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17 de outubro de 2014

"Que fim levou Samanta Miller?" (lançamento do livro)


   No próximo dia 23 de outubro, às 19h, teremos o lançamento do livro "Que fim levou Samanta Miller?" - o evento integra a programação do Encontro Latinoamericano de Iniciação Científica e Pós-Graduação, realizado anualmente na UNIVAP, em São José dos Campos. 
   O livro é um projeto realizado em conjunto com alunos da FCSAC/UNIVAP e tenho utilizado o termo "pulp fiction universitária" para descrever a produção. Espero que curtam! 


29 de agosto de 2014

whatsapp (conto curto)


     Ela andava triste, cabisbaixa, quando ouviu que a chamavam. Levantou o rosto e olhou para seu interlocutor, que perguntava:
   – Ei, o que houve? Por que está desse jeito? Sua beleza anda opaca...
   – Foi o resto da vida inteira que me fez assim. Agora, quase não durmo. Quando deito, ele vem me visitar...
   – Ele quem?
   – O demônio.
     Ela não teria dito isso se não tivesse percebido que o rapaz tinha asas.
   – Ah, que bobagem... Carpe Diem... aproveite o dia! O demônio tem medo de gente alegre.
    Ele abriu então as asas – eram imensas – e esticou a mão para ela. Voaram juntos. E dançaram, sorriram... foram felizes. Quando ele a deixou em casa (pela janela!), a moça emanava luz. Deitou-se e dormiu imediatamente.
     Naquela noite, quando o demônio se aproximou da cama, ela só abriu um olho e disse: BU!! E isso, esse simples “BU!!” impregnado de alegria brincalhona, assustou tanto o demônio que ele nunca mais voltou.

Paulo R. Barja

20 de maio de 2014

Dinâmica (Construção de narrativas e textos): Manchetes Self Service

Dando sequência às dinâmicas da disciplina "Construção de Narrativas e Textos Literários" (Jornalismo/FCSAC/UNIVAP), os alunos trabalharam em grupos para criar "manchetes self service" que serviriam de base para a criação posterior de textos curtos. 
Seguem as "finalistas" da dinâmica (foram produzidas cerca de 25 manchetes no total):


9 de maio de 2014

ALERTA! PERIGO! Reescrevendo o mestre

Faço aqui uma provocação consciente aos leitores/escritores, a partir da notícia (!) de que Machado de Assis (!!) está sendo "reescrito de modo simplificado" (!!!) por uma escritora, com apoio governamental. Claro que o que verão abaixo é uma radicalização do processo, mas fica o alerta para que não se torne realidade uma profecia expressa por George Orwell no livro "1984" (de 1948). Esse autor dizia que até 2050 não restará mais vestígio das obras de Shakespeare e outros mestres, pois tudo teria sido reduzido e simplificado até lá. Que medo!


6 de maio de 2014

Dinâmica (Construção de narrativas e textos): Notícia Self Service


Uma brincadeira interessante para estimular a criação de narrativas originais (e até surpreendentes) consiste em recortar um jornal e montar uma narrativa (ou uma nova matéria) a partir dos trechos recortados. Aqui, estamos exercitando uma espécie de edição criativa e explicitando (por exagero) um padrão de manipulação da imprensa - a fragmentação. Neste caso, porém, a finalidade é criar novas possibilidades narrativas, explorando a criatividade. Eis um exemplo: 


1 de abril de 2014

Dinâmica (Construção de Narrativas e Textos): FOTO NARRATIVA

O trabalho a seguir é um exemplo da dinâmica que exercitamos em sala de aula sob o título "Foto Narrativa". A proposta era escolher uma foto antiga e escrever uma crônica ou conto curto a partir da imagem.
P.Barja


15 de março de 2014

Para debater livros, cultura e memória - III

Última parte da coletânea de trechos curtos do livro Não contem com o fim do livro (RJ: Record, 2010), de U.Eco, J.C.Carrière e J.P.Tonnac, para fomentar o debate sobre cultura, livros, tecnologia e memória, dentro e fora da sala de aula.


"O Mahabharata é a primeira obra escrita. A história moderna do livro também começa com uma bíblia."
(J.C.Carrière)




"Atravessamos uma época complexa, incerta, em que o primeiro dever de todos, sem dúvida, na medida do possível, é estimular as trocas entre os saberes, as experiências, os pontos de vista, as esperanças, os projetos."
(J.C.Carrière)

12 de março de 2014

Folhetim & Pulp Fiction




Pulp fiction: ficção de "polpa", ou seja, de papel barato. Literatura publicada em papel jornal, para ser lida, curtida e esquecida no dia seguinte (quando ainda serviria para embrulhar peixe). Cultuada no início do século XX nos Estados Unidos, proliferou para outros países e deu origem a toda uma linha de quadrinhos e de literatura policial noir.

