9 de junho de 2013
8 de junho de 2013
Cordéis Joseenses no VI Festival da Mantiqueira (S. Francisco Xavier)

Obs.: ainda no dia 15/6, a partir das 16h, no estande da FCCR, lançamento do Cordel do Modernismo e do Diabo Casamenteiro., com venda e autógrafos. E domingo de manhã prestigiaremos o debate sobre o livro "Tecendo o Amanhã", do sociólogo Moacyr Pinto.
29 de maio de 2013
Pela mesma estrada
Acordei cedo. O coração pulsava
com a certeza crua, cristalina:
disse o poeta uma grande verdade
- nossa existência é sempre Severina.
Por isso existe solidariedade:
nasce da força da compreensão
de que nos molha a mesma tempestade
que molha o corpo de qualquer irmão.
Já nem importa se nos conhecemos:
desde o princípio, somos como grãos
no mesmo solo, desejando a vida
- a vida-chuva que nos faz irmãos.
Assim seguimos pela mesma estrada
- de carro ou ônibus, de jegue, a pé -
com muitos sonhos e a mesma esperança.
Somos movidos por Amor. E fé!
(P.R.Barja)
27 de maio de 2013
Poemas, Causos e Cantorias - em São Bento do Sapucaí
Seguem algumas fotos da viagem a São Bento do Sapucaí para a apresentação dos "Poemas, Causos e Cantorias":
Eita jornada boa! Até a próxima!
23 de maio de 2013
A Ilha de Fliperamática (Isabel Barja)
Era uma vez uma menina chamada Fliperamática. Ela vivia numa ilha. Nessa ilha tinha um mar enorme com vários peixinhos, e muitas gaivotas no céu. Nessa ilha não existia noite, só o dia, e sempre era verão, mas só tinha um problema: ela tinha muita saudade de sua terra, porque quando tinha nove anos, ela fugiu de lá e foi aonde o vento a levasse. Mas apesar disso ela gostava muito daquela ilha, pois era um lugar de alegria, paz e um lugar muito calmo também.
Um dia, quando ela estava nadando na praia, ela viu um helicóptero e pensou: "ué, nessa ilha... é um lugar tão calmo, ela nem está no mapa!"
E enquanto ela pensava o helicóptero pousou na ilha.
E então uma pessoa disse:
- Filha, é você mesmo?!!
E então a menina ainda pensativa disse:
- O QUÊ?
E então a pessoa ainda feliz disse:
- Filha, sou eu, o seu pai!!
E então Fliperamática sorridente disse:
- PAI!!!
Quando Fliperamática descobriu que aquela pessoa era seu pai, eles voltaram juntos no helicóptero para casa e viveram felizes para sempre.
Isabel Barja (9 anos)
20 de maio de 2013
Boal e a nova imprensa
A imprensa independente existe - e existe apesar de certos ideólogos.
A imprensa independente existe em milhares de pequenos postos a partir dos quais se difunde.
Somos nós, os independentes, os sem-partido...
Os que fazem Teatro-Fórum em cada canto do Brasil e do mundo!
Os blogs proliferam e a cada dia fica mais difícil esconder as verdades e sustentar as mentiras.
Melhor assim...
Ah, mas essa "imprensa independente" também É comprometida com interesses: todos somos!
E é fundamental ser comprometido com os interesses dos oprimidos e daqueles que vivem nas Zonas Proibidas bem descritas por Hakim Bey.
Já dizia Boal sobre a luta diária de Davi contra Golias: quem não pega nas pedras e se diz "imparcial", na verdade assume o papel de aliado do gigante.
Boal, inspire-nos sempre!
E que inspiremos sua força renovada em nós.
A imprensa independente existe em milhares de pequenos postos a partir dos quais se difunde.
Somos nós, os independentes, os sem-partido...
Os que fazem Teatro-Fórum em cada canto do Brasil e do mundo!
