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15 de fevereiro de 2017
13 de fevereiro de 2017
Quem Paga Essa Conta?
(artigo de Oswaldo Almeida Jr e Paulo Roxo Barja)
Não é novidade que os investimentos em arte e cultura sejam vistos, por boa parte dos gestores públicos, como dinheiro jogado fora. Os argumentos usuais são o de que haveria áreas também deficitárias em que o recurso seria mais importante e o de que dinheiro público não deve servir à manutenção de artistas que, “se fossem bons mesmo”, deveriam buscar sua subsistência no mercado. Há aqui, no entanto, um vício de origem. É comum que se veja o trabalho com cultura como algo importante para artistas e produtores, mas não para a população. Em outras palavras, há quem ignore o valor do trabalho artístico como ação voltada à comunidade e pense que a verba para cultura serve apenas para que os artistas paguem suas contas e “façam festas”. Pensando assim, caem no senso comum de indicar diversas áreas em que o recurso seria melhor aproveitado.
No entanto, são raras as críticas a investimentos na área de desenvolvimento econômico. Os milhões investidos em parques tecnológicos ou a renúncia fiscal voltada à atração de empresas são vistos como investimento necessário e urgente. Mas esses recursos não beneficiam diretamente a população; assim como na área da cultura, vão para agentes que (espera-se) transformarão o recurso em resultados para o cidadão. Mesmo em áreas como Saúde, o recurso público é destinado a profissionais que, a partir disso, criam ações voltadas ao atendimento das pessoas. Assim, por que só os agentes culturais são vistos como “aproveitadores do dinheiro público”?
Na Cultura, ao contrário do que ocorre na economia, os números de atendimento à população parecem não ter importância, mesmo com dados concretos a justificar os investimentos. Muitos gestores – e parte da sociedade – ignoram os resultados da ação cultural no desenvolvimento humano (algo intangível, subjetivo); assim, quando se fala em cortes no orçamento, começam cortando recursos da Cultura. Imagine agora o que aconteceria se as pessoas se recusassem a ouvir o relato de um amigo que defendesse o corte de verbas para Cultura, mas quisesse contar suas andanças pelos museus de Paris ou suas leituras mais recentes. Chato, né?
Para avaliar a falta que as ações artísticas fariam no cotidiano de uma população, imaginem que por um dado período todos os cinemas e teatros fossem fechados e todos os shows e saraus proibidos, assim como as festas de cultura popular e as aulas de Arte nas escolas. Há quem defenda isto, “em nome da ordem e da produtividade”! Mas viver assim seria triste, e pouco humano...
Felizmente, a arte dispensa autorizações para sua realização. Independentemente do poder público e da verba, a arte continuará existindo – e resistindo. Mas, sem recursos, a população ficará sem acesso à cultura produzida em sua comunidade. Sem recursos públicos, os resultados do trabalho artístico e cultural ficarão restritos a poucos privilegiados. E o povo ficará sujeito ao mínimo que o Estado estiver disposto a oferecer: o mínimo de renda, o mínimo de cultura, o mínimo de saúde. Cuidado.
26 de janeiro de 2017
25 de janeiro de 2017
Arte e Estado
(Versão condensada e comentada por Paulo Barja para o texto “Por qual dinheiro? O artista diante do poder”, de Andrzej Wajda, in: WAJDA, A. Um Cinema Chamado Desejo. Petrópolis: Campus, 1989)
Uma vez que boa parte da produção artística é, direta ou indiretamente, financiada pelo Estado, colocam-se diante de nós algumas perguntas. A principal delas: quem, afinal, é o responsável pela obra produzida? Não importa quem financia: em última análise, o responsável é sempre o artista – e é assim que tem que ser.
Para o Congresso da Cultura Polonesa de 1981, Andrzej Wajda preparou o texto “O mecenato do Estado e a liberdade do artista”, que em linhas gerais diz o seguinte:
(...) O mecenato do Estado tem funções diferentes e uma ingerência diferente nos diferentes domínios das artes. Há domínios em que a ingerência do Estado é limitada ou pode até ser ignorada. Assim, pode-se pensar de graça. A escrita de um romance custa uma soma irrisória. (...) Da mesma forma, pode-se, por uma soma um pouco maior, produzir obras de artes plásticas que sejam belas, importantes, duradouras. O cinema, infelizmente, qualquer que seja seu tema, precisa de dinheiro, de milhões (vale o mesmo para uma grande orquestra ou para a produção de um grande musical).
