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1 de setembro de 2014

Soneto Eleitoral (candidatura de ocasião)


Se a sigla significasse
o que diz que significa,
a coisa talvez mudasse;
pior do que está não fica.

Legenda? Pra que legenda?
O discurso não é sério.
A "ética" vive à venda
ou está no cemitério.

Sigla certa, ideia incerta:
muda-se de opinião
quando o cinto mais aperta.

Democracia? Quem dera:
"vale tudo" de eleição.
Quanto ao eleitor... já era!

P.R.Barja

8 de abril de 2014

Lançamentos



Uma foto de boa parte da "turma criativa valeparaibana"
que participou do Festival da Mantiqueira 2014

A divulgação feita pela Univap do trabalho e
da participação no Festival da Mantiqueira 2014



Próxima parada: Parque Vicentina Aranha!

13 de dezembro de 2013

Gata de Alice (soneto)


Às vezes você bem que se parece
com o gato de Alice, que flutua
e some de repente, sob a lua
- apenas o sorriso permanece.

No entanto, com você se dá o inverso:
o seu sorriso some. Vai aonde?
Você é que permanece. Ele se esconde
- flutua em algum ponto do universo.

Você fica incompleta sem sorriso
até que se aproxima um pensamento:
“Pra que ser sempre escrava do juízo?”

Ronrone, lamba as patas, pule, cace,
revire as latas, viva o seu momento
e sinta o que sob o bigode nasce !

P. R. Barja

5 de setembro de 2013

Soneto Manifesto



A vida humana vale bem menos que os tais
20 centavos: triste, mas é o que presumo,
pois não se vê ninguém agir contra o consumo
dos agrotóxicos, venenos e outros mais.

Aqui protesto contra danos ambientais:
as empreiteiras querem terra limpa e plana,
derrubam árvores demais, toda semana,
reviram leitos de rios, matam animais...

Também protesto (sempre!) contra o preconceito
que assola o mundo, com reflexos no país.
Acho que existem, sim - ainda - dois Brasis:

Um é o daqueles que só dizem "não tem jeito!";
outro é o nosso e pode até ser bem bacana.
Meu manifesto é em favor da VIDA HUMANA.

P.R.Barja

25 de agosto de 2013

Soneto do Não Arrependimento

(para Piaf, pela voz em "Je Ne Regrette Rien". E na Vida.)


Eu não conheço mesmo tudo que há em mim:
os heterônimos submersos, os naufrágios,
os versos todos não escritos, os sufrágios...
não sei do início, nem do meio, nem do fim.

Mas eu conheço a plenitude dessa entrega
a todo Tempo, em cada Espaço, a cada Vida:
nada é matéria morna ou dor amortecida.
Montanha russa? É, talvez... não cabra-cega!

Não me arrependo: dou valor a cada instante.
Verdade interna, a transparência no sentir
me descortina um dia lindo logo adiante.

"Je ne regrette rien", já disse voz que eu amo.
Eu não represo sentimento. Quer sair?
Que saia em versos, em canção. Eu não reclamo.
Paulo R. Barja

4 de agosto de 2013

Soneto sem embrulho

(Paulo R. Barja)


Aceita sem embrulho o meu Presente,
Passado a tuas mãos para o Futuro.
Aceita, por favor, não quero furo
- por mais que eu seja sempre paciente.

Aceita a Vida plena que te envolve,
qual onda nesse mar sempre agitado.
Aceita, sem julgar - não é errado!
Cabeça trava? Um beijo então resolve.

Garrafas todo dia vão pro mar:
são sonhos (valem mais do que dinheiro),
sussurros de socorro a quem achar.

Aceita sem embrulho: eu te ofereço
o sol da meia-noite, esse braseiro,
a alma, o corpo - e desmedido apreço.

12 de julho de 2013

Não por decreto


As coisas não funcionam por decreto.
A Vida ensina isso, é só olhar.
A Lei às vezes serve pra ajudar...
E se o legislador não for correto?

Conheço gente com a vista boa
pra ler miúdas letrinhas da Lei.
Mas de que vale isso eu já não sei,
pois não conseguem ler outra pessoa...!

Se a Lei não serve ao povo, então não presta:
façamos nova Lei, melhor que esta
- se for o caso, que haja plebiscito.

Não por decreto, eu amo. Por poesia,
que traz lirismo e força ao dia-a-dia:
mais vale um bom sussurro que um mau grito!

P.R.Barja

11 de julho de 2013

Soneto Camoneano (ou não)


"Paixão é fogo que arde sem se ver",
disse o grande poeta lusitano.
Mas ele cometeu algum engano,
percebam (sei que vão compreender):

Quem é - levante a mão - que nunca ardeu
no fogo da paixão com testemunhas?
Quem nunca suspirou, roeu as unhas
ou confessou amar? Sim, também eu!

Pois cada gesto assim é evidência
que todos podem ver, entre outras mil
- paixão é renda fina, transparência...

Pois é: Camões foi mestre na poesia,
porém, no Amor... não sei, mas desconfio
que ardeu também, em plena luz do dia!

P.R.Barja

19 de maio de 2013

Soneto Molecular

 
Com as moléculas também aprendo:
são vários átomos interagindo.
Vibramos juntos nesse mundo. É lindo
e agora mesmo está acontecendo.
 
Os átomos também são coletivos:
elétrons, prótons, nêutrons, todos juntos
- e há muito mais aí, outros assuntos
que dizem num só coro: estamos vivos!
 
Então é isso: não se está sozinho
em hora alguma nessa nossa vida
- somos partículas acompanhadas.
 
A cada passo do nosso caminho,
imprime-se a passagem só de ida
- e percorremos todas as estradas.
 
(P.R.Barja)
 

18 de maio de 2013

Soneto libertário ao homem-prego

 
Começo a entender o Plínio Marcos:
há muitos homens-prego nesse mundo!
Gente que nunca viveria em barcos.
Que falta faz o sábio vagabundo!
 
Os homens-prego prendem-se a paredes
formadas por certezas obsoletas.
São peixes presos pelas próprias redes.
Vontade de acorda-los com cornetas!
 
Encontro o homem-prego em sua sala,
que até parece caixa. Quando eu entro,
já vou dizendo logo: faça a mala!
 
Abrir a caixa é coisa que se adora.
Pra que viver trancado assim por dentro?
A vida é festa em casa e também fora!
 
(P. R. Barja)
 

1 de março de 2013

Para que serve o poeta?

(um soneto a Cyrano)

Para que serve o poeta?
Para iluminar por dentro
- para procurar o centro
da alma com sua seta.


Para que serve um poema?
Para falar de um país
- ou do amor da meretriz
  pelo artista de cinema.


Ela fica bem mais bela
- pode até virar donzela
  pelo verso do poeta.


Terceiriza-se a paixão
- o poeta vai ao chão,
  morto pela sua meta.


(P.R.Barja)