Os blogs proliferam e a cada dia fica mais difícil esconder as verdades e sustentar as mentiras.
Melhor assim...
Ah, mas essa "imprensa independente" também É comprometida com interesses: todos somos!
E é fundamental ser comprometido com os interesses dos oprimidos e daqueles que vivem nas Zonas Proibidas bem descritas por Hakim Bey.
Já dizia Boal sobre a luta diária de Davi contra Golias: quem não pega nas pedras e se diz "imparcial", na verdade assume o papel de aliado do gigante.
Boal, inspire-nos sempre!
E que inspiremos sua força renovada em nós.
19 de maio de 2013
Duas dicas
não colem rótulo:
sou de teflon
não digam "ósculo":
beijo tá bom!
sou de teflon
não digam "ósculo":
beijo tá bom!
(P.R.Barja)
Soneto Molecular
Com as moléculas também aprendo:
são vários átomos interagindo.
Vibramos juntos nesse mundo. É lindo
e agora mesmo está acontecendo.
são vários átomos interagindo.
Vibramos juntos nesse mundo. É lindo
e agora mesmo está acontecendo.
Os átomos também são coletivos:
elétrons, prótons, nêutrons, todos juntos
- e há muito mais aí, outros assuntos
que dizem num só coro: estamos vivos!
elétrons, prótons, nêutrons, todos juntos
- e há muito mais aí, outros assuntos
que dizem num só coro: estamos vivos!
Então é isso: não se está sozinho
em hora alguma nessa nossa vida
- somos partículas acompanhadas.
em hora alguma nessa nossa vida
- somos partículas acompanhadas.
A cada passo do nosso caminho,
imprime-se a passagem só de ida
- e percorremos todas as estradas.
imprime-se a passagem só de ida
- e percorremos todas as estradas.
(P.R.Barja)
NOTAÇÃO MUSICAL
(possível letra de música)
P
e s s o a s
l e v e s
s
ã o S E M I
B R E V E S :
s
e m p r e c a l m a s
n
a
c l a v e d e s o l
o
u n a n e v e . . .
Pessoas
muito muito muito muito mais confusas
são
semifusas sim semifusas são semifusas sempre semifusas
juntam-se
na partitura, exército espremido
voo
do besouro percutindo em nosso ouvido
"Mas como as fusas são atrapalhadas!
Se mínimas virassem e outras notas esperassem..."
-
comentam as colcheias espantadas
a
cada dupla de semicolcheias que ali passa
Mas
eu não dou a mínima
pra
essa notação:
você
traz harmonia
ao
meu diapasão!?
Estou
certo, certíssimo
de
que, na minha pauta,
há
um canto fortíssimo
quando
você não falta!
Saiamos
do compasso;
fujamos
dos algozes...
o
que soa no espaço
é
"fuga a duas vozes"!
Poeta
não abusa:
permita
que eu te enleve!
Não
fique semifusa:
façamos S E M I B
R E V E
. . .
(P. R. Barja)
LÁ E CÁ
(uma possível letra de música)
sim, eu tenho andado estrábico:
quem me viu e quem me vê!
dispensa algarismo arábico
a explicação do porquê:
quem me viu e quem me vê!
dispensa algarismo arábico
a explicação do porquê:
um olho meu segue a estrada
o outro segue você
um olha a noite estrelada
o outro vê estrela em você
um faz a escolha acertada
o outro escolhe você
um gosta da madrugada
o outro gosta de você
o outro segue você
um olha a noite estrelada
o outro vê estrela em você
um faz a escolha acertada
o outro escolhe você
um gosta da madrugada
o outro gosta de você
um olho sai pelas ruas
o outro não sai de você
um vagueia na calçada
o outro vaga por você
um olho é pura risada
o outro chora por você
um não vê mais quase nada
o outro enxerga você
o outro não sai de você
um vagueia na calçada
o outro vaga por você
um olho é pura risada
o outro chora por você
um não vê mais quase nada
o outro enxerga você
fique bem na minha frente:
cara a cara, eu e você.
percebeu que é diferente?
feche os olhos. você vê?
cara a cara, eu e você.
percebeu que é diferente?
feche os olhos. você vê?
