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31 de agosto de 2013

Fácil assim

(mais um poema-letra-de-música-com-cara-de-coisa-do-Chico)


“sim”,
foi o que eu disse por fim
quando sorriste pra mim
à distância, ao telefone
e passei a noite insone
bruma e sal

não
não te livrarás de mim
não é tão fácil assim
sinto que é mesmo verdade
e não falo por vaidade
é real

vem
quero ser onda do mar
não há o que perdoar
quero mais agradecer
pelo sol que foi nascer
tarde enfim

vai,
delicadeza, criar
versos que eu possa levar
de presente na bandeja
pra dizeres “que assim seja”
seja assim

Paulo R. Barja

20 de dezembro de 2012

Soneto da delicadeza


 
Como levar-te, Amor, delicadeza?
Como fazer pra ver o teu sorriso?
Como saber do que mesmo eu preciso?
Como aparar - sem dor - qualquer rudeza?

Embalo em cores o teu dia-a-dia
... mas queres preto e branco? Tudo bem.
Não queres carro? Vou te ver de trem.
Não queres prosa? Levo-te poesia. 

Deixo dourar, no forno dos afetos,
fatias finas de verso integral
(a massa é clássica e os grãos, concretos); 

Delicadeza assim, medieval,
é como as asas de belos insetos:
por vezes tocam e não fazem mal.

(P.R.Barja)