Pois bem: o Estado destinou do seu Tesouro uma soma milionária para meus filmes. Ora, de acordo com minha consciência de artista, não contraí por isso nenhuma obrigação ideológica para com esse mecenas. Isso significa que, usando dinheiro público para minha produção artística, enganei o Estado? Não, porque tomei dinheiro público e o utilizei para o bem público. (...) A existência de público para o trabalho sustenta minha convicção de que aquela arte era necessária (e não um luxo ou uma extravagância).
Podem me responder que muitas obras de arte ruins mobilizam grande público. Sim, mas é certo que não haveria utilidade pública nenhuma em salas de espetáculo onde se sentasse sozinho e contente consigo mesmo apenas o agente financiador - o Estado (pensem: qual a utilidade pública de salas de espetáculo vazias? Isso é tão absurdo quanto limitar o acesso de alunos a uma biblioteca escolar “para evitar bagunça”).
Eu recebia, assim, o dinheiro do Estado mecenas sentindo-me livre, porque jamais considerei que se tratasse de meu dinheiro. Sempre me esforcei para que o dinheiro retornasse, de algum modo, ao lugar de onde fora emprestado: o Tesouro nacional (percebam a ética do processo: a produção não se fez pelo dinheiro! O dinheiro é que foi disponibilizado para a produção. Isso faz toda a diferença).
Em países ocidentais, é considerado produtor e mesmo, em certa medida, criador de uma obra de arte aquele que consegue reunir o capital necessário para sua produção. (...) Contudo, aprendi muito jovem que o valor supremo é o trabalho. Assim, o criador não pode ser outro senão quem contribui com mais trabalho: a equipe e a pessoa que a dirige. Nunca me preocupei muito com a opinião das autoridades, sua reserva ou mesmo oposição a alguns de meus projetos. Minha verdadeira preocupação era com o público, sobretudo “se eu conseguiria me comunicar com ele” (Wajda defende que o financiador não tenha ingerência sobre o trabalho do artista. Faço uma analogia futebolística: a Nike não poderia influenciar na escalação da seleção brasileira. Por sinal, seria fantástico aplicar isso à política: o financiador de campanha não poderia ter ingerência sobre o trabalho do político, que deveria sempre representar os interesses do povo. Sabemos que geralmente não é bem o que acontece).
(...) Por que o artista deve ser livre? Para poder penetrar no espírito das pessoas e expressar suas inquietudes, esperanças e ilusões! O Estado não saberia fazer isso em meu lugar. Por que um funcionário do Estado conheceria esse segredo melhor do que o artista? Em virtude de sua função? Acho que a paz silenciosa dos escritórios oficiais e roteiros longamente debatidos e preparados podem chegar a uma revelação... Na maioria das vezes, lengalengas dessa ordem dão lugar a obras indigestas, sem alma nem rosto (este é nosso argumento para defender que a gestão cultural seja exercida por gente próxima à área e aberta ao diálogo, e não entregue a “qualquer bom administrador, de preferência com formação jurídica”, como vemos ocorrer com triste frequência).
Somente o artista pode responder pelo que diz ao público. Empregando sua liberdade, o artista deve, às vezes, fazer seu público compreender o que não teria condições de perceber sem a obra de arte. Ele tem necessidade de uma liberdade dupla: em relação ao poder e em relação ao público. Apenas os maiores conseguem atingir essa liberdade e merecem nosso reconhecimento. Quanto ao mecenas, que ele se lembre: a Arte só se desenvolve à medida que o povo consegue impor ao poder importantes concessões.
* * *
Uma colocação anticlímax ao final deste texto: o discurso original de Wajda nunca foi proferido, pois na ocasião o governo polonês cancelou o congresso. É triste, mas parece haver analogia entre esse fato e diversas situações vividas no Brasil. Diante do fechamento de oficinas culturais e dos repetidos cortes de verbas públicas para a cultura, perguntamos: será que os cortes são uma punição imposta aos artistas pelo Estado, que deseja controlar a criação artística e não consegue entender ou aceitar a liberdade criativa? Reflitamos.
17 de novembro de 2014
RESPOSTA-MANIFESTO
EM RESPOSTA A UMA PROPOSTA FEITA A ARTISTAS LOCAIS
“Apresente-se de graça em nossa sede, fazemos divulgação”
Considero absurdo e mesmo constrangedor o convite feito, uma vez que artistas precisam ser pagos pela Arte que fazem, até mesmo para manter a Saúde. Creio que isso seja simples de entender, principalmente por quem se diz disposto a trabalhar "pela humanização do atendimento". Pois bem: quando um artista é "convidado a trabalhar de graça" numa empresa que tem totais condições de pagar pelos serviços prestados, isso na verdade soa como "desumanização", na medida em que sucateia o valor do artista enquanto ser humano.
