7 de junho de 2012

Treino


Dia de chuva, escuro, frio - tempo ideal pra bater bola.
O treino é curto, mas puxado.
A cada instante, implacável, a auxiliar técnica grita:
 


 "Estique mais essa perna!"
"Tem que esticar mais!" 
"Precisa correr mais!"
"CORRE, pai!" 

 - A auxiliar técnica é a Bebel, 8 anos de idade, mas com surpreendente experiência no ramo.

5 de junho de 2012

Impasse cotidiano em moto perpétuo


- Estou sem tinta na minha impressora, a senhora faz a solicitação...?

- Não!

- ???

- O senhor precisa IMPRIMIR a requisição!

- Estou sem tinta na impressora...
P.R.Barja,
2012

31 de maio de 2012

Poemeto da permuta


Nesta vida existem coisas

Comuns a todos os povos:
Indo às compras, todos devem
Trazer leite, pão e ovos

Pode até faltar farinha
Não ter óleo nem azeite
Mas o lanche só acontece
Quando há ovos, pão e leite

Quando vou sair de casa

Sempre ouço a exclamação

Da menina que repete:

– Traga ovos, leite e pão !

Toda tarde, a mesma coisa
Chuva ou sol, calor ou não:
– Antes de chegar em casa,
   Compre leite, ovos e pão !

E se chego só de noite
Mesmo que logo me deite
A menina me pergunta:
– Trouxe pão, ovos e leite ?

Às vezes, ela promete:
– Vou fazer pedidos novos...
E em vez de ovos, pão e leite
Pede pão, leite... e ovos !

P.R.Barja,

jan/fev/2005

(para Dani Mariotto)

23 de maio de 2012

Poema da Bebel


vento  vai
vento vem
mas
com você
fico  bem

Isabel M.Barja
em maio/2012
(8 anos de idade!)


22 de maio de 2012

Muito mais...



ZENILDA VALE MAIS QUE ACADEMIA!


(e vale muito mais que o pequeno poema que estou preparando pra ela nesse instante,
com amizade terna e eterna)

P.R.Barja

16 de maio de 2012

Carta do leitor (16/05/2012)


 Da seção CARTA DO LEITOR, "O Vale", 16/05/2012

Tamoios

Na verdade o governador não está inaugurando a duplicação da Tamoios, e sim o início dos trabalhos - com 18 anos de atraso. A duplicação é necessária, mas já começa cara: além dos quase R$ 5 bilhões previstos (isso precisa ser muito bem fiscalizado), há esse absurdo tempo de espera.
Paulo Barja

Obs.: Curiosamente, o jornal "O Vale" cortou o trecho seguinte da minha postagem, que fazia referência ao Cine-Teatro Benedito Alves. Segue o teor do trecho omitido pelo jornal:
Aqui em São José dos Campos, o Cine-Teatro Benedito Alves teve reabertura prometida para 2003 e até agora, 9 anos depois, nada foi feito. Será que os tucanos locais também acham "18 anos" um prazo razoável, assim como os estaduais?


11 de maio de 2012

Eterno, como Arte


   Futebol é Arte - e, como Arte, tem instantes que se eternizam e merecem ser lembrados para sempre. Pra quem realmente aprecia os "brincantes da bola", uma atuação de gala é mais importante do que qualquer prêmio ou taça. É pra relembrar, curtir na tela de novo e de novo, como uma música maravilhosa que a gente conhece de cor mas precisa ouvir de vez em quando, pra renovar a experiência.

(escrevo pensando no solo do George Harrison em "Something". Nenhuma nota a mais, nenhuma a menos. Vale o mesmo para o primeiro gol do Ganso ontem)

   Ah, sim:  e pra quem insiste em dizer que "Futebol é momento, futebol é momento", lembro que Música também é momento, Teatro também é momento, Dança também é momento... e a Vida, uma coleção de momentos. Que bom!

P.R.Barja

Mães do Pinheirinho


      As fotos, tiradas da janela, no segundo andar da capela do Jardim Colonial, registram o nascimento da Associação de Mães do Pinheirinho, na tarde do primeiro domingo de maio de 2012:



      Contem com a gente para as ações culturais/educativas. Força sempre!