(P.R.Barja)
18 de maio de 2013
Soneto libertário ao homem-prego
Começo a entender o Plínio Marcos:
há muitos homens-prego nesse mundo!
Gente que nunca viveria em barcos.
Que falta faz o sábio vagabundo!
há muitos homens-prego nesse mundo!
Gente que nunca viveria em barcos.
Que falta faz o sábio vagabundo!
Os homens-prego prendem-se a paredes
formadas por certezas obsoletas.
São peixes presos pelas próprias redes.
Vontade de acorda-los com cornetas!
formadas por certezas obsoletas.
São peixes presos pelas próprias redes.
Vontade de acorda-los com cornetas!
Encontro o homem-prego em sua sala,
que até parece caixa. Quando eu entro,
já vou dizendo logo: faça a mala!
que até parece caixa. Quando eu entro,
já vou dizendo logo: faça a mala!
Abrir a caixa é coisa que se adora.
Pra que viver trancado assim por dentro?
A vida é festa em casa e também fora!
Pra que viver trancado assim por dentro?
A vida é festa em casa e também fora!
(P. R. Barja)
aí sim
...e se não houver
outra opção?
Aí é que eu faço
canção!
outra opção?
Aí é que eu faço
canção!
(P.R.Barja)
17 de maio de 2013
Os verdadeiros heróis também se divertem
“Nas fuças do falso moralismo analgésico do mundo contemporâneo, erigiremos uma galeria com os bustos de nossos antepassados, heróis que mantiveram viva a luta contra a má consciência, mas que também souberam se divertir: um genial banco de genes, uma categoria rara e difícil de se definir, grandes mentes não apenas para a Verdade, mas para a verdade do Prazer, sérios mas não sóbrios, cuja disposição ensolarada não os tornou indolentes, mas aguçados. Brilhantes, mas não atormentados.”
- Hakim Bey, no apêndice B de Zona Autônoma Temporária
Amor Obsessivo (por Hakim Bey)
(texto original de Hakim Bey; tradução: P.R.Barja)
Mas se o desejo permeia toda a estrutura e o estilo do Islã, continua no entanto a ser um desejo reprimido. "Aquele que ama, mas permanece casto e morre de saudade, alcança o status de um mártir na Jihad", ou seja, chega ao paraíso – ou assim diz a tradição popular (mas talvez espúria) do próprio Profeta. A tensão cortante desse paradoxo cristaliza uma nova categoria de emoção na vida: o amor romântico, baseado no desejo insatisfeito, na separação em vez da união, isto é, em saudade. O período helenístico (como evocado por Kaváfis, por exemplo) forneceu os gêneros para essa convenção – o "romance" em si, o idílio e a lírica erótica – mas o Islã lançou nova luz para as velhas formas com seu sistema de sublimação passional. O fermento greco-egípcio-islâmico adiciona um toque pederasta ao “novo” estilo; além disso, a mulher ideal do romance não é nem mulher nem concubina, mas “alguém proibido”, certamente fora da categoria de simples reprodutor(a). Deste modo, o Romance aparece como um tipo de gnose, em que espírito e carne ocupam posições opostas, talvez também como uma espécie de “libertinagem extremada” em que uma forte emoção é vista como mais satisfatória até mesmo do que a própria satisfação. Visto como "alquimia espiritual", o objetivo da coisa parece ser a interiorização de uma consciência não-ordinária. Este desenvolvimento alcançou graus extremos, mas ainda "dentro da lei” com sufis como Ahmad Ghazzali, Awhadoddin Kermani e Abdol-Rhaman Jami, que testemunharam “a presença do Ser Divino” em certos meninos bonitos e ainda assim permaneceram (supostamente) castos. Os Troubadors (trovadores) disseram o mesmo de suas damas adoradas; Dante Vita Nuova representa o exemplo extremo. Tanto cristãos quanto muçulmanos percorreram precipícios traiçoeiros com esta doutrina de castidade sublime, mas os efeitos espirituais, por vezes, podem ser enormes, como com o iraquiano Fakhroddin, Rumi ou mesmo Dante.