Esclareço que, antes de redigir esta pequena resposta, entrei em contato com diversos artistas, inclusive via redes sociais, e o entendimento geral foi este, o que motivou o envio da resposta (fiz essa consulta prévia a colegas para não incorrer no erro de um julgamento precipitado e descolado da realidade).
Informo adicionalmente que, em outros países onde tenho amigos artistas, há movimentos de conscientização junto a artistas para que NÃO aceitem este tipo de proposta. A motivação para o movimento coletivo de recusa é a seguinte: enquanto alguns têm outras fontes de renda e poderiam até se dar ao luxo de "trabalhar de graça", outros dependem exclusivamente do que recebem pelo seu trabalho artístico para sobreviver.
Entendo que artistas precisam ser bem pagos por quem pode pagar justamente para que possam se dedicar, em outros momentos, a apresentações beneficentes e/ou voluntárias junto a instituições que dependam exclusivamente de esforços coletivos – e, estes sim, humanitários – para subsistência.
No entanto, creio que nossa conduta diante desse tipo de situação deve ser fruto de amadurecimento coletivo e troca de ideias (como tudo, sempre). Assim, tomo a liberdade de sugerir uma contraproposta. Tenho quase certeza de que artistas da cidade topariam fazer apresentações por valores, digamos, a partir de R$400 por apresentação (dependendo, naturalmente, da configuração artística - solo ou grupo). Em troca, divulgariam o local e os serviços da empresa contratante. Creio que isso traria transparência ao relacionamento e, sem dúvida, benefícios à imagem da empresa.
Uma proposta alternativa (talvez não para esta empresa, mas para outras, mais humildes) seria, ainda, que a empresa prestasse serviços gratuitos aos artistas e, a cada valor X (a definir), o artista fizesse uma apresentação em contrapartida.
Para citar um caso recente que mobilizou a sociedade brasileira: nenhum de nós é Deus. Nenhum de nós está acima do outro. Todos precisamos batalhar (com o suor de cada dia) pelo alimento, moradia, saúde e – sempre – respeito.
Sigamos na trilha da construção de um novo país a cada dia, em cada atitude.
Saudações,
P. R. Barja
25 de setembro de 2012
Carta do (e)Leitor (25/09/2012)
Da seção CARTA DO LEITOR, "O Vale", 25/09/2012
Cultura
Tema fundamental para os joseenses é a retomada das atividades no Cine Teatro Benedito Alves, cuja restauração havia sido prometida para 2003 e foi deixada de lado pelo ex-prefeito Emanuel Fernandes. O local pode se tornar um símbolo da retomada da vida cultural democrática nesta cidade.
Paulo Barja
6 de maio de 2012
Manifesto sobre um teatro (literalmente) INVISÍVEL
Neste sábado, 5 de maio de 2012, um grupo de artistas foi ao local onde deveria existir o prometido "Novo Teatro Municipal de São José dos Campos" para marcar o aniversário de 4 anos deste projeto que, literalmente, nasceu ao contrário. Vejam só...
| "Onde está o teatro? O gato comeu, o gato comeu e ninguém o viu..." |
| "Vira vira vira, vira vira vira, vira vira vira... virou!?" |
| O cartaz diz tudo... |
| Artistas-cidadãos em bloco... |
| Cantar, seja lá como for! Resistimos, logo existimos... |
| ... pra manter a Cultura em Movimento |
* Acessem o blog dos Cordéis Joseenses pra conhecer o Cordel-Rap do Teatro Invertido preparado para esse triste aniversário...
P.R.Barja
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18 de outubro de 2011
15 O - Arte política em SJC (Vídeo - parte 2)
Segunda parte do vídeo com trechos da manifestação realizada na manhã de 15/10/2011 em São José dos Campos. Estudantes e artistas unidos na luta por uma cidade melhor:
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15 O - Arte política em SJC (Vídeo - parte 1)
Acabamos de postar no YouTube a primeira parte do vídeo com trechos da manifestação realizada em frente à Praça Afonso Pena, em 15/10/2011, unindo artistas e movimento estudantil - arte política, por uma cidade melhor:
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14 de outubro de 2011
7 de outubro de 2011
Produção artística e difusão literária - por um debate aberto
Prezados amigos, escritores e/ou acadêmicos joseenses,
Nas últimas 24h, recebi - de 4 fontes diferentes - essencialmente a mesma mensagem, apresentando edital aberto pela Prefeitura de SJC no final de setembro.
