19 de julho de 2011

Diário de um processo (3) - Teatro-cordel

     (...)
     Nas reuniões, comecei a falar para o pessoal sobre Leandro Gomes de Barros, que a meu ver era referência fundamental para nosso trabalho. Trouxe alguns textos dele para a roda e acabamos selecionando pra estudo o folheto "A Seca no Ceará", publicado pouco após a terrível Seca de 1915. Em nosso caso, no entanto, o cordel do mestre Leandro serviria para descrever e contextualizar as agruras referentes a um outro momento histórico, que nos interessava em particular: a Seca de 1932, também no Ceará.
     Começamos a ler sobre a Seca de 1932. De cara, dois impactos: o primeiro foi perceber o tanto de História do Brasil que NÃO se ensina/aprende nas escolas. O segundo: quanta opressão, quanto descaso das autoridades frente ao povo, quanto preconceito, quantas divisões forjadas, forçadas, num povo que deveria estar unido... Os trabalhadores rurais, na época da seca, chegando em Fortaleza apenas com a roupa do corpo (os que tinham roupa) e sendo deslocados para campos de concentração - sim, campos de concentração!
     Que sensação estranha: ficar revoltado - profundamente revoltado - por algo que aconteceu há quase 80 anos, e a centenas de quilômetros de distância...!
     Mas esse povo é também o nosso povo. Essa história é também a nossa história.
     Havia a dúvida: qual o sentido de falar disso aqui, agora? Pra mim, de cara, havia o interesse de compartilhar essas histórias com outras pessoas daqui que, como eu, talvez ainda não soubessem. Mas logo vimos que há mais que isso. 
     Essa história da seca é também a história dos nordestinos que foram levados a "viajar para o Sul" (viajar para SP ou para o RJ também é "viajar para o Sul", no jargão da migração) para buscar trabalho e que, chegando aqui, foram e ainda são vítimas do preconceito - a verdadeira "seca da alma".
     Começamos a coletar depoimentos de nordestinos que vieram para cá - relatos ao vivo e/ou via internet. Percebemos que essa é uma trilha que vai longe, e um caminho riquíssimo de pesquisa.

(continua)

18 de julho de 2011

Diário de um processo (2) - Teatro-cordel

     (...)
     Enfim, foi-se formatando uma primeira ideia: amarrar os poemas com música e encerrar fazendo a leitura de notícias atuais sobre os problemas sociais ligados aos temas do espetáculo.
     Nessa altura fiquei sabendo que a moçada tinha inscrito o trabalho (?!?!) numa mostra de teatro. Muita empolgação: afinal, ainda estávamos pensando o espetáculo! Enfim, ok, vamos lá...
     Começamos a trabalhar a parte musical. Já havia alguma percussão, mas faltava algo - que envolvesse a voz e ao mesmo tempo não se afastasse do sertão. Eu queria flauta (flauta e percussão é uma combinação que funciona bem desde a Idade Média, e o sertão tem algo de medieval), mas sabia que não seria possível em pouco tempo.
     Aí recebemos um reforço importante: a Anne! E, junto com a chegada dela, pintou a ideia de colocar viola no espetáculo. E, com a viola, nasceu a música para abertura (e encerramento?) da apresentação: "Vida é pra celebrar". Na letra, uma espécie de "declaração de intenções" do grupo:

Vida é pra celebrar
Paulo Barja

A gente não veio aqui
pra fazer número não:
a gente veio cantar
a gente veio contar

Vida é pra celebrar
mesmo a mais pequenina
morte e vida severina
no sertão e na campina
vida mãe, vida menina
Vida é pra celebrar

Não vai nos assustar o bico do carcará (2x)

Vida é pra celebrar
mesmo a mais pequenina
morte e vida severina
no sertão e na campina
vida mãe, vida menina
Vida é pra celebrar

Não vai nos assustar o bico do carcará (2x)

Vida é pra celebrar (4x)
(continua)

17 de julho de 2011

Vertical

(texto originalmente produzido para espetáculo de dança da Academia Sueli Maia)

cada movimento
sob a lei da gravidade
tem uma componente vertical

cada pirueta,
cada passo que se inventa
e até um salto quase horizontal

um cientista inglês*.
comentando como fez
pra explicar o que não se entendia antes,
disse que, pra dar o salto,
precisou subir bem alto,
apoiando-se nos ombros de gigantes.

