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5 de dezembro de 2013
17 de novembro de 2013
Barbosa (Supremo Haikai Federal)
Pula do próprio ego
e, antes de chegar ao chão,
morre de inanição
(P. R. Barja)
6 de outubro de 2012
Relato cruel - mas verdadeiro
Envergonhado, ele se aproxima e vai logo avisando: não quer dinheiro.
Trinta e poucos anos de idade, não mais que 40, ele conta sua história, e simplesmente não é possível duvidar da palavra daquele homem.
Conta que foi contratado em Guarulhos para ir a São José dos Campos num caminhão, junto com pedras e azulejos.
O "contrato" é verbal: 70 reais pelo dia de trabalho, e à noite voltaria para sua cidade e família, em Guarulhos, no mesmo caminhão que o levou.
Ele aceita. Vem para São José, onde trabalha o dia todo.
Ao anoitecer, ouve do seu contratante:
"Vá passar uma água no corpo antes de entrar no caminhão, você está todo sujo de cimento! Em seguida, acerto a grana combinada e voltamos."
Ele também aceita a sugestão.
Trinta e poucos anos de idade, não mais que 40, ele conta sua história, e simplesmente não é possível duvidar da palavra daquele homem.
Conta que foi contratado em Guarulhos para ir a São José dos Campos num caminhão, junto com pedras e azulejos.
O "contrato" é verbal: 70 reais pelo dia de trabalho, e à noite voltaria para sua cidade e família, em Guarulhos, no mesmo caminhão que o levou.
Ele aceita. Vem para São José, onde trabalha o dia todo.
Ao anoitecer, ouve do seu contratante:
"Vá passar uma água no corpo antes de entrar no caminhão, você está todo sujo de cimento! Em seguida, acerto a grana combinada e voltamos."
Ele também aceita a sugestão.
Mas, quando volta ("coisa de cinco minutos"), vê o caminhão indo embora.
Aí percebe: foi enganado.
Aí percebe: foi enganado.
Trabalhou de graça, e agora está longe de casa. Longe demais pra voltar a pé...
Então ele anda, anda pela cidade que não conhece, e encontra uma igreja, onde lhe prometem ajuda... mas só para "depois de amanhã".
"Ué, e onde você está dormindo?"
"Na rua... até depois de amanhã. O sr. poderia pagar só um cafezinho pra mim? Desculpe, é que não tô parando em pé..."
Chegando na padaria, meio sem jeito, mas sempre educado, ele reformula o pedido:
"Poderia ser um refrigerante em vez de café? Está muito quente hoje..."
Aceito. Conversamos brevemente, ele está mais calmo.
Eu não.
Saio triste, pensando: "É assim que o ser humano trata seu semelhante? E alguns depois dizem que os políticos é que são safados..."
Este é um relato cruelmente verdadeiro. Aconteceu hoje, 6 de outubro de 2012.
Então ele anda, anda pela cidade que não conhece, e encontra uma igreja, onde lhe prometem ajuda... mas só para "depois de amanhã".
"Ué, e onde você está dormindo?"
"Na rua... até depois de amanhã. O sr. poderia pagar só um cafezinho pra mim? Desculpe, é que não tô parando em pé..."
Chegando na padaria, meio sem jeito, mas sempre educado, ele reformula o pedido:
"Poderia ser um refrigerante em vez de café? Está muito quente hoje..."
Aceito. Conversamos brevemente, ele está mais calmo.
Eu não.
Saio triste, pensando: "É assim que o ser humano trata seu semelhante? E alguns depois dizem que os políticos é que são safados..."
Este é um relato cruelmente verdadeiro. Aconteceu hoje, 6 de outubro de 2012.
Pergunto: até quando?
A mudança não depende de partido político. Depende de cada um.
27 de setembro de 2012
20 de setembro de 2012
29 de abril de 2012
"FOGO FÁTUO" e o dilema PROZAC/PROJAC
"O REI ESTÁ NU!" - essa é certamente a frase que ressoa em muitos dos espectadores da peça FOGO FÁTUO, em cartaz no SESC Santana até 27/5. Trata-se de um trabalho vigoroso que tem como uma de suas maiores virtudes a profunda honestidade que propõe nas relações entre as diversas instâncias presentes (de um modo ou de outro) em cena: escritor, ator, indivíduo, público, cidadão, sociedade, criador/criatura... "e o diabo a 4".
Nunca é demais lembrar que o mito é, talvez por definição, atemporal - assim como a questão do criador-em-crise (presente "dia sim, outro também") em tantos de nós, reconheçamos. Mas é claro que o tema ganha relevância nesses "tempos modernos" em que a dupla PROZAC e PROJAC parece comandar o imaginário (e o real) de boa parte da sociedade. Se a meta é "crescer e aparecer" a todo custo, de preferência sorrindo e mandando beijinho pra galera, nega-se cada vez mais o direito à crise, ao tempo de amadurecimento da criação, ao silêncio necessário do criador. Tudo é ritmo, tudo é pressa, os fins justificam os meios e algo acaba se perdendo no "Vale Tudo das Artes".
FOGO FÁTUO propõe um respiro necessário nessa loucura. Poderia ser receitada como "prescrição médica" para alguns, contra a mentalidade fast food tão presente em nosso cotidiano. Nesse sentido, é fantástico o início da peça, que de cara já propõe uma quebra de ritmo: somos inseridos no tempo-sem-tempo (o fade-out final poderia explorar ainda mais isso, com as luzes baixando lentissimamente para nos lembrar de respeitar este tempo-sem-tempo do Escritor criando. Talvez alguns tenham pressa de bater palma e levantar, mas outros vão captar a mensagem).