Uma "dialética áspera" nos leva a perceber um gosto impuro na História: sob uma operação de escavação, localizamos uma coleção de antiguidades suprimidas e realizadas – práticas tolas, obsoletas e insatisfatórias como o "Amor Obsessivo". A ideia de Romance é romana apenas no sentido de que foi trazida (de volta) à Europa por Cruzados e Trovadores. A paixão enlouquecida e sem esperança aparece pela primeira vez em textos orientais, como no Anel da Pomba de Ibn Hazm (na verdade uma gíria para para o pênis circuncidado) e nas primeiras versões de Layla e Majnun do Arabistão. Os sufis se apropriaram da linguagem desse tipo de literatura, erotizando assim ainda mais uma cultura e religião já erotizadas.
Mas se o desejo permeia toda a estrutura e o estilo do Islã, continua no entanto a ser um desejo reprimido. "Aquele que ama, mas permanece casto e morre de saudade, alcança o status de um mártir na Jihad", ou seja, chega ao paraíso – ou assim diz a tradição popular (mas talvez espúria) do próprio Profeta. A tensão cortante desse paradoxo cristaliza uma nova categoria de emoção na vida: o amor romântico, baseado no desejo insatisfeito, na separação em vez da união, isto é, em saudade. O período helenístico (como evocado por Kaváfis, por exemplo) forneceu os gêneros para essa convenção – o "romance" em si, o idílio e a lírica erótica – mas o Islã lançou nova luz para as velhas formas com seu sistema de sublimação passional. O fermento greco-egípcio-islâmico adiciona um toque pederasta ao “novo” estilo; além disso, a mulher ideal do romance não é nem mulher nem concubina, mas “alguém proibido”, certamente fora da categoria de simples reprodutor(a). Deste modo, o Romance aparece como um tipo de gnose, em que espírito e carne ocupam posições opostas, talvez também como uma espécie de “libertinagem extremada” em que uma forte emoção é vista como mais satisfatória até mesmo do que a própria satisfação. Visto como "alquimia espiritual", o objetivo da coisa parece ser a interiorização de uma consciência não-ordinária. Este desenvolvimento alcançou graus extremos, mas ainda "dentro da lei” com sufis como Ahmad Ghazzali, Awhadoddin Kermani e Abdol-Rhaman Jami, que testemunharam “a presença do Ser Divino” em certos meninos bonitos e ainda assim permaneceram (supostamente) castos. Os Troubadors (trovadores) disseram o mesmo de suas damas adoradas; Dante Vita Nuova representa o exemplo extremo. Tanto cristãos quanto muçulmanos percorreram precipícios traiçoeiros com esta doutrina de castidade sublime, mas os efeitos espirituais, por vezes, podem ser enormes, como com o iraquiano Fakhroddin, Rumi ou mesmo Dante.
Mas não seria possível ver a questão do desejo de uma perspectiva tântrica e admitir que a "união" em si é também uma forma de iluminação suprema? Tal posição foi tomada por Ibn 'Arabi, que no entanto limitava a discussão a “casamento legal” ou “concubinato”. Como o homossexualismo era proibido na lei islâmica, um sufi que amasse garotos não teria a possibilidade legal de realização sensual. O jurista Ibn Taimiyya uma vez perguntou a um dervixe se ele tinha feito mais do que simplesmente beijar o ser amado. "E se o que eu fiz?", respondeu o interrogado. A resposta seria certamente "culpado por heresia!", isso para não falar de formas consideradas ainda mais graves de crime. Uma resposta semelhante seria dada a qualquer trovador de “tendência tântrica-adúltera”, e talvez tenha sido esse tipo de resposta que levou alguns deles para a heresia organizada do catarismo [1].