*Isaac Newton

11 de julho de 2011

Cordel na Estante

Boas notícias:
1) estou terminando agorinha de cadastrar os Cordéis Joseenses na Estante Virtual (
http://www.estantevirtual.com.​br/paulobarja )
... e ...
2) acaba de chegar a primeira encomenda...!
Vamos levar nossas histórias pra novos lugares...!

9 de julho de 2011

Lírica praiana


Depois de muito tempo, volto a caminhar pela praia de Santos.
É uma sensação de Adélia, só que diante do mar: epifania na praia.
E um sentimento transoceânico, de Alberto Caeiro:
nenhum poema, nenhuma canção, nenhum discurso
poderá dizer tanto quanto esse caminhar, silencioso.

Escolhendo as bandeiras

Prezados, tomo a liberdade de difundir aqui neste blog a mensagem recebida do querido Moacyr Pinto. Trata-se de uma bandeira que realmente diz respeito a cada um de nós, como cidadão. E hoje, com essa multiplicidade de bandeiras a favor disto ou contra aquilo, é importante ter a objetividade de escolher nossas bandeiras. Que sejam as lutas gerais, muito mais que as particulares ou partidárias. Segue o texto do Moacyr:

QUEM SAMBA FICA, QUEM NÃO SAMBA VAI EMBORA
Companheiros(as),
Coerente com alguns debates - sobre política e mentalidades - que venho tentando propor, na esteira das importantes provocações que o professor Emir Sader tem feito, especialmente no seu blog hospedado na http://www.cartamaior.com.br/, repasso a matéria publicada pelo http://www.abcdmaior.com.br/, relativa à manifestação feita pelos metalúrgicos do ABC e da capital, no dia de ontem (...).
Para mim, o Brasil também poderá sair na frente também no quesito "indignação" da juventude, se ela sair da mera manifestação anti-políticos e da anti-política, de forma genérica e moralista (oriunda nas tais "classes médias" sem rosto e muitas vezes manipuladas por quem está perdendo a disputa política-partidária no país) e eleger bandeiras classistas, em consonância com os interesses nacionais e da maioria, por isso, clara e firmemente contra os interesses dos especuladores (locais e internacionais), dos entreguistas, dos privatistas etc.
Quem de nós não sabe quem são os verdadeiros inimigos, que nunca nos mandaram flores?
É isso aí, nunca me cansei de dizer (e cobrar) que o Movimento Sindical ainda é/pode ser um grande ator político nesse país. Ninguém melhor do que o ABC e a CUT para sair na frente e provar na prática que isso é possível! Não é mesmo?
Como já disse o poeta e também o velho revolucionário:
QUEM SAMBA FICA, QUEM NÃO SAMBA VAI EMBORA!
Um abraço a todos(as),
Moacyr Pinto