P.R.Barja

7 de maio de 2012

Pinheirinho, 100 dias depois

Segunda, 7 de maio de 2012.

   Passei ontem pelo Pinheirinho. Agora só há ruínas por lá. Ruínas de casas, ruínas de sonhos... NÃO HÁ NINGUÉM NAQUELE LUGAR.
   Demoliram as casas, expulsaram os pobres, mas o rico meliante não aparece. Nem manda limpar! O lixo pode ficar por ali - só os pobres não podiam.
   Levei a máquina fotográfica. Queria registrar alguma imagem - poder mostrar uma prova do crime.
   Não fiz foto nenhuma. Não consegui. Mas a imagem anda impressa em mim.
   O terreno está abandonado - sim, voltou a ser abandonado, quando estava quando foi ocupado, 8 anos atrás.
   O terreno está ABANDONADO - enquanto especuladores pensam em como ganhar dinheiro com isso. E não se importam com as vidas humanas. A Vida, afinal, é um detalhe.
P.R.B.

6 de maio de 2012

Manifesto sobre um teatro (literalmente) INVISÍVEL

Neste sábado, 5 de maio de 2012, um grupo de artistas foi ao local onde deveria existir o prometido "Novo Teatro Municipal de São José dos Campos" para marcar o aniversário de 4 anos deste projeto que, literalmente, nasceu ao contrário. Vejam só...

"Onde está o teatro? O gato comeu, o gato comeu e ninguém o viu..."
"Vira vira vira, vira vira vira, vira vira vira... virou!?"
 
O cartaz diz tudo...
Artistas-cidadãos em bloco...
Cantar, seja lá como for! Resistimos, logo existimos...
... pra manter a Cultura em Movimento

O protesto foi noticiado pelo jornal "O VALE"na edição de 06/05/2012:


* Acessem o blog dos Cordéis Joseenses pra conhecer o Cordel-Rap do Teatro Invertido preparado para esse triste aniversário...
P.R.Barja

1 de maio de 2012

Provérbio africano

"Até que os leões tenham seus próprios historiadores,
as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador."

(provérbio citado por Eduardo Galeano no Livro dos Abraços)

29 de abril de 2012

"FOGO FÁTUO" e o dilema PROZAC/PROJAC


   "O REI ESTÁ NU!" - essa é certamente a frase que ressoa em muitos dos espectadores da peça FOGO FÁTUO, em cartaz no SESC Santana até 27/5. Trata-se de um trabalho vigoroso que tem como uma de suas maiores virtudes a profunda honestidade que propõe nas relações entre as diversas instâncias presentes (de um modo ou de outro) em cena: escritor, ator, indivíduo, público, cidadão, sociedade, criador/criatura... "e o diabo a 4".

   Nunca é demais lembrar que o mito é, talvez por definição, atemporal - assim como a questão do criador-em-crise (presente "dia sim, outro também") em tantos de nós, reconheçamos. Mas é claro que o tema ganha relevância nesses "tempos modernos" em que a dupla PROZAC e PROJAC parece comandar o imaginário (e o real) de boa parte da sociedade. Se a meta é "crescer e aparecer" a todo custo, de preferência sorrindo e mandando beijinho pra galera, nega-se cada vez mais o direito à crise, ao tempo de amadurecimento da criação, ao silêncio necessário do criador. Tudo é ritmo, tudo é pressa, os fins justificam os meios e algo acaba se perdendo no "Vale Tudo das Artes".

   FOGO FÁTUO propõe um respiro necessário nessa loucura. Poderia ser receitada como "prescrição médica" para alguns, contra a mentalidade fast food tão presente em nosso cotidiano. Nesse sentido, é fantástico o início da peça, que de cara já propõe uma quebra de ritmo: somos inseridos no tempo-sem-tempo (o fade-out final poderia explorar ainda mais isso, com as luzes baixando lentissimamente para nos lembrar de respeitar este tempo-sem-tempo do Escritor criando. Talvez alguns tenham pressa de bater palma e levantar, mas outros vão captar a mensagem).