Transcrevo aqui o email recebido:
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Enviada em: Quarta-feira, 5 de outubro de 2011 16:15
Assunto: Início do período de cadastramento para autores residentes no município de São José dos Campos
Por considerar de extrema importância essa iniciativa, fui ler o edital, que assim descreve o que se espera dos projetos inscritos:
"Projeto, contendo Plano de Ação, contemplando atividades artísticas como teatro, música, pintura, desenhos, histórias em quadrinhos, saraus, hora do conto e teatro de fantoches."
Ao ler, pensei: ah, posso convidar artistas que se interessem em ajudar a difundir a literatura de cordel nas escolas joseenses junto comigo. Vamos fazer algo realmente bom - e comecei a pensar em gente da melhor qualidade para essa empreitada. Então liguei para o telefone indicado no próprio edital para "informações adicionais" e perguntei:
- Por favor, qual a ajuda de custo que será oferecida aos escritores e aos artistas participantes do projeto?
Agradeci a informação, desliguei e fiquei pensando: puxa, será que se esqueceram de que escritores, atores e músicos tem gastos com transporte? Precisam comer, se vestir, e para isso trabalham...
1) O que se entende por "valorização"?
2) Especificamente, o que seria "valorização dos autores de livros residentes no município"?
3) Quais as chances de escritores e artistas serem chamados a contribuir na elaboração de futuras propostas municipais para as áreas de Educação e Cultura?
4) Existe algum risco desse "programa gratuito de valorização da literatura na base do amor à camisa" ser utilizado como peça de campanha política, uma vez que 2012, o ano previsto para implementação, é ano eleitoral?
Esclareço que não sou filiado a partido político e não proponho aqui uma discussão partidária. Por outro lado, como membro da Academia Joseense de Letras (AJL), tenho o dever de me posicionar, até porque a comissão avaliadora prevista no edital inclui a AJL.
1) Que tal um edital para formação de Estantes de autores joseenses em todas as escolas e bibliotecas municipais? A prefeitura pode avaliar e comprar os livros ou obras que considere de excelência para a formação educacional dos jovens da cidade.
2) Outra proposta seria um Cadastro de artistas que se disponham a apresentar em escolas obras vinculadas à literatura, recebendo para isso um cachê adequado. Sei de muitos grupos joseenses que tem desenvolvido esse tipo de trabalho, independentemente da prefeitura, graças à sensibilidade de professores e diretores de escolas públicas e particulares. Mas é claro que seria bom contar com o apoio da administração municipal.
3) Futuros editais da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR) poderiam incluir especificamente uma categoria Literatura, voltada para criadores literários que apresentem propostas de atividades como palestras, encontros literários e rodas de leitura, atuando assim na difusão da literatura em nossa cidade.
Creio que muitas cabeças pensam (muito) melhor que uma. Assim, minha ideia com esse texto é apenas propor a abertura de um debate franco e democrático sobre a efetiva valorização da literatura e dos criadores artísticos em nossa região. Por favor, contribuam com ideias, questões, propostas...
Assunto: Início do período de cadastramento para autores residentes no município de São José dos Campos
Caros autores,
Boa tarde!
No dia 03 de outubro de 2011, teve início o processo de cadastramento de autores residentes no município de São José dos Campos, na Secretaria Municipal de Educação.
Esse cadastramento ocorrerá até o dia 14 de outubro. (Por gentileza, verificar detalhes do processo de inscrição no Anexo - Edital nº 06).
A abertura do processo de cadastramento pretende contemplar a primeira etapa da execução da Lei Municipal nº 8368/11, que dispõe sobre a criação do Programa de Valorização dos Autores de Livros residentes no Município. Pedimos, por gentileza, que leiam os detalhes no Edital em anexo. Ressaltamos que as informações também serão divulgadas no site oficial da Prefeitura. Sem mais.
Atenciosamente,
Mirian Menezes de Oliveira
Orientadora de Componente Curricular do Programa Sala de Leitura
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Por considerar de extrema importância essa iniciativa, fui ler o edital, que assim descreve o que se espera dos projetos inscritos:
"Projeto, contendo Plano de Ação, contemplando atividades artísticas como teatro, música, pintura, desenhos, histórias em quadrinhos, saraus, hora do conto e teatro de fantoches."