O trabalho é um típico work-in-progress: logo após a apresentação do último sábado, pudemos acompanhar um pouco do sempre instigante processo de (re)criação, com sugestões sendo coletadas e compartilhadas entre criador e criatura. Mas, afinal, quem é quem? Nem é o caso de fazer a pergunta, uma vez que ambos criam e são criados em cena. E aqui temos um fato curioso: a nítida diferença de desenvoltura cênica entre Hélio Cícero e Samir Yazbek (nem seria justo exigir “paridade” aqui) colabora inclusive para trazer novas camadas de leitura a alguns trechos da peça. Insistente, a pergunta “Quem é você?” é provocadora e essencial para este Escritor em busca de uma pista criativa – que pode vir na forma de um pacto proposto por Mefisto em crise.
Apenas discordamos de um pequeno trecho do texto de apresentação no programa da peça: a crise compartilhada entre Fausto e Mefisto (este, auxiliado pela interpretação soberba de Hélio Cícero), em vez de gerar descrença, acaba sendo um último e maravilhoso recurso de sedução. Uma espécie de "canto do cisne", ao qual é praticamente impossível o Escritor manter-se surdo. O pacto, agora democratizado, ressurge como solução digna para ambas as partes. Afinal, se a "outra" alternativa é a proliferação da maldade gratuita, talvez ainda seja melhor garantir um espaço para Mefisto nesse mundo.
29 de julho de 2011
Diário de um processo (4) - Teatro-cordel
(...)
3) "O impacto da fala de vocês no debate é maior do que o próprio trabalho em si..."
Diariamente, os jornais mostram que a história do desterro é secular e atual, repetindo-se, com particularidades locais, no aqui-agora. Durante as leituras, a palavra "diáspora" começou a se impor como tradução desse deslocamento humano impelido por circunstâncias diversas.
Em meio a esse mar de ideias e informações, no dia 26/06 ocorreu a estreia da "Seca da Alma", com aproximadamente 23 minutos nesta primeira versão. O auditório do CET, no Parque da Cidade de São José dos Campos, estava lotado, com o público composto em boa parte por outros participantes da Mostra Joseense de Cultura.
Nesse primeiro dia, com o embrião do trabalho, o mais marcante para nós foi que o debate gerado a partir da peça durou mais de uma hora (!), para uma apresentação de pouco mais de 20 minutos (!!) - em meio às diversas críticas recebidas, isso para nós pareceu um sinal de que valeria a pena dar sequência ao trabalho. Registramos aqui as diversas observações recebidas da crítica nesse momento, acompanhadas de pequenos comentários a respeito:
1) “Isso não é propriamente uma peça de teatro...”
- Verdade! Essa observação evidenciou, até pra gente mesmo, que não era uma preocupação nossa formatar o trabalho nos moldes convencionais de uma peça de teatro.
2) "Já que vocês falam do Nordeste, por que os atores não usam sotaque nordestino?"
- Essa era uma pergunta inevitável... e se liga a diversos pontos:
i) a proposta de não seguir uma formatação convencional trazia justamente, para nós, uma liberdade de escolha quanto ao uso ou não de sotaque;
ii) como o objetivo é mais chamar a atenção para o relato do que para a forma, achamos que seria melhor falar com naturalidade mesmo, até para garantir maior comunicação;
iii) numa proposta (objetivo futuro) de teatro narrativo, o sotaque também não se coloca para nós como questão fundamental;
iv) optamos por não forçar um sotaque, pra evitar cair em situações como as de produções globais (com carioca-nordestino ou coisa parecida);
v) por fim, uma (eventual, futura) opção por interpretação com sotaque teria que vir após um longo trabalho de preparação, pra não ficar "mais ou menos" - precisaria de tempo de trabalho especificamente para atingir este objetivo;
3) "O impacto da fala de vocês no debate é maior do que o próprio trabalho em si..."
- Claro que isso não é algo confortável de se ouvir - mostra a necessidade de se trabalhar para levar simultaneamente maior naturalidade e vigor para a interpretação;
4) “O que significa essa leitura, fria (e talvez excessiva), de dados e notícias?”
- Essa foi uma primeira opção estética, apenas. A ideia era apresentar os dados de modo "jornalístico" buscando assim provocar uma eventual reação emocional no público, sem que os atores "guiassem" as pessoas para a indignação ou qualquer outro tipo de reação - mas essa foi uma colocação importantíssima, pois estávamos abertos a discutir outras possibilidades quanto a isto;
5) "Quem de fato está contando essa história?"
5) "Quem de fato está contando essa história?"
- Pergunta pertinente do Atul Trivedi, que também lançou luz sobre o trabalho. Apontava um rumo para os próximos passos: descobrir quem eram esses narradores.
Uma observação importante: mesmo num início de processo, logo após a estreia havia tantos agradecimentos a fazer que acho melhor começar a registrar "oficialmente" por aqui, ainda que já correndo o risco de esquecer alguns nomes:
- aos avaliadores e ao público da Mostra Joseense, pelos comentários;
- ao pessoal do Espaço Cultural Vicentina Aranha, pela cessão do espaço para reuniões e ensaior;
- ao Arievaldo e ao Klévisson, pelas dicas cordelísticas;
- ao Valdecy Alves, pelo material de estudo;
- ao Wangy Alves, pelo acolhimento;
- a todos, pela generosidade.
(continua)
(continua)
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