   O trabalho é um típico work-in-progress: logo após a apresentação do último sábado, pudemos acompanhar um pouco do sempre instigante processo de (re)criação, com sugestões sendo coletadas e compartilhadas entre criador e criatura. Mas, afinal, quem é quem? Nem é o caso de fazer a pergunta, uma vez que ambos criam e são criados em cena. E aqui temos um fato curioso: a nítida diferença de desenvoltura cênica entre Hélio Cícero e Samir Yazbek (nem seria justo exigir “paridade” aqui) colabora inclusive para trazer novas camadas de leitura a alguns trechos da peça. Insistente, a pergunta “Quem é você?” é provocadora e essencial para este Escritor em busca de uma pista criativa – que pode vir na forma de um pacto proposto por Mefisto em crise.

   Apenas discordamos de um pequeno trecho do texto de apresentação no programa da peça: a crise compartilhada entre Fausto e Mefisto (este, auxiliado pela interpretação soberba de Hélio Cícero), em vez de gerar descrença, acaba sendo um último e maravilhoso recurso de sedução. Uma espécie de "canto do cisne", ao qual é praticamente impossível o Escritor manter-se surdo. O pacto, agora democratizado, ressurge como solução digna para ambas as partes. Afinal, se a "outra" alternativa é a proliferação da maldade gratuita, talvez ainda seja melhor garantir um espaço para Mefisto nesse mundo.

27 de abril de 2012

Carta do (e)leitor (26/04/2012)


Da seção CARTA DO LEITOR, "O Vale", 26/04/2012
GM em SJC

Chega a ser constrangedora a posição do prefeito Eduardo Cury diante da ameaça de cortes de postos de trabalho em São José. Ele simplesmente não faz nada. Muitos prefeitos ajudam a trazer e manter postos de trabalho em suas cidades, independentemente dos sindicalistas. Pesquisem a crise de Santos em 1989 e verão o que um prefeito pode fazer se quiser REALMENTE trabalhar pela cidade. É muita incompetência andar na contramão do Brasil.

Paulo Barja

26 de abril de 2012

Soneto sobre a beleza


Quero a beleza que balança, natural,
sem vãos retoques, imperfeita, inteira, plena.
Não a beleza produzida no cinema,
mas a da moça de sandália e avental.

Quero a beleza que evolui no dia-a-dia.
Aquela que o tempo só faz mais elegante.
Beleza simples, que dispensa alto-falante.
Sem correção, regime, droga ou cirurgia.

Quero a beleza sem batom, beleza calma.
Não a inventada: a descoberta, mais real.
Beleza boa, paz e amor, de corpo e alma.

Beleza viva: pôr-do-sol no fim da tarde.
Beleza assim, cheia de luz, nunca é banal,
é pura, é zen, só faz o bem e nunca arde.

Paulo Barja 

obs.: este soneto é parte integrante do Cordel Joseense "Sonetos de Amor & Cuidados",
mas pode e deve ser fruido de modo totalmente independente

25 de abril de 2012

Carta do (e)leitor (25/04/2012)


Da seção CARTA DO LEITOR, "O Vale", 25/04/2012

Centro de SJC
   Em relação à reportagem do último domingo do jornal O Vale sobre projetos da Prefeitura de São José dos Campos para recuperar as praças do centro, considero importante que se melhore a qualidade de trabalho para os camelôs e a qualidade do comércio para a população do centro.
   Mas enquanto isso o Cine Teatro Benedito Alves continua fechado e o novo Teatro Municipal é motivo de piada em todo o Brasil. É caso único de Teatro INVERTIDO, consumindo verba milionária da cidade.
   Pergunto: quem foram os beneficiados até agora com o Teatro INVERTIDO? Eis um tema que merece investigação aprofundada. 
Paulo Barja

21 de abril de 2012

Pinheirinho - Análise apartidária


PINHEIRINHO - Analisemos os fatos sem partidarismos:

1) O Pinheirinho tinha dono. Será? Ó que se sabe é que até o início dos anos 70 era do governo do Estado de SP. A "posse" de Naji Nahas, anunciada em 1981, é questionável juridicamente;

2) Nahas, SE era proprietário, NUNCA poderia ficar devendo TODOS os impostos durante estes 31 anos. A dívida chegou aos DEZESSEIS milhões de reais, só que o prefeito Eduardo Cury (PSDB) deu DESCONTO a Nahas agora em 2012, abaixando a dívida para pouco menos de 14 milhões;