O amor romântico no Ocidente recebeu energias do neoplatonismo, assim como o mundo islâmico, e a ideia de romance fornecia uma forma aceitável (ainda ortodoxa) de compromisso entre a moral cristã e o “erocosmo” redescoberto da Antiguidade. Mesmo assim, o equilíbrio era precário: Pico della Mirandola e o pagão Botticelli acabaram nos braços de Savonarola [2].
Uma minoria secreta de nobres renascentistas, clérigos e artistas optou firmemente pelo paganismo clandestino, a Hypnerotomachia Poliphilo [3] ou os monstros do jardim de Bomarzo, sugerindo a existência de uma facção ou seita “tântrica”. Mas para a maioria dos platônicos, a ideia de um amor baseado em espera solitária servia a propósitos ortodoxos e alegóricos, em que o sujeito amado só poderia ser uma sombra distante do real (como exemplificado por Santa Teresa e São João da Cruz) e só poderia ser amado de acordo com um “código cavalheiresco” casto e penitencial. A questão central do romance “A Morte de Artur” (de Malory) é que Lancelot não consegue sustentar o ideal cavalheiresco, amando carnalmente Guinevere em vez de se contentar apenas com o espírito.
O surgimento do Capitalismo exerce um estranho efeito sobre a ideia de romance. Só posso expressar isto com uma comparação absurda: é como se o ser amado se tornasse “o investimento perfeito”, sempre desejado, sempre pago, mas nunca realmente adorado. A abnegação do romance se harmoniza perfeitamente com a auto-negação do Capitalismo. Mais do que limitar suas exigências simplesmente à moral ou à castidade, o capital exige escassez, tanto de produção como de prazer erótico. A religião proíbe a sexualidade, emprestando uma aura de glamour à abstinência; o capital remove a sexualidade, mergulhando-a em desespero. A ideia de romance agora é o que leva ao suicídio de Werther, ao desgosto de Byron, à castidade dos dândis. Neste sentido, o romance se tornará a obsessão bidimensional perfeita da música popular e da publicidade, fornecendo um rastro de utopia dentro da reprodução infinita da mercadoria.
Em resposta a esta situação, os tempos modernos têm oferecido dois diferentes vereditos sobre o romance, aparentemente opostos. Um, o amor louco surrealista, claramente pertence à tradição romântica, mas propõe uma solução radical para o paradoxo do desejo, combinando a idéia de sublimação com a perspectiva tântrica. Opondo-se à escassez (ou "praga emocional", como diria Reich) do capitalismo, o Surrealismo propõe um excesso (transgressor) do desejo mais obsessivo e da realização mais sensual. O que o romance de Nezami ou Malory tinham separado (a espera e a união), os surrealistas propunham que se reunisse. O efeito era para ser explosivo, literalmente revolucionário.
O segundo ponto de vista relevante aqui também foi revolucionário, mas “clássico” ao invés de “romântico”. O anarquista-individualista John Henry Mackay desesperou-se com o amor romântico, que ele só podia ver como contaminado com as formas sociais de propriedade e alienação. O amante romântico espera “possuir” ou “ser possuído” pelo ser amado. Se o casamento é simplesmente prostituição legalizada (a análise anarquista usual), Mackay descobriu que o próprio amor havia virado uma mercadoria. O amor romântico é uma doença do ego e sua relação com a “propriedade”; em oposição a isto, Mackay propôs a amizade erótica, livre de relações de propriedade, com base na generosidade em vez de espera e retirada (ou seja, escassez): um amor entre sujeitos autônomos em relação de igualdade.
Apesar de Mackay e os surrealistas parecem opostos, num ponto eles concordam: o amor é soberano. Além disso, ambos rejeitam a herança platônica da “espera sem esperança”, agora vista como autodestrutiva - talvez uma medida da dívida que ambos (anarquistas e surrealistas) têm com Nietzsche. Mackay exige um Eros apolíneo, os surrealistas (claro) optam por Dionísio, obsessivo, perigoso. Mas ambos revoltam-se contra o “romance".