Hoje podemos dizer tranquilamente que a pulp fiction acabou indo bem além do que esperavam seus criadores. Além de tema de estudo, a pulp fiction vem sendo homenageada por gente de diversas áreas, como Quentin Tarantino (no cinema, com os filmes Pulp Fiction e Kill Bill) e Alan Moore (nos quadrinhos, com a Liga Extraordinária), entre outros.

folhetim está para a novela
assim como
pulp fiction para as HQs e séries de TV
- de fato, a origem das HQs está ligada à pulp fiction das primeiras décadas do século XX, a tal ponto que podemos chamar de pulp fiction essas histórias de heróis mascarados (citemos o mestre Will Eisner e seu impagável Spirit, recentemente ressurgido pelas mãos de alguns dos grandes escritores e desenhistas atuais).

Em sala, fizemos uma ponte entre a pulp fiction americana (em que prevaleciam as histórias policiais e de ficção científica) e o folhetim brasileiro, responsável pela multiplicação das tiragens de jornais brasileiros (principalmente com as tramas amorosas publicadas por uma certa Suzana Flag nos anos 40 e 50):

Curiosidade: esta edição antiga de "Meu Destino é Pecar" estava catalogada
como obra de Suzana Flag no sebo, a R$8 (claro que eu comprei).
Em outra estante do MESMO sebo, uma edição mais nova estava catalogada
como obra de Nelson Rodrigues - e à venda por R$35!

2 de março de 2014

Para debater livros, cultura e memória - I

Esta postagem visa apresentar trechos do livro Não contem com o fim do livro (RJ: Record, 2010), de Umberto Eco, Jean-Claude Carrière e Jean-Philippe de Tonnac. Nosso intuito é, a partir disso, fomentar o debate sobre livros, tecnologia e memória, dentro e fora da sala de aula.


"O que chamamos Cultura é na realidade um longo processo de seleção e filtragem. Coleções inteiras de livros, pinturas, filmes, HQs, objetos de arte foram assim açambarcadas pela mão do inquisidor, ou desapareceram nas chamas, ou se perderam por simples negligência. Era a melhor parte do imenso legado dos séculos precedentes? Era a pior? Nesse domínio da expressão criadora, recolhemos as pepitas ou a lama?"  -  J.P.Tonnac

"Sempre que surge uma nova técnica (...) ela se pretende orgulhosa e única (...) como se preparasse para varrer tudo que a precedeu (...) ao passo que, na realidade, é o contrário que acontece. A técnica não é de forma alguma uma facilidade."  -  J.C.Carrière

Nada mais efêmero do que os suportes duráveis - Este é um dos temas centrais do livro (e título de um capítulo). A incessante aceleração da produção de novidades tecnologias leva a chamar de obsoleto algo que era novo "no trimestre anterior". 
   O problema se aplica até mesmo às coisas mais banais. Anos atrás, sob o título "Vale a Pena Ver de Novo", uma emissora de TV reprisava telenovelas de décadas passadas. Agora as novelas reprisadas são aquelas produzidas 3 ou 4 anos atrás. São as novas antiguidades!
   Por sinal, enquanto compilo estas notas, acabo de jogar no lixo 2 cds que se tornaram obsoletos em menos de 5 anos: traziam softwares irremediavelmente ultrapassados.

(J.C.Carrière, in "Não contem com o fim do livro",
RJ: Record, 2010)

- Se agora dispomos de tudo sobre tudo, sem filtragem, de uma soma ilimitada de informações acessíveis em nossos monitores, (...) o que nos restará para conhecer? (...) O que devemos aprender ainda? (Carrière)
- A arte da síntese. (Eco)

Segundo Eco, caminhamos rapidamente para o ponto em ninguém mais será confiável. Isso porque todos poderão ter feito suas publicações baseados ao menos parcialmente na internet, que mistura verdades e mentiras com a mesma profusão: "Tudo ficará "sujeito à confirmação".


"O saber é tudo com que somos entupidos e que nem sempre tem uma utilidade. O conhecimento é a transformação de um saber numa experiência de vida. (...) Só nos resta - que consolo - a inteligência"  -  J.C.Carrière

1 de março de 2014

Fábula (definições)

(Sobre este gênero literalmente milenar, seguem algumas breves definições, com a sugestão de que se procure outras mais, para análise crítica:)


Texto extraído da Wikipedia


Texto extraído de "Fábulas de La Fontaine",
v.1, SP: Editora Escala, s/d.


Texto extraído de "A Cigarra e a Formiga",
Cordel de Manoel Monteiro,
Cordelaria Manoel Monteiro, 2009

"Fábula: conto mágico e maravilhoso,
que em geral fala de reis de países desconhecidos"
- Ítalo Calvino, no prefácio do livro Fábulas Italianas
(SP: Companhia das Letras, 1989)