3) Além disso, a prefeitura gastou (dados oficiais) outros 14 milhões na "operação Pinheirinho", somados a outro tanto do Governo do Estado com pms etc;

4) A Constituição Federal arbitra a propriedade dizendo que esta precisa ter função social.
Conclusão: o Pinheirinho, hoje, pode ser da prefeitura ou do Estado, mas nunca de Naji Nahas. Assim, está mais que na hora de cobrar a PROMESSA feita pelo próprio prefeito em agosto/2011, quando ele disse em entrevista (gravada): "Agora que o povo do Pinheirinho está organizado, vamos regularizar, só que é necessário paciência pois o processo é longo e pode demorar alguns anos".

19 de abril de 2012

UNIVAP sedia palestra com o autor do livro "PRIVATARIA TUCANA"

O papel da universidade é sediar e estimular o debate político aberto a toda a sociedade. Neste 19 de abril, às 19h, a UNIVAP sedia a palestra-debate com o autor do livro "Privataria Tucana". Os organizadores do evento estão de parabéns, e toda a sociedade joseense está convidada!

12 de abril de 2012

Refletindo sobre Arte


(para pessoas inspiradoras: Adriana Barja, Eduardo Okamoto, Jair Alves, Tin Urbinatti e tantos outros que são "artistas" porque são "humanos")


  "O teatro não é revolucionário em si mesmo, mas certamente pode ser um excelente ensaio..." (BOAL)

 "Não digam: 'Este homem não é um artista!' porque, se vocês puserem tamanha barreira entre vocês e o mundo, vocês ficarão fora do mundo; se não lhe derem o título de artista, talvez ele, a vocês, não lhes dê o título de homens (...) por isso digam: É UM ARTISTA PORQUE É UM SER HUMANO." (BRECHT)

  A Arte não é revolucionária em si - pode vir a ser um ensaio (importante) para uma revolução. Mas, se "treino é treino e jogo é jogo", não se deve querer que a Arte (o treino) esteja acima da Vida (o jogo real). Assim, não há espaço para arrogância, muito menos para a (falsa) divisão das pessoas em "artistas" e "outros".

 
 
*  *  * 
 
 
"O mundo inteiro é um palco, e todos os homens e mulheres
não passam de meros atores." (SHAKESPEARE)
"O homem é um animal político."  (ARISTÓTELES)

  O ser humano é um ser político. O ser humano é um ser artístico.
  O ser humano também é um ser social: não pode fazer só para si.
  Como aquele-que-faz-política, aquele-que-faz-arte é um servidor.
  Quando consciente disso, tem a vantagem de poder escolher a quem serve.
 
 
*  *  *


"Não se entra no mesmo rio duas vezes." (HERÁCLITO)

  Se Arte é ensaio (como diz Boal), quem faz Arte é aquele que treina, ensaia, trabalha: o operário em construção
  Não nasce pronto. Não fica pronto, pois não é produto.
  Não se entra na mesma peça duas vezes. Não se entra na mesma Vida duas vezes...

Sobre o fazer artístico atual

(para Jair Alves e os Macunaímicos, com um abraço)

   Acompanhando debates recentes e importantes no Portal Macunaíma, atrevo-me a fazer aqui uma breve lista do que considero fundamental pra gente que trabalha com arte:
1) Respeito ao público (antes, durante e após o espetáculo);
2) Estar aberto a sugestões (generosidade no falar e no ouvir);
3) Tentar exercitar pensamento-e-prática que possam ir além das (surradas) dicotomias: “erudito x popular”, “palco x rua” etc. Há o que apreender (e aprender, mesmo) nos diversos campos.
   Exemplifico: como escritor de cordel, busco aprender e apreender tanto com a mordacidade de um Leandro Gomes de Barros quanto com o lirismo de um Drummond. Não contraponho um a outro, nem me interesso muito em calcular um eventual “índice de revolução” na obra de cada um deles.
   Por sinal, preparem-se para um “choque de realidade”. Prontos? Aqui vai: Michel Teló (Ai, se eu te pego... te quebro a cara) já entrou na parada de sucessos dos States! Azar dos americanos: é o contra-ataque da mediocridade brazuca.
   Por que trago isto aqui? Porque este fato da vida real, por incrível que pareça, aponta um possível caminho para nós:

Busquemos uma Revolução da Qualidade!

