por ambas) praticamente conduz o jogo a um determinado resultado final. Ainda que o placar varie, valem máximas como "quem joga para empatar acaba perdendo" e outras, vivas na sabedoria popular. 
     No que se refere ao julgamento do ex-presidente Lula pelo juiz de primeira instância em Curitiba, as duas partes sabiam desde o início que a condenação (por um triplex no Guarujá que nunca foi de Lula) já estava escrita, determinada, ainda que nunca se tenha obtido prova alguma de crime algum. É grave, gravíssimo - mas não chega a surpreender. No entanto, confesso que me equivoquei quanto a cronologia do jogo: imaginei que a "condenação sem provas" sairia pouco antes da votação das alterações da CLT, para tirar a atenção deste que seria o real e imediato problema para a maior parte da população brasileira. Na verdade, ocorreu o contrário: como o (des)governo demonstrou ter maioria para aprovar as reformas, a preocupação (imagino) passou a ser como evitar uma eventual reação intempestiva nas ruas contra a perda de direitos do trabalhador.
     Uma coisa, porém, é certa: independentemente da posição ideológica (contra ou a favor das reformas, contra ou a favor de Lula), está claro para todos que a aprovação destas reformas e o nome de Lula (como líder nas pesquisas para a sucessão presidencial) são dois lados da mesma moeda. Por uma razão bastante simples: Lula é visto por uns e outros como o grande (e talvez único) candidato capaz de reverter as reformas, voltando a salvaguardar o trabalhador. Isto, aliás, não seria bondade alguma: o respeito à própria biografia de Lula assim o exige. 
     Segue o jogo...
*          *          *

Também serei preso, sim:
o triplex nunca foi meu;
o helicóptero do pó
também nunca me valeu
e maleta de dinheiro
nunca recebi... Fodeu!

*          *          *

     Uma das coisas mais importantes que aprendi na carreira acadêmica foi o valor da concisão. Por escrito ou oralmente, quem "enrola" muito na defesa de sua tese demonstra insegurança e/ou tenta disfarçar falhas utilizando verborragia.
     A sentença de Moro contra Lula tem 218 páginas.
     É autoexplicativo.
P.R.Barja

25 de junho de 2017

Assim Não(,) Vale! Errando é que o jornal acerta



   A capa do jornal "O Vale" (edição de 24 e 25/junho/2017) é curiosa: ao "errar", o jornal acerta. Referindo-se ao período da ditadura civil-militar das décadas de 60 e 70, a manchete no entanto traz o verbo no tempo presente: "... faz mais de 700 operações na região em meio à Ditadura". Quem conhece a linha editorial d´O Vale sabe que não se trata de uma crítica indireta ao atual (des)governo brasileiro. Pois bem: a frase ganha ainda mais força por se constituir em ato falho - é aquela verdade que escapa, que se deixa passar, que não pode ser (mais) escondida.
   No Editorial, o jornal alerta sobre os perigos da ditadura e destaca a perda de liberdade. Somando-se o alerta à manchete, temos bom assunto para reflexão... 

24 de outubro de 2014

Regulamentação da mídia (colaborando para o debate público)

   Para começar, vejamos o que diz sobre liberdade de expressão o Capítulo I da Constituição Federal (1988), no artigo quinto:
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
(...)
IX – é livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença;
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
(...)
XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.

   Pronto. Agora vamos lá: o que é a tal “regulamentação da mídia”, que existe em tantos países e no Brasil não sai da gaveta?
   Basicamente, seria um tipo de regulamentação para evitar concentração excessiva de meios/mídia sob controle de “poucos proprietários". Em outras palavras: busca evitar a concentração de muitos veículos de mídia na mão de um único grupo ou família.
   No contexto brasileiro, entendo que limitar a alta concentração hoje existente em torno das poucas e poderosas “famílias da mídia" no Brasil seria justamente uma forma de garantir a liberdade de expressão, que nossa Constituição de 1988 defende mas, na prática, ainda não existe. Prova: os casos frequentes de jornalistas demitidos por grandes grupos hegemônicos pela simples ousadia de “pisar fora da linha editorial” (estou usando um eufemismo). Assim, a pressão ideológica sobre o profissional da comunicação pode ser vista como subproduto da concentração da mídia.
   Há um Projeto de Lei (PMDB/BA) para substituição da Lei da Imprensa que voga desde a ditadura militar. Clique AQUI para ver a respectiva ficha de tramitação. O Projeto foi apresentado em 1991. Detalhe: NÃO foi votado, debatido, apreciado - estamos em 2014!
   Minha leitura, simples: os congressistas temem as “famílias da mídia”. Vejamos outras leituras, a partir da matéria da Revista FORUM, ed. 146:


Segue um trecho e alguns depoimentos presentes na matéria mencionada:

O Fórum Nacional Pela Democratização dos Meios de Comunicação (FNDC) visa colher 1,3 milhão de assinaturas no intuito de propor um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para a regulamentação da comunicação social eletrônica do país, além de levar o debate à sociedade.