Ao ler, pensei: ah, posso convidar artistas que se interessem em ajudar a difundir a literatura de cordel nas escolas joseenses junto comigo. Vamos fazer algo realmente bom - e comecei a pensar em gente da melhor qualidade para essa empreitada. Então liguei para o telefone indicado no próprio edital para "informações adicionais" e perguntei:
- Por favor, qual a ajuda de custo que será oferecida aos escritores e aos artistas participantes do projeto?
Resposta:
- Não haverá nenhuma ajuda de custo. O edital prevê apenas a divulgação das obras literárias.
Agradeci a informação, desliguei e fiquei pensando: puxa, será que se esqueceram de que escritores, atores e músicos tem gastos com transporte? Precisam comer, se vestir, e para isso trabalham...
Aos que pensam que devemos fazer tudo "por Amor à Arte", respondo: fazemos isso todos os dias, cada um do seu jeito - inclusive dentro da sala de aula! Mas, embora o Amor alimente, inverto aqui a (sempre atual) frase dos Titãs para lembrar que "a gente não quer só diversão e arte": comemos, pensamos - e, pior ainda, ainda nos arriscamos a questionar, por acreditar na construção conjunta (dialética, democrática) de um modelo efetivo de política cultural em nossa cidade.
Proponho aqui uma reflexão conjunta sobre as seguintes questões:
1) O que se entende por "valorização"?
(Tem a ver com "trabalhar por valor zero", ou talvez com o conceito de "meritocracia", tal como apresentado na proposta do plano de carreira para os servidores municipais?)
2) Especificamente, o que seria "valorização dos autores de livros residentes no município"?
3) Quais as chances de escritores e artistas serem chamados a contribuir na elaboração de futuras propostas municipais para as áreas de Educação e Cultura?
4) Existe algum risco desse "programa gratuito de valorização da literatura na base do amor à camisa" ser utilizado como peça de campanha política, uma vez que 2012, o ano previsto para implementação, é ano eleitoral?
Esclareço que não sou filiado a partido político e não proponho aqui uma discussão partidária. Por outro lado, como membro da Academia Joseense de Letras (AJL), tenho o dever de me posicionar, até porque a comissão avaliadora prevista no edital inclui a AJL.
Sei que o tempo de cada um de nós é valioso, então para ganhar tempo proponho alternativas:
1) Que tal um edital para formação de Estantes de autores joseenses em todas as escolas e bibliotecas municipais? A prefeitura pode avaliar e comprar os livros ou obras que considere de excelência para a formação educacional dos jovens da cidade.
(obs.: este ano já foram implantadas várias "cordeltecas joseenses" em municípios de SP e Paraná, com apoio do governo federal, porém é dada prioridade a municípios com baixo IDH, pois entende-se que cidades como São José dos Campos apresentam condições de bancar iniciativas semelhantes).
2) Outra proposta seria um Cadastro de artistas que se disponham a apresentar em escolas obras vinculadas à literatura, recebendo para isso um cachê adequado. Sei de muitos grupos joseenses que tem desenvolvido esse tipo de trabalho, independentemente da prefeitura, graças à sensibilidade de professores e diretores de escolas públicas e particulares. Mas é claro que seria bom contar com o apoio da administração municipal.
3) Futuros editais da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR) poderiam incluir especificamente uma categoria Literatura, voltada para criadores literários que apresentem propostas de atividades como palestras, encontros literários e rodas de leitura, atuando assim na difusão da literatura em nossa cidade.
Creio que muitas cabeças pensam (muito) melhor que uma. Assim, minha ideia com esse texto é apenas propor a abertura de um debate franco e democrático sobre a efetiva valorização da literatura e dos criadores artísticos em nossa região. Por favor, contribuam com ideias, questões, propostas...
Saudações cordelísticas,
Paulo Roxo Barja
21 de setembro de 2011
Matéria da TV sobre o Cine Teatro (Vanguarda News, set/2011)
Prezados,
Esta semana a TV Vanguarda colocou no ar a matéria feita sobre o Cine Teatro Benedito Alves, incluindo declarações de alguns dos (muitos) envolvidos na luta pela recuperação deste espaço cultural da nossa cidade - lembramos que essa é uma luta de todos nós enquanto cidadãos joseenses.