   Vamos levar sonetos e música medieval para as nossas feiras, e cordel para os colégios e universidades! A qualidade será nossa bandeira.
   Sejamos intransigentes no respeito à vida e à arte. Viva a Revolução...

8 de abril de 2012

Teatro "Como a Gente Gosta"


Chegando da Curitiba com belas lembranças na bagagem... da família (sempre!)  e do Teatro:


Abaixo, a ligação direta para o texto que escrevemos sobre a peça:

Porque o que é bom tem mais é que ser divulgado mesmo: viva o Teatro!

O Velho Duque da vez, entre suas filhas (Rosalinda/Mariana e Bebel, a tímida)

5 de abril de 2012

O sentido da dor em cena


   Acho que estamos de acordo: seja qual for a linguagem, urge buscar um sentido para a sensação de vazio e para a dor em cena.
   Para que esta vá além de dor vazia, "encenada".
   E, se é verdade que isso pode surgir a partir das terras árabes, até mesmo em terras joseenses (o prefeito aqui é um Cury, por sinal) é possível encontrar situações de dor que podem sensibilizar realmente o artista, para que este sensibilize o público.
   Penso que essa seria uma nobre função da arte: tocar aquele que muitas vezes não é (mais) tocado pelos fatos cotidianos, porque perdeu a noção do tanto que há de dor ao seu redor.
Por sinal, isso foi brilhantemente conseguido com o trabalho de Eduardo Okamoto, "Agora e na Hora de Nossa Hora". Artista exemplar, aliás, ao terminar o debate assumindo que o trabalho (com o qual já rodou o mundo) é, sim, um trabalho "em progresso", "em construção".
   Não poderia ser diferente: afinal, como disse Vinícius (trazido também brilhantemente por Tin Urbinatti), somos todos OPERÁRIOS EM CONSTRUÇÃO.

2 de abril de 2012

Questões nada bufas

(texto publicado originalmente no Portal Macunaíma: "Questões nada bufas")


   Tendo terminado há pouco a Mostra Joseense, venho até aqui retomar algumas questões bem colocadas durante a Mostra e que podemos ver nas críticas aqui publicadas. Tivemos contato com obras “de baixo custo e alto poder de alcance”, como AQUI TREM, por exemplo. E creio que acabamos de ver o outro lado dessa história/debate. Trata-se do "MISTÉRIO BUFO" que, a meu ver, perde-se no que, em Análise do Discurso, poderíamos chamar de "silenciamento pelo excesso". Muita produção, muita canção e texto mas, por fim, a pergunta que não quer calar: a que, ou a quem, serve tudo isso?
    Ressalto que a pergunta é ainda mais importante quando se constata o inequívoco potencial do time reunido para a
montagem.
   Certamente, qualquer análise "técnica" aqui seria descabida (do tipo: belíssimo piano ao vivo porém fora de sincronia com a voz em alguns momentos), face a questões maiores e mais prementes. Arrisco-me a colocar aqui algumas delas:
   1) Acho que vivemos em tempo em que é absolutamente necessário questionar o papel dos palavrões no discurso (seja ou não cênico). Como dizia o grande poeta José Paulo Paes, o palavrão (e sei que é curioso admitir isso) é uma importante instituição, que por isso mesmo não pode ser utilizada "a torto e à direita" (não há erro de digitação aqui). O uso indiscriminado gera um esvaziamento do discurso, e o palavrão despejado perde o caráter (que poderia ter) de revolta justa e plena de sentido, para cair numa vala comum que, para dizer o mínimo, não é transformadora – e entretém tanto quanto o “Ai, se eu te pego” que já somos obrigados a aturar fora do teatro.
   2) Qual a "real crítica que sobra
" quando se mistura indistintamente o papa, o nazismo e Che Guevara no mesmo saco de pancadas (ou “saco de merda”, para ficar no linguajar da montagem)? Aqui a coisa pega mesmo, pois toda atividade humana é, queiram ou não, política. Assim, o roteiro do “Mistério Bufo” sugere uma generalização do tipo “todas as ideologias são a mesma porcaria” – generalização essa que tem servido de alicerce e escudo para justificar o que temos de píor no cenário político. Passar recibo nesta visão de que “todos são errados por igual e o inferno é uma belezinha comparado com o que temos aqui” é inaceitável. Saindo do teatro, isso equivaleria a abraçar com fé essas Marchas Contra a Corrupção (marchas-bufas?) promovidas por corruptos e que atiram somente numa direção: a direção dos outros (já que o inferno são os outros, como diria o escritor).
   Enfim, esperei pacientemente o término da sessão na expectativa de um debate que seria importante e cuja ausência me levou a escrever aqui, propondo essas questões que são, a bem dizer, de todos nós, e de todos os dias.
    Deixo aqui um abraço ao trio de debatedores que muito nos enriqueceu nestes dias joseenses. Segue o diálogo!
P.Barja