Metalúrgicos do ABCD e da Capital param Anchieta em defesa do emprego
Por: Felipe Rodrigues  (felipe@abcdmaior.com.br)
METALÚRGICOS PARAM VIA ANCHIETA PARA LUTAR CONTRA IMPORTAÇÕES
- Mobilização reuniu 30 mil trabalhadores.
- Líderes sindicais esperam que reunião com o governo federal possa ocorrer na próxima semana
Os trabalhadores metalúrgicos do ABCD iniciaram por volta das 6h da última sexta-feira (08/07), em São Bernardo e São Caetano a concentração para uma mobilização intitulada como  defesa do emprego e da produção.
Os 13 mil metalúrgicos da Mercedes-Benz, de São Bernardo, entraram por volta das 7h40 na avenida Trinta e Um de Março, no Bairro Paulicéia e seguiram pelas três faixas da avenidas até a Mahle, onde encontraram aproximadamente mil trabalhadores da empresa. Os sindicalistas entraram na avenida Taboão, no Bairro Taboão, por volta das 8h34 e seguiram em direção até a montadora norte-americana Ford, onde se encontraram com outros sete mil trabalhadores.
Após se juntarem, os metalúrgicos seguiram em frente pela avenida Taboão e desembocaram na pista da Via Anchieta sentido Santos, mas o destino não era o litoral e sim encontrar os trabalhadores da Capital no Km12 da Anchieta.
A manifestação metalúrgica perdurou por aproximadamente uma hora e fechou a Via Anchieta durante a manhã inteira. Com apoio da policiais militares e rodoviários, a mobilização ocorreu de forma segura e não provocou nenhum dano na Capital e também no ABCD.

6 de julho de 2011

Diário de um processo (1) - Teatro-cordel

Escrevo aqui guiado pela vontade de compartilhar e deixar registrado um processo de trabalho que está sendo iniciado com a Cia Independente de Teatro. Meio difícil de definir - vamos chamar de "teatro-cordel". Está no início mas já se configura como um processo (internamente, ao menos) revelador e instigante. Nestes primeiros escritos vou tentar dar um panorama da história até agora; mais pra frente, a ideia é fazer uma espécie de diário de criação.

O ponto de partida
Na última semana de abril, recebi um telefonema do Osni (que eu não conhecia até então). Era sobre uma proposta de trabalho com literatura de cordel, queriam que eu visse e "desse uma força".
Fui. Num teatro escondido, quase abandonado, ouvi o trio (Silvia Galter e Mariana Alpino estavam com ele) recitar o poema "A Morte de Nanã", do Patativa do Assaré - que, diga-se de passagem, não é exatamente um cordelista, né Arievaldo? Na ocasião, entendi que a ideia era ajudar a organizar uma espécie de performance poética e musical que pudesse ser levada a diversos ambientes.
Dei uns toques quanto à leitura/declamação, os aspectos rítmicos, a divisão de frases, momentos de pausa etc. Foi um primeiro contato agradável.
Logo em seguida, fui viajar. Duas semanas depois, o poema estava melhor e começamos a trabalhar nas músicas que o grupo propunha apresentar. À medida que o repertório ia se definindo (a música do Almir Sater acabou saindo), clareava-se na gente a magnitude do tema central: a seca no Nordeste.

Tchekhov em BH
Em seguida, fui com Adriana, Bebel e amigos para BH. Acampamos na casa (melhor ainda: na biblioteca!) da Inês e do Eduardo (Grupo Galpão). Vimos a montagem do Galpão para Tio Vânia, do Tchekhov. Belíssimo trabalho! Algumas coisas ficaram "martelando" na minha cabeça... a principal: bons textos são atemporais. Porque trazem, ainda que naturalmente inseridas num determinado contexto histórico, questões grandes, fundamentais ainda hoje.
Falar de opressão bem que poderia ser algo ultrapassado... mas não é.

Carcará e as estatísticas
De volta a SJC, as reuniões semanais continuavam. Começamos a pesquisar mais sobre a Seca de 1932 no Ceará. Neste ponto, veio à tona uma referência básica e fundamental: Bethânia cantando Carcará, na década de 60, e "recitando" brilhantemente as estatísticas da migração. Aí surgiu uma ideia de pesquisa: vamos investigar as estatísticas ATUAIS do Nordeste brasileiro, em termos de problemas como o analfabetismo e a mortalidade infantil? Fomos. E aí começou a batalha da edição das notícias (e das estatísticas do IBGE), para que pudéssemos inserir no trabalho alguns destes resultados. Começava a ganhar corpo aí a vontade de falar da vida dos nossos irmãos nordestinos para o pessoal daqui.