Na matéria, a prefeitura garante que, com apoio da iniciativa privada, o teatro será entregue (de volta) à população até o meio do ano que vem. Segue a ligação para o vídeo:
| Celso, Jacqueline e Paulo, em frente ao Cine Teatro |
A parte final da matéria apresenta um trecho do poema "A Seca da Alma", em que menciono os políticos que pensam no povo só quando chega a eleição...
tanto bate até que fura:
A Seca d´Alma é tão dura
quanto a Seca do Sertão"
Em seguida a jornalista conclui dizendo que "tá dado o recado" e que a TV vai cobrar o cumprimento da promessa de "teatro funcionando até o meio de 2012".
Nós também vamos cobrar o cumprimento dessa promessa!
18 de setembro de 2011
Pela Salvação do Cine Teatro
(ou "Pitadas de teatro-jornal", p.2)
Segue mais um material importante para o resgate da história de São José dos Campos na área cultural - em particular, no que se refere ao Cine Teatro Benedito Alves. Mais uma contribuição da historiadora e bailarina Eliete Santos:
Neste sábado, 17/09/2011, Cesar Pope e sua Rádio Aguapé deram o tom valeparaibano do "Playing for Change Day", celebrado com atividades em todo o mundo.
Durante as atividades na praça, Eliete me passou a matéria; aí, no meio da apresentação musical do (excelente!) Max Gonzaga, fui ao microfone, anunciei: "Pausa para uma notícia importante!" e fiz a leitura de trechos da matéria acima.
Só após a leitura, dei a informação: "Pessoal, essa matéria é de MARÇO DE 2003!"
Pra gente ver que essa luta vem de longe, e infelizmente ainda é atual...
(obs.: ressalto na foto a presença da querida Eva Sielawa, que acolheu a gente na vinda pra cá, pouco antes dessa matéria do ValeParaibano)
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5 de setembro de 2011
HISTÓRIAS DO CINE-TEATRO
Essa postagem pretende ser um gesto afetivo pela preservação da vocação histórica do Cine-Teatro Benedito Alves. Todos as pessoas que já se apresentaram no Cine-Teatro estão convidadas a deixar aqui um relato sobre alguma vivência importante que tiveram no Cine-Teatro.
Cada relato recebido será publicado como comentário a esta postagem, e depois podemos organizar uma leitura coletiva desses relatos afetivos.
Cada relato recebido será publicado como comentário a esta postagem, e depois podemos organizar uma leitura coletiva desses relatos afetivos.
Até o momento, já temos 13 relatos:
1) Wallace Puosso
2) Karina Muller
3) Sônia Gabriel
4) Eduardo Rennó
3) Sônia Gabriel
4) Eduardo Rennó
5) Edson Gory
6) Andréia Barros
7) Wagner Moloch
8) Kardec Gonzaga
9) Julio Saggin
10) Eliete Santos
11) Eva Sielawa
12) Cláudio Mendel
13) Santos Chagas
Compartilhe também seu relato!
6) Andréia Barros
7) Wagner Moloch
8) Kardec Gonzaga
9) Julio Saggin
10) Eliete Santos
11) Eva Sielawa
12) Cláudio Mendel
13) Santos Chagas
Compartilhe também seu relato!
Saudações,
P.Barja
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1 de setembro de 2011
Setembro
Setembro começou engajado por aqui:
- quinta à tarde, ato dos estudantes joseenses na Praça Afonso Pena contra o aumento abusivo dos políticos locais; em frente à Câmara, a moçada se juntou aos servidores municipais, em protesto contra o plano de carreira proposto pela prefeitura, que retira direitos dos trabalhadores;
- à noite, logo após a abertura do Festivale, ato na frente do Cine Teatro Benedito Alves, contra a proposta da prefeitura de, após sucatear o teatro, passá-lo para a iniciativa privada.
- quinta à tarde, ato dos estudantes joseenses na Praça Afonso Pena contra o aumento abusivo dos políticos locais; em frente à Câmara, a moçada se juntou aos servidores municipais, em protesto contra o plano de carreira proposto pela prefeitura, que retira direitos dos trabalhadores;
- à noite, logo após a abertura do Festivale, ato na frente do Cine Teatro Benedito Alves, contra a proposta da prefeitura de, após sucatear o teatro, passá-lo para a iniciativa privada.
Vários artistas passaram por lá - e a poesia esteve presente: Reginaldo & Zenilda, Cordéis Joseenses e a palavra utilitária do grande Moacyr Pinto, cujo poema "A São José do Mané" foi lido, ao megafone e à luz de velas, na escada do Cine Teatro.