1 de abril de 2012

"Agora e na Hora de Nossa Hora"


de/com Eduardo Okamoto. A peça, apresentada ontem aqui em São José dos Campos, é tão marcante que ficamos uma hora debatendo depois, e praticamente NÃO se falou de teatro (como bem apontou o Jair Alves). Esse talvez seja o mérito principal (dos muitos) desse trabalho: trazer para a sociedade a discussão sobre a situação dos moradores de rua - em particular, as crianças e adolescentes. 

Porque a Verdade está lá fora, mas precisa reverberar dentro de nós.

   A peça tem mais uma apresentação hoje (01/04/2012), às 19h, no CET/Parque da Cidade. Para quem sabe o momento que vivemos aqui em São José dos Campos, com tanta intolerância e ódio, ver é quase uma obrigação.


Obs.: vale também pra quem não se importa com nada disso (o que acho difícil) mas quer ver um trabalho artístico fortíssimo. Alô, sr. prefeito!

31 de março de 2012

Carta do (e)leitor (31/03/2012)


Da seção CARTA DO LEITOR, "O Vale", 31/03/2012

Obras públicas

   Sobre a reportagem publicada pelo jornal O VALE em relação ao pacote de obras entre a Via Dutra e a Rodovia Carvalho Pinto em São José e a passarela que não foi feita, a (não)explicação utilizada foi a de sempre: "não houve exclusão da obra, mas ela foi adiada."
   Só faltou dizer quando é que a obra será realizada.
   Será que vai ser que nem a (re)abertura do Cine Teatro Benedito Alves, que ocorreria ainda na gestão do Emanuel Fernandes em 2003 e vem atrasando, digamos, um pouquinho?

Paulo Barja

30 de março de 2012

Poemeto pro Millôr (1)


LADO A LADO

O Mal humorado diz:
"Quem acha que eu tô feliz
  vá cuidar do seu nariz!"
 
Responde o Bem humorado:
"Quem acha que eu tô zangado
  olhe bem pro cara ao lado...!" (rs)

P.R.Barja

28 de março de 2012

O melhor frasista do Brasil...


... foi Millôr Fernandes. Nélson Rodrigues também era bom, mas Millôr é imbatível. Em homenagem a este artista "sem papas na língua", segue uma pequena amostra de sua sagacidade (reprodução de quadro publicado no iG):


Algo além do tempo - Joka Faria

Compartilho o texto que o poeta Joka Faria escreveu após o sarau do sábado, 24/03/2012:


E lembro: o que fará nossa força, senão a união?
Abraço ao Joka e a todos,
P.Barja

25 de março de 2012

Pra Que Chorar (Schumann/Heine/Nestrovski) - gravação: Paulo Barja

A canção original de Schumann é belíssima, e a versão do Nestrovski para o poema de H.Heine é muito boa, assim como a ideia básica do arranjo "casando" Schumann com Pixinguinha (o Nestrovski SABE das coisas).
De todo modo, como ainda acho que é fundamentalmente uma canção para piano-e-voz, arrisquei uma gravação caseira nesse formato... espero que não ofenda os ouvidos de ninguém:


24 de março de 2012

Dizem que Dizem (Aznar/Barja) - gravação

Primeira gravação, caseira, de "Dizem que Dizem"
(versão que fiz em português para a canção "Dicen que Dicen", de Pedro Aznar)