(continua)

4 de julho de 2011

Oração com sentimento budista

Que Deus me dê
a pureza de um recém-nascido,
a energia de uma criança de 10 anos,
o sentimento de um adolescente de 15
e a mente eternamente aberta para aprender.

PRBarja

3 de julho de 2011

O artista cidadão


     Sobre (des)organização e (falta de) apoio a cultura, quero dar um toque: acho que a coisa não é pessoal, não tem a ver com o tipo de trabalho nem com a cidade - infelizmente já tô quase achando que talvez não se resolva nem com o voto, apenas (claro que o voto ajuda, e muito). Perdão dizer isso, não quero parecer pessimista, mas escutem isso: 
1) numa cidade de administração progressista próxima da gente, nos últimos 2 meses, 2 grupos de amigos nossos tiveram apresentações canceladas aparentemente por confusão de agenda (parece que marcaram mais de uma coisa no mesmo dia e local).
2) recebi recentemente contato de artistas se queixando do pouco espaço dado pela prefeitura - de uma capital do Nordeste! - às artes populares.
     Diante disso, o que fazer? Legal a gente trocar ideias. Parece que é hora realmente de tentar unir experiências e forças, mas não necessariamente buscando confronto.
     O essencial: NÃO precisamos ser reféns de nada, entendem? Esse ponto está no ar desde um debate ocorrido aqui e SJC ano passado e acho que talvez inda valha (muito) a pena falar sobre.
     Artista é cidadão. A falta de respeito fundamental(ista) que nos assola hoje em dia nem é contra o artista: é contra o nordestino, o gay, o negro... e por aí afora. Então, o artista se insere dentro desse cordão de cidadãos comuns que busca respeito e justiça e que tem professores, comerciantes, faxineiras, feirantes, médicos, operários, jornaleiros etc etc.
     Junto a gente fica forte: ninguém pode colocar uma classe ou etnia ou cidade ou estado ou país como refém.
     Vamos trabalhar? Juntos?
   "Pero sin perder la ternura jamás!", como disse
Che (e continua dizendo, através da voz de muitos).

2 de julho de 2011

Abaixo o preconceito!

     Hoje recebi um email extremamente preconceituoso - desses que não se pode deixar sem resposta. A pessoa conclama os seus leitores a combater o movimento gay... pode isso? E gasta parágrafos com afirmações "pseudo-cristãs" (sim, porque sou cristão e não me reconheço ali de modo algum).
     Respondo aqui como cristão que sou. Mas deixo claro que respeito seguidores de todas as religiões, sem distinção. São todos meus irmãos na humanidade (por sinal, impossível não lembrar do Lennon cantando "Imagine there´s no heaven..." - o cara sabia das coisas).
     Acho INACEITÁVEL difundir o preconceito através de emails covardes, que distorcem as informações. Devemos lutar sim, mas pela LIBERDADE de afeto e de expressão. Sou cristão e apoio totalmente o respeito INCONDICIONAL ao meu semelhante, seja ele/ela heterossexual ou homossexual. 
     Não faz muito tempo e o mundo condenava os negros. Foi uma batalha de muito tempo para tentar vencer esse preconceito. Cristão não pode distinguir o próximo, seu semelhante, pela etnia. 
     Não faz muito tempo e o mundo negava os direitos das mulheres. Foi preciso muita luta para fazer com que se reconhecesse os direitos femininos. 
     O embate "gays x cristãos" é totalmente falso, pois NÃO existe real oposição entre uns e outros. 
     As pessoas precisam aprender a conviver com o diferente. Desde cedo. 
     O diferente não é pior, não é melhor: é diferente. Termino dizendo, como a pessoa que me mandou o email preconceituoso, "passem adiante". Mas, ao contrário dessa pessoa, não acho que "Deus vai à nossa frente". Não! Ele está no meio de nós.