"Todos juntos, somos fortes"
23 de agosto de 2011
Política pública, iniciativa privada, debate aberto
O Cine-Teatro Benedito Alves, em São José dos Campos, está num dos vários tópicos da Carta Aberta entregue por artistas da cidade a representantes da Prefeitura Municipal, Fundação Cultural Cassiano Ricardo e Câmara Municipal em novembro de 2010.
De acordo com matérias recentemente veiculadas na imprensa, o projeto anunciado pela prefeitura neste mês de agosto/2011 para remodelamento do centro da cidade inclui a entrega do Cine-Teatro à iniciativa privada, com a possível transformação num centro comercial.
Dada a relevância (histórica e até simbólica) do Cine-Teatro dentro de nossas discussões sobre Política Pública na área de Cultura, estou disponibilizando esta postagem para fomentar o debate sobre o tema também aqui na rede - e um debate público, aberto a todo e qualquer cidadão que queira se manifestar.
Escrevam! Todos os comentários serão publicados. Periodicamente atualizarei essa mesma postagem (para facilitar a consulta) com as notícias mais recentes veiculadas na imprensa sobre o tema.
PARA SABER MAIS:
18 de agosto de 2011
CARTA ABERTA - Sobre LIF e Fundo Municipal
(enviado em 19/08/2011 a membros do Conselho Deliberativo da FCCR)
Prezados conselheiros/secretaria/colegas artistas,
Como cidadão e artista, defendo a proposta apresentada por Jacqueline Baumgratz, suplente do Conselho Deliberavo da Fundação Cultural Cassiano Ricardo: mais urgente que discutir detalhes da LIF é criar imediatamente o Fundo Municipal para Arte e Cultura (FMAC).
Propomos, artistas e cidadão, e há anos, a criação do FMAC, por ser o mecanismo mais adequado para o incentivo à Cultura em nosso município (como em tantos outros que já utilizam com sucesso este mecanismo). Porque o FMAC permite a expressão livre, independente de qualquer exigência ou limitação eventualmente imposta pela iniciativa privada.
É importante deixar claro que não defendo aqui "o benefício da classe artística". A reivindicação pelo FMAC é amplamente respaldada pelo povo de nossa cidade - apoio registrado inclusive através de abaixo-assinado. E a voz do povo não pode ser ignorada.
Imagino que a comissão reunida para discutir a LIF esteja imbuída do melhor espírito de cidadania, de incentivo (não apenas "fiscal") à cultura. Assim, proponho que esta comissão, os conselheiros e a presidência da Fundação Cultural encampem e apoiem a criação do Fundo Municipal.
Aqueles que ainda desejam saber um pouco mais sobre a diferença entre LIF e FMAC podem consultar o link:
http://culturaemmovimento-sjcampos.blogspot.com/2010/12/cordel-cultura-pra-todo-mundo-de-paulo.html
Propomos, artistas e cidadão, e há anos, a criação do FMAC, por ser o mecanismo mais adequado para o incentivo à Cultura em nosso município (como em tantos outros que já utilizam com sucesso este mecanismo). Porque o FMAC permite a expressão livre, independente de qualquer exigência ou limitação eventualmente imposta pela iniciativa privada.
É importante deixar claro que não defendo aqui "o benefício da classe artística". A reivindicação pelo FMAC é amplamente respaldada pelo povo de nossa cidade - apoio registrado inclusive através de abaixo-assinado. E a voz do povo não pode ser ignorada.
Imagino que a comissão reunida para discutir a LIF esteja imbuída do melhor espírito de cidadania, de incentivo (não apenas "fiscal") à cultura. Assim, proponho que esta comissão, os conselheiros e a presidência da Fundação Cultural encampem e apoiem a criação do Fundo Municipal.
Aqueles que ainda desejam saber um pouco mais sobre a diferença entre LIF e FMAC podem consultar o link:
http://culturaemmovimento-sjcampos.blogspot.com/2010/12/cordel-cultura-pra-todo-mundo-de-paulo.html
(esperamos que a redação esteja clara; as 800 pessoas que receberam cópia impressa na Praça Afonso Pena em dezembro passado entenderam o recado)
Mais importante (e talvez até mais esclarecedor) é consultar as centenas de cidades de todo o Brasil que adotaram o modelo de Fundo Municipal para Arte e Cultura.
Cidades administradas sob diferentes bandeiras partidárias/políticas.
A verdade é as experiências verificadas nestes municípios provam que o modelo "LIF" não tem sido nem remotamente tão eficaz quanto o modelo "Fundo Municipal" no incentivo à Cultura.