Ivo Freitas (coletivo Mídia Ninja): diz que não houve avanço político no que diz respeito à regulamentação. “Mas não é por falta de vontade, tanto do governo em si como dos alternativos da mídia. A tentativa de regulação dos meios de comunicação ainda sofre bastante oposição das famílias detentoras das concessões. O que se pode dizer é que a discussão avançou”.

Mayrá Lima (conselho diretor do Intervozes, Coletivo Brasil de Comunicação Social): “A radiodifusão segue monopolizada e as famílias que controlam o conjunto da grande mídia no Brasil continuam usufruindo das concessões públicas sem que haja um mecanismo em que a sociedade possa fiscalizar possíveis violações de direitos. Carecemos de um regramento que impeça a propriedade cruzada, garanta pluralidade e diversidade nos meios de comunicação.”

FORUM: Por que entra e sai governo e as legislaturas, sucessivamente, não fazem o debate em torno de um novo marco para a mídia?

Conceição Oliveira (blog Maria Frô): “Não avança porque o Congresso é feito por políticos que dividem este monopólio midiático. Collor, Sarney, Renan [Calheiros], família de Antônio Carlos Magalhães dividem concessões de rádio e TV retransmitindo a Globo, vários têm jornais etc.

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Outro artigo interessante (e esclarecedor) sobre o tema está disponível aqui:

Diário do Centro do Mundo:

P.R.Barja

17 de outubro de 2014

Padrão de manipulação - exemplo real

Manchete mágica da TV Globo: 
"Criação de empregos registra queda"
EPA:
905 MIL vagas foram criadas em 2014 no Brasil! 
Em 2013 a criação havia sido um pouco maior. 
Daí a Globo enfatiza a palavra QUEDA numa manchete sobre o AUMENTO do número de empregos. 

Padrão de manipulação à vista...!

22 de maio de 2014

Estatística: preço da gasolina


Ao contrário do que se diz por aí, pesquisa internacional revela que a gasolina no Brasil NÃO é "uma das mais caras do mundo atualmente":


20 de maio de 2013

Boal e a nova imprensa

 
A imprensa independente existe - e existe apesar de certos ideólogos.
A imprensa independente existe em milhares de pequenos postos a partir dos quais se difunde.
Somos nós, os independentes, os sem-partido...
Os que fazem Teatro-Fórum em cada canto do Brasil e do mundo!
Os blogs proliferam e a cada dia fica mais difícil esconder as verdades e sustentar as mentiras.
Melh
or assim...
Ah, mas essa "imprensa independente" também É comprometida com interesses: todos somos!
E é fundamental ser comprometido com os interesses dos oprimidos e daqueles que vivem nas Zonas Proibidas bem descritas por Hakim Bey.
Já dizia Boal sobre a luta diária de Davi contra Golias: quem não pega nas pedras e se diz "imparcial", na verdade assume o papel de aliado do gigante.
Boal, inspire-nos sempre!
E que inspiremos sua força renovada em nós.

13 de outubro de 2010

NOTÍCIAS DO BRASIL - 4

ARTISTAS E INTELECTUAIS LANÇAM MANIFESTO PRÓ-DILMA

Um grupo de artistas e intelectuais liderados por Leonardo Boff, Chico Buarque, Emir Sader e Eric Nepumuceno está articulando adesões a um manifesto de apoio político à eleição da candidata à Presidência Dilma Rousseff.
O documento convoca os artistas a somarem forças para "prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional".
O manifesto será entregue à candidata em um ato político, no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, no dia 18 de outubro, às 20h. Os autores da carta convocam a população a participar da atividade.

MATÉRIA

"Se nos calarmos, até as pedras gritarão", dizem católicos e evangélicos:
http://www.viomundo.com.br/politica/se-nos-calarmos-ate-as-pedras-gritarao.html

VÍDEOS

SERRA INFORMOU CURRÍCULO FALSO NO CONGRESSO! Veja: http://www.youtube.com/watch?v=OJ560PII-30&feature=related

Para ver Dilma no ato do Palácio dos Trabalhadores e sua posição do aborto: http://www.youtube.com/watch?v=qFNz4F8YKs8

Para ver o que a Marilena Chauí pensa sobre o 1º turno e a estratégia do PSDB: http://www.youtube.com/watch?v=X29gSTBhXuk

Para ver as declarações de Serra sobre o que pensa sobre o aborto: http://www.youtube.com/watch?v=nOS6-KUiUSQ

Para ver as declarações de Sonia Francine (assessora de Serra, optou por fazer aborto alguns anos atrás) sobre aborto no programa Saia Justa: http://www.youtube.com/watch?v=LPqOJEHBU8w

Para ficar bem informado sobre a realidade dos fatos envolvendo a eleição de 31/10, acesse:
-
http://www.cartacapital.com.br/