29 de junho de 2011

Vamos Maninha Vamos

Há poucos dias, viajei levando os Cordéis Joseenses e um pouco de música folclórica brasileira pra gente do Vale do Ribeira. Numa praça lá em São Lourenço da Serra, lembrei de uma música que eu ouvia quando era pequeno e cantei:

"Vamos Maninha Vamos..."

 O prof. Jansen (obrigado, professor!) filmou:

Teatro-cordel, uma trilha que se inicia

Estreou esta semana, dentro da Mostra Joseense de Cultura, o espetáculo "A Seca da Alma", da Cia Independente de Teatro. Trata-se da nossa incursão inicial no que estamos chamando de "teatro-cordel". Foi apenas uma primeira versão do trabalho, há muito o que melhorar... mas estamos felizes nessa estrada!

"Não vai nos assustar / o bico do carcará"

Súplica


Notícias atuais, problemas seculares

O grupo, durante o debate no CET
Agradeço aos queridos Anne, Mariana, Osni e Silvia pela parceria que tanto tem me inspirado. Vamos em frente, meu povo!

27 de junho de 2011

Simples, como Adélia

Há pouco, atendi o telefone.
Era um senhor que não conheço.
Estava procurando músico para as Bodas de Ouro
que completa com a esposa 

ano que vem.
E me pareceu tão gentil, delicado, dedicado
(assim como ela, disso tenho certeza)
que não me contive e disse a ele:
Parabéns! Felicidades!


E ele nem sabe que deixou meu dia mais bonito.

18 de junho de 2011

Ligação

Prezados,
a partir de hoje, a seção "Visite também" deste blog tem uma ligação para a página do grupo de discussão sobre o Fundo Municipal de Cultura de São José dos Campos (e política cultural de modo geral):

12 de junho de 2011

Ninguém sabe o que é amor

A primeira vez que me apresentei num sarau em que o poema abaixo foi dito, eu tinha 14 anos - e não sabia o que era amor. Agora, tanto tempo depois, eu sei... que o poema é maravilhoso! Vai aqui um trecho desse poema de mais de 200 atrás (para provar que tem coisas que nunca ficam arcaicas), em homenagem ao dia dos namorados:

O QUE É AMOR
(Domingos Caldas Barbosa, 1740-1800)

Levantou-se na cidade
um novo e geral clamor;
todos contra o amor se queixam,
ninguém sabe o que é amor.

Dizem uns que ele é doçura
outros dizem que ele é dor;
não lhe acertam nome próprio,
ninguém sabe o que é amor.

Que importa que alguém presuma
nestas cousas ser doutor,
se ele ignora como os outros?
Ninguém sabe o que é amor.

Amor é uma ciência
que não pode haver maior,
pois por mais que o amor se estude,
ninguém sabe o que é amor.

Em mil formas aparece
o menino encantador;
inda assim não se conhece...
Ninguém sabe o que é amor.

Ao valente faz covarde,
ao covarde dá valor;
como é isto não se sabe,
ninguém sabe o que é amor.


Choram uns o seu desprezo,
outros cantam seu favor,
de amor choram, de amor cantam...
Ninguém sabe o que é amor.

A uns faz gelar de susto,
noutros causa um doce ardor;
não se sabe a qualidade,
ninguém sabe o que é amor.

Amor tem um ser divino,
não tem forma, corpo ou cor,
sente-se mas não se vê...
ninguém sabe o que é amor.

8 de junho de 2011

Todas as cartas de amor...


Textos de Carlos Abranches, Dyrce Araújo, Paulo Barja,
Braga Barros, Santos Chagas, Sônia Gabriel, Zenilda Lua
& Fernando Selmer


3 de junho de 2011

Broa de milho

Sonho com uma broa.
Não vejo nenhuma aqui...
mas seu gosto já está dentro de mim.

2 de junho de 2011

Amor Dito - Dia 11, no SESC SJC

Aviso aos navegantes apaixonados:
Além das cartas de amor, levarei sonetos...
todos estão convidados!