Nossa cidade não pode (mais) perder tempo: avancemos rumo ao nosso tempo. É mais que hora de São José dos Campos ter um Fundo Municipal para Arte e Cultura.
Mais importante (e talvez até mais esclarecedor) é consultar as centenas de cidades de todo o Brasil que adotaram o modelo de Fundo Municipal para Arte e Cultura.
Cidades administradas sob diferentes bandeiras partidárias/políticas.
A verdade é as experiências verificadas nestes municípios provam que o modelo "LIF" não tem sido nem remotamente tão eficaz quanto o modelo "Fundo Municipal" no incentivo à Cultura.
Nossa cidade não pode (mais) perder tempo: avancemos rumo ao nosso tempo. É mais que hora de São José dos Campos ter um Fundo Municipal para Arte e Cultura.
Atenciosamente,
Paulo Barja, cidadão joseense.
31 de julho de 2011
Portal Macunaíma
Prezados,
incluí neste blog uma ligação para o Portal Macunaíma, que me parece um sítio bastante interessante e sério no que se refere às discussões sobre arte e política pública na área de cultura. Hoje mesmo publiquei um primeiro texto meu por lá. Dada a dica...
3 de julho de 2011
O artista cidadão
Sobre (des)organização e (falta de) apoio a cultura, quero dar um toque: acho que a coisa não é pessoal, não tem a ver com o tipo de trabalho nem com a cidade - infelizmente já tô quase achando que talvez não se resolva nem com o voto, apenas (claro que o voto ajuda, e muito). Perdão dizer isso, não quero parecer pessimista, mas escutem isso:
1) numa cidade de administração progressista próxima da gente, nos últimos 2 meses, 2 grupos de amigos nossos tiveram apresentações canceladas aparentemente por confusão de agenda (parece que marcaram mais de uma coisa no mesmo dia e local).
2) recebi recentemente contato de artistas se queixando do pouco espaço dado pela prefeitura - de uma capital do Nordeste! - às artes populares.
Diante disso, o que fazer? Legal a gente trocar ideias. Parece que é hora realmente de tentar unir experiências e forças, mas não necessariamente buscando confronto.
O essencial: NÃO precisamos ser reféns de nada, entendem? Esse ponto está no ar desde um debate ocorrido aqui e SJC ano passado e acho que talvez inda valha (muito) a pena falar sobre.
Artista é cidadão. A falta de respeito fundamental(ista) que nos assola hoje em dia nem é contra o artista: é contra o nordestino, o gay, o negro... e por aí afora. Então, o artista se insere dentro desse cordão de cidadãos comuns que busca respeito e justiça e que tem professores, comerciantes, faxineiras, feirantes, médicos, operários, jornaleiros etc etc.
Junto a gente fica forte: ninguém pode colocar uma classe ou etnia ou cidade ou estado ou país como refém.
Vamos trabalhar? Juntos?
"Pero sin perder la ternura jamás!", como disse Che (e continua dizendo, através da voz de muitos).
2) recebi recentemente contato de artistas se queixando do pouco espaço dado pela prefeitura - de uma capital do Nordeste! - às artes populares.
Diante disso, o que fazer? Legal a gente trocar ideias. Parece que é hora realmente de tentar unir experiências e forças, mas não necessariamente buscando confronto.
O essencial: NÃO precisamos ser reféns de nada, entendem? Esse ponto está no ar desde um debate ocorrido aqui e SJC ano passado e acho que talvez inda valha (muito) a pena falar sobre.
Artista é cidadão. A falta de respeito fundamental(ista) que nos assola hoje em dia nem é contra o artista: é contra o nordestino, o gay, o negro... e por aí afora. Então, o artista se insere dentro desse cordão de cidadãos comuns que busca respeito e justiça e que tem professores, comerciantes, faxineiras, feirantes, médicos, operários, jornaleiros etc etc.
Junto a gente fica forte: ninguém pode colocar uma classe ou etnia ou cidade ou estado ou país como refém.
Vamos trabalhar? Juntos?
"Pero sin perder la ternura jamás!", como disse Che (e continua dizendo, através da voz de muitos).
17 de março de 2011
Política Cultural - A verdade está no meio (artístico)
Segue aqui a "ligação direta" para a matéria publicada no jornal "O Vale", de São José dos Campos, em que comentamos algumas ações (e reações, às vezes exageradas) da nova Ministra da Cultura:
http://ovale.com.br/cmlink/o-vale/viver/falta-de-reforma-incomoda-no-minc-1.84012
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