 

(veja neste blog e no YouTube a letra em português)

23 de março de 2012

A Universidade do Vale do Paraíba


É inegável que a UNIVAP vive hoje um momento ímpar de sua história, com o processo eleitoral atualmente em curso. Mais ainda: o momento configura-se como histórico para todo o Vale do Paraíba, pelo papel que a UNIVAP representa e, principalmente, poderá vir a representar, ao ser compreendida e reconhecida pela sociedade, em sua integridade, como “Universidade do Vale do Paraíba”.
Prova da relevância do processo eleitoral na universidade é o interesse manifestado a respeito do tema por muitos, dentro e fora da UNIVAP. Neste ponto, antes mesmo de se conhecer o novo reitor, uma coisa já pode ser dita: a Universidade do Vale do Paraíba é claramente maior que qualquer professor ou ex-professor, aluno ou ex-aluno, reitor ou ex-reitor - e é bom que assim seja.
A UNIVAP não é, nem pode ser, de um grupo. A UNIVAP deve ser da comunidade. Assim, a questão fundamental que deve ser respondida – não apenas pelos candidatos, mas por todos nós – é a seguinte: que universidade queremos? É extremamente importante que se maximize a participação e o envolvimento da população nesta discussão sobre o futuro da Universidade do Vale do Paraíba. Creio que a melhor forma de garantir a ampla participação popular, neste momento, seria um debate público – não uma entrevista ou mera apresentação de currículos, e sim debate mesmo. O jornal “O Vale” poderia promover este debate que, publicado integralmente, certamente ampliaria o alcance da discussão.
Que universidade queremos? Como docente e pesquisador na Universidade do Vale do Paraíba há mais de 10 anos, defendo, como a maioria de meus pares, uma universidade de excelência, com foco total no tripé ensino-pesquisa-extensão. Neste contexto, não se deve em hipótese alguma limitar a discussão a aspectos financeiros, visando simplesmente “aumentar o número de alunos”. E parece consensual a ideia de que não cabe à UNIVAP adotar o modelo de universidades particulares (com todo respeito aos colegas que nelas trabalham) em que a questão “baixo custo” é o diferencial. Isto o Vale do Paraíba já tem. Não podemos abdicar da qualidade e, nesse sentido, fontes alternativas de recursos podem, sim, ser buscadas – garantindo-se que estes recursos sejam investidos integralmente no contínuo aprimoramento do tripé básico da universidade.
Confirmar a vocação da UNIVAP para a excelência acadêmica é, a meu ver, a melhor forma de adquirir sustentabilidade, inclusive através da contínua busca de apoio junto às agências de fomento à pesquisa. O incentivo à participação dos docentes em congressos é outra iniciativa importante. Tudo isso aumenta significativamente o potencial de obtenção de bolsas para alunos na graduação e na pós-graduação. Por sinal, o atual presidente da FVE (mantenedora da universidade) já tem sinalizado um apoio importante à pesquisa, ao conceder bolsas de estudo para alunos da pós-graduação.
Embora dinheiro e/ou financiamento não devam ser o principal foco da discussão sobre o futuro da Universidade do Vale do Paraíba (restringir-se a este aspecto é ter uma visão bastante limitada do próprio conceito de universidade), há um ponto importante que foi bem destacado recentemente por dois dos três candidatos à reitoria: a correção de distorções salariais. Um novo plano de carreira é essencial e sua elaboração deverá ser fruto de um debate democrático que inclua toda a comunidade.
Por fim, como cidadão joseense, espero que o novo momento da UNIVAP também propicie maior interação entre a universidade e a cidade nos mais diversos aspectos – da saúde à cultura, da educação à tecnologia. Assim, a UNIVAP pode ser a universidade comunitária de nossa região – acessível, porém sem abdicar da excelência. É a qualidade, aliada a uma visão de formação para a sociedade, que trará cada vez mais bolsas de ensino para formação integral de nossos alunos – cumprindo, assim, a missão institucional de contribuir para o desenvolvimento do Vale do Paraíba. Creio que deve ser este o compromisso da próxima gestão na reitoria.