26 de maio de 2011

Trabalho novo enche a gente de energia

Só uma passagem breve por aqui, pra registrar a alegria por estar orientando um trio de jovens (Silvia, Mariana e Osni) interessados em trabalhar com poesia-teatro-cordel.
Fase de leituras, estudos, troca de ideias: efervescência que sempre faz bem...!

25 de maio de 2011

Evento - Serviço Social

Prezados, estão todos convidados para o evento na Faculdade de Direito da UNIVAP, que terá mímica, música, poesia e a alegria do encontro de tanta gente boa carregando a bandeira da paz e do amor pra essa nossa sociedade. É nessa sexta!

Patrono

Definido o patrono da cadeira n.16 da Academia Joseense de Letras: trata-se do paraibano

LEANDRO GOMES DE BARROS

Para saber mais sobre o poeta mais importante da história do cordel brasileiro, nascido em 1865, basta uma pesquisa rápida que pode ser feita na internet ou nas feiras populares e ruas de terra nordestina. Mas gostaria de destacar aqui ao menos duas frases de uma crônica escrita pelo grande Carlos Drummond de Andrade - que não tinha medo de dizer as coisas:
“Em 1913, certamente mal informados, 39 escritores, de um total de 173, elegeram por maioria relativa  Olavo Bilac príncipe dos poetas brasileiros.  Atribuo o resultado a má informação porque o título, a ser concedido, só podia caber a Leandro Gomes de Barros, nome desconhecido no Rio de Janeiro (...) mas vastamente popular no norte do país (...)
(Leandro) não foi príncipe de poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão e do Brasil em estado puro”.

16 de maio de 2011

Santos - Campeão Paulista 2011


HINO OFICIAL DO SANTOS F.C.
(Carlos Henrique Roma)

Sou alvinegro da Vila Belmiro
O Santos vive no meu coração
É o motivo de todo o meu riso
De minhas lágrimas e emoção

Sua bandeira no mastro é a história
De um passado e um presente só de glórias
Nascer, viver e no Santos morrer
É um orgulho que nem todos podem ter

No Santos pratica-se o esporte
Com dignidade e com fervor
Seja qual for a sua sorte
De vencido ou vencedor

Com técnica e disciplina
Dando o sangue com amor
Pela bandeira que ensina:
Lutar com fé e com ardor

Os autores dos gols do título de 2011: Arouca e Neymar


13 de maio de 2011

12 de maio

Aniversário do meu pai, o primeiro e único "maestro Barja". Advogado e regente. Trabalhava, cantava e ainda dizia: quem corre por gosto não se cansa.
Orgulho de ser seu filho... orgulho e saudade...!

Comigo, na formatura da Unicamp, em 1993

O maestro e vô Barja, com a Bebel bem pequenininha, em 2003

8 de maio de 2011

CUBA

una ciudad hermana de mi ciudad

me quedo casi sin palabras
para hablar de La Isla
que tanto habla de nosotros
a decir
 "No hay miedo 
   que detenga
    nuestro pueblo"

siempre hay música en el aire
acá
hasta las piedras cantan

por eso
no pregunto
por quien doblan las campanas:
ya sé que puede ser por el mundo
pero no es por La Habana

por La Habana
se escribe
se canta
se cuenta
se encanta
se baila

- se imanta

27 de abril de 2011

A Bienal e o melhor de qualquer evento: o lado humano

No meio das 1001 correrias do dia-a-dia, tenho a sensação de que deveria colocar por aqui algum texto sobre a Bienal do Livro de São José dos Campos. Mas a verdade é que, a esta altura, MUITA gente MUITO boa já registrou MUITO bem o evento.
Só me resta enfatizar o que, na minha modesta experiência, é o mais importante nestes eventos: a possibilidade das trocas com as pessoas. Conhecer gente, trocar ideias, alimentando assim a alma de afeto e energia criativa - aquela que nasce do contato aberto com o outro.
Em particular, quero agradecer muitíssimo à professora Renata, de Cachoeira Paulista, pela linda postagem em seu blog:

Saudações cordelísticas!


