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27 de janeiro de 2018

MÍDIA - PADRÕES DE MANIPULAÇÃO (2)


PERSONALIZAR, QUANDO É PARA VALORIZAR;
ESCONDER, QUANDO É PARA EVITAR DESGASTE

Esse truque é manjado: personaliza-se a notícia para valorizar o sujeito (Carmen Lúcia) quando cumpre as medidas exigidas por essa mídia; no entanto, esconde-se o sujeito atrás de siglas quando se deseja preservar o mesmo de eventual desgaste com ação que mostre impunidade (ou qualquer outro gesto compreendido como "condenável pelo público")

1 de agosto de 2014

O Método do Grande Irmão


Agosto - mês de cachorro louco, dizem alguns  -se aproxima. E eis que a CCR Nova Dutra adota o método 1984: anuncia o aumento dos pedágios... SEM utilizar a palavra “aumento”! Nem sequer o termo “reajuste” é mencionado.
O informativo (fartamente) distribuído aos motoristas (em cada um dos muitos pedágios da Via Dutra) diz apenas que “passam a vigorar novas tarifas de pedágio da Rodovia Presidente Dutra”. Lança, em seguida, um singelo convite à população:
“Conheça os valores das tarifas: ...”
Imagino que os próximos comunicados sobre aumento no valor do pedágio falarão de “redução com sinal trocado”. Num estágio mais avançado de desfaçatez, talvez cheguem a festejar a “ótima notícia: valores mais adequados para o pedágio”!
Não é novidade: na sociedade descrita por George Orwell no livro 1984 (escrito em 1948), simplesmente altera-se o registro do passado, para cercear qualquer possibilidade de análise crítica. Deste modo, por exemplo, um aumento de R$2,50 para R$2,70 pode ser anunciado como:
“Ótima notícia! Alteração do pedágio para o valor reduzido de R$2,70”
As pessoas, nesse caso, seriam levadas a crer que houve um decréscimo em vez de um aumento, pois o valor antigo seria alterado em todos os registros para parecer que houve uma queda, digamos, de R$3 (valor fictício) para "apenas R$2,70".
Estejamos atentos.
31/julho/2014

9 de maio de 2014

ALERTA! PERIGO! Reescrevendo o mestre

Faço aqui uma provocação consciente aos leitores/escritores, a partir da notícia (!) de que Machado de Assis (!!) está sendo "reescrito de modo simplificado" (!!!) por uma escritora, com apoio governamental. Claro que o que verão abaixo é uma radicalização do processo, mas fica o alerta para que não se torne realidade uma profecia expressa por George Orwell no livro "1984" (de 1948). Esse autor dizia que até 2050 não restará mais vestígio das obras de Shakespeare e outros mestres, pois tudo teria sido reduzido e simplificado até lá. Que medo!


2 de março de 2014

Para debater livros, cultura e memória - I

Esta postagem visa apresentar trechos do livro Não contem com o fim do livro (RJ: Record, 2010), de Umberto Eco, Jean-Claude Carrière e Jean-Philippe de Tonnac. Nosso intuito é, a partir disso, fomentar o debate sobre livros, tecnologia e memória, dentro e fora da sala de aula.


"O que chamamos Cultura é na realidade um longo processo de seleção e filtragem. Coleções inteiras de livros, pinturas, filmes, HQs, objetos de arte foram assim açambarcadas pela mão do inquisidor, ou desapareceram nas chamas, ou se perderam por simples negligência. Era a melhor parte do imenso legado dos séculos precedentes? Era a pior? Nesse domínio da expressão criadora, recolhemos as pepitas ou a lama?"  -  J.P.Tonnac

"Sempre que surge uma nova técnica (...) ela se pretende orgulhosa e única (...) como se preparasse para varrer tudo que a precedeu (...) ao passo que, na realidade, é o contrário que acontece. A técnica não é de forma alguma uma facilidade."  -  J.C.Carrière

Nada mais efêmero do que os suportes duráveis - Este é um dos temas centrais do livro (e título de um capítulo). A incessante aceleração da produção de novidades tecnologias leva a chamar de obsoleto algo que era novo "no trimestre anterior". 
   O problema se aplica até mesmo às coisas mais banais. Anos atrás, sob o título "Vale a Pena Ver de Novo", uma emissora de TV reprisava telenovelas de décadas passadas. Agora as novelas reprisadas são aquelas produzidas 3 ou 4 anos atrás. São as novas antiguidades!
   Por sinal, enquanto compilo estas notas, acabo de jogar no lixo 2 cds que se tornaram obsoletos em menos de 5 anos: traziam softwares irremediavelmente ultrapassados.

(J.C.Carrière, in "Não contem com o fim do livro",
RJ: Record, 2010)

- Se agora dispomos de tudo sobre tudo, sem filtragem, de uma soma ilimitada de informações acessíveis em nossos monitores, (...) o que nos restará para conhecer? (...) O que devemos aprender ainda? (Carrière)
- A arte da síntese. (Eco)

Segundo Eco, caminhamos rapidamente para o ponto em ninguém mais será confiável. Isso porque todos poderão ter feito suas publicações baseados ao menos parcialmente na internet, que mistura verdades e mentiras com a mesma profusão: "Tudo ficará "sujeito à confirmação".


"O saber é tudo com que somos entupidos e que nem sempre tem uma utilidade. O conhecimento é a transformação de um saber numa experiência de vida. (...) Só nos resta - que consolo - a inteligência"  -  J.C.Carrière