Nota: o presente artigo, escrito em 21/03/2012, foi submetido ao jornal "O Vale", que publicou em 25/03/2012 uma versão editada do mesmo, e com título alterado, sem fazer consulta prévia ao autor. Esta é uma razão adicional para que o texto seja mantido aqui na íntegra.

20 de março de 2012

Cordéis Joseenses pelo correio


   Ao pessoal que curte os Cordéis Joseenses (ou tem vontade de conhecer os folhetos, mas mora longe de SJCampos), informo que todos os títulos já estão disponíveis para venda através do site Estante Virtual. É só clicar:


Envio por correio para todo o Brasil, pagamento via cartão de crédito*
 
* É provável que dê até pra dizer "Nunca antes na História do Brasil se vendeu folheto de cordel por cartão de crédito", rs!

19 de março de 2012

Dizem que Dizem (Pedro Aznar, versão P.Barja)

(Segue abaixo a versão em português para a canção "Dicen que Dicen", de Pedro Aznar - feita direto aqui neste espaço, enquanto ouço repetidamente a canção e fico chocado com sua precisão para os dias atuais, nesta cidade onde ser pobre é crime. Mais pra frente, vou tentar registrar em formato piano-e-voz)


Dizem que dizem que andam dizendo
Tantas palavras só por falar
Como um eclipse para a verdade
Ocultar

"Livre" é ser dono do seu futuro
Para sonhar e realizar
Não é viver solto pelo mundo
Sem lugar

Chama-se "Império" no mundo antigo
Hoje se diz "Globalização"
E é para os países pequenos
Tubarão

Dizem que dizem que dizem que dizem
Dizem que dizem mal

Quando sonhamos um mundo unido
Nunca pensamos nesta prisão
São dez mil olhos guardando o ninho
De um falcão

Fogo é fogo, e sempre queima
Guerra não é paz, nem inferno, céu
Como teremos real justiça
Sob um véu?

 Dizem que dizem que dizem que dizem
Dizem que dizem mal

Hoje as palavras confundem tudo
Mostram 50 e escondem 100
Tanto poder na mão de tão poucos
Não vai bem

Tempo é dinheiro e dinheiro é tudo
Tudo tem preço e não tem valor
Homem há tempos se fez do barro
Por amor

Dizem que dizem que andam dizendo
Tantas palavras só por falar
Como um eclipse para a verdade
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15 de março de 2012

Um "Dia da Poesia" libertário

   O convite chegou na véspera, pelo Facebook. Vinha de uma moçada ótima, atuante, que acompanho desde as manifestações contra o aumento salarial dos vereadores joseenses. Eu ia trabalhar de manhã e à noite, então haveria uma janela à tarde... Como dizer não a uma proposta tão deliciosamente libertária?
   Pouco antes das 15h, a gente se encontrou na área dos brinquedos da Praça Afonso Pena, no centro de São José dos Campos. De lá, todos pro calçadão...
   ... onde a moçada já chegou anunciando intenções: Poesia libertária para todos!


Com cartazes, vozes e violões, fomos conquistando adesões no calçadão...


   Poesia, canção e festa em plena chuva, numa ação altamente libertária...


   Roda lírica de celebração, com todos encharcados e felizes: poesia líquida no meio da tarde.
   Observando e sendo observados, porque o contato é o que importa.
   Arte e afeto, água e Brisa, chuva pra todo mundo - e corações ensolarados.

"Somos como água da chuva: cada gota é importante"

Que venham outras vivências libertárias, para que a Poesia nunca seja esquecida por aqui. Obrigado pelo compartilhamento e parabéns, moçada!
P.R.Barja

11 de março de 2012

Carta do (e)leitor (11/03/2012)

(sobre o Cine-Teatro Benedito Alves e o fomento à cultura em SJC)

Da seção CARTA DO LEITOR, "O Vale", 11/03/2012

A intenção da Prefeitura de São José na reabertura do Cine Teatro Benedito Alves tem que ir muito além de apenas atrair público noturno para o centro. Isso é algo que se faz, por exemplo, na Praça Afonso Pena. A prefeitura precisa fomentar a circulação da arte e da cultura em São José, inclusive através de iniciativas como a criação de um Fundo Municipal de Cultura.

Paulo Barja