Essa leitura compartilhada é uma das razões de ser da minha Vida


21 de abril de 2011

Mistérios do Vale: dia de beleza e luz

Lançamento da segunda edição do livro "Mistérios do Vale", da Sônia Gabriel. Uma das reuniões mais lindas dos últimos tempos: teve artes plásticas (quadros lindos da Sonya Mello), banda (o pessoal de Santana), causos, Cordéis Joseenses, cantoria com o BãoCantá, o lirismo da Zenilda... e Jongo (salve Laudeni e família)!! Dia pra encher a gente de orgulho desse povo todo que veio de tudo que é canto pra se encontrar... aqui, no Vale do Paraíba. Beleza!


Sônia Gabriel: autora, amiga e grande incentivadora... obrigado por ser tudo isso!

 
Sonya Mello e Zenilda: presença iluminada
 
Pra ficar melhor ainda, só mesmo terminando assim: no Jongo!
 

19 de abril de 2011

RITA LEE, sim; Ritalina, não!

Trata-se de um assunto da maior gravidade.
Vejam a matéria, ouçam a entrevista:

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1373771-7823-BRASIL+E+SEGUNDO+MAIOR+CONSUMIDOR+MUNDIAL+DE+RITALINA,00.html

Belíssima caravana...

... é a do Seu Malaquias, do grupo Boneco Vivo!

Esse pessoal merece cada um dos versos que este cordelista teve a felicidade de dizer pra eles em plena apresentação do dia 17/abril/2011, no SESC São José dos Campos.
Se depender da gente, vamos fazer muitas parcerias entre o Boneco Vivo e o BãoCantá!!

16 de abril de 2011

Versos sobre o "Ficha Limpa"

Essa é boa: jurista defendeu a NÃO aplicação da "Ficha Limpa" para as eleições mais recentes... em versos! (fraquinhos, diga-se de passagem)
Pois bem, Ademar Adams respondeu, indignado, porém com a MAIOR elegância poética, em décimas de cordel. Os dois poemas do embate estão aqui:


No final, tem um comentário meu (apoiando Ademar, claro).

14 de abril de 2011

BRASIL: unidade na multiplicidade

Atenção: recebi há pouco um email argumentando que o Sul e o Sudeste arrecadam mais que o restante do Brasil e (agora vem a conclusão desastrosa) lamentando que "sustentamos o país, mas os nordestinos/nortistas elegem o presidente". É um raciocínio absolutamente preconceituoso esse! Inadmissível! Segue a resposta que enviei:

"Prezados, a meu ver essa é uma simplificação que ignora a complexidade do Brasil. Pior que isso: traz intrínseca (e de forma explícita) uma associação entre $$$ e votos que é no mínimo inadequada e em última análise até mesmo perigosa para a democracia. Prosseguindo no argumento, qual seria o próximo passo? Dizer que voto de paulista vale mais? Ou que SP deve declarar independência?"

Vamos nos manifestar CONTRA esse tipo de atitude separatista que em nada colabora para a união do nosso país. Um país complexo mas ao mesmo tempo riquíssimo, como já dizia Darci Ribeiro (desde sempre) e que agora os exames de DNA comprovam (notícia recente veiculada pela FAPESP): a semelhança genética entre brasileiros de diferentes regiões é marcante!

Somos um povo único: há unidade na diferença! E isso é pra se comemorar, nunca lamentar.


7 de abril de 2011

Fogueira não

quem acende uma fogueira
pra queimar opinião,
além de fazer besteira,
acaba sem ter razão

Haikai

ensina-me o dia:
um abraço e um carinho
também são poesia

4 de abril de 2011

Bienal do Livro de SJC - Sábado, 09/abr/2011

Logo cedo (às 10h), um belíssimo show:


E, às 13h...


(após a apresentação, confiram os Cordéis Joseenses no estande Letras do Vale)