Hoje em dia, estas duas soluções para o problema do romance parecem ainda abertas, possíveis. Talvez a atmosfera pareça ainda mais poluída com imagens degradadas de desejo do que nos dias de Mackay ou Breton, mas não parece ter havido mudanças qualitativas nas relações entre Amor e Capitalismo tardio desde então. Admito minha preferência filosófica pela posição de Mackay porque tenho sido incapaz de sublimar o desejo num contexto de obsessão desesperada sem me sentir miserável e a felicidade (objetivo de Mackay) parece nascer da desistência de falso cavalheirismo e abnegado dandismo em favor de amores mais reais e "pagãos". Ainda assim, deve-se admitir que tanto “separação” quanto “união” são estados não-ordinários de consciência. Desejo obsessivo intenso constitui um “estado místico” que só precisa de um traço de religião para se cristalizar como êxtase neoplatônico. Mas nós, românticos, devemos lembrar que a felicidade também possui um elemento completamente alheio a qualquer aconchego morno-burguês ou covardia insípida. A felicidade expressa um aspecto festivo e até mesmo insurrecional que lhe dá – paradoxalmente – sua própria aura romântica. Talvez possamos imaginar uma síntese de Mackay e Breton – um guarda-chuva e uma máquina de costura numa ópera de mesa – e construir uma utopia baseada “na generosidade, tanto quanto na obsessão” (mais uma vez, vem a tentação de fundir Nietzsche com Charles Fourier e sua “Atração Fatal”); mas, na verdade, eu sonhei com isso (lembro, de repente, como se fosse literalmente um sonho) – e isso assumiu uma realidade tentadora filtrada para minha vida (em certas Zonas Autônomas Temporárias), um tempo-espaço “impossível”... e toda minha teoria se baseia nesta breve pista.
______________________________
[1] Os seguidores do catarismo deviam abster-se da alimentação carnívora, de atividades sexuais, evitar qualquer forma de violência; além disso, não poderiam possuir nenhum bem material (N.T.)
[2] Padre Dominicano que, na Florença do séc.XV, opôs-se fortemente à vida pagã e à imoralidade inclusive (principalmente?) na corte de Lourenço de Médici (N.T.)
[3] Um dos livros mais misteriosos do período renascentista, tendo sido impresso (em grego) no ano de 1499. Inclui diversas passagens oníricas e eróticas, com ilustrações em xilogravura.
[2] Padre Dominicano que, na Florença do séc.XV, opôs-se fortemente à vida pagã e à imoralidade inclusive (principalmente?) na corte de Lourenço de Médici (N.T.)
[3] Um dos livros mais misteriosos do período renascentista, tendo sido impresso (em grego) no ano de 1499. Inclui diversas passagens oníricas e eróticas, com ilustrações em xilogravura.
16 de maio de 2013
15 de maio de 2013
haikais de infância
ainda criança:
em sonho, revisitei
brinquedos da infância
(delírio total:
brinquei com tudo de novo
- e foi tão legal!)
P.R.Barja
14 de maio de 2013
Cordéis Joseenses no Jardim Colonial
Dia 11 de maio de 2013, no Jardim Colonial, teve leitura de Cordéis Joseenses antes da apresentação ao ar livre do documentário "Derrubaram o Pinheirinho", de Fabiano Amorim:
Obrigado, Auira Ariak e Fabiano Amorim!
P.R.Barja
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São José dos Campos,
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13 de maio de 2013
PARADOXO AMBIENTAL
Aonde vamos parar?
Pedem socorro ao meio ambiente
jogando garrafa ao mar!?!
Pedem socorro ao meio ambiente
jogando garrafa ao mar!?!
(P.R.Barja)
11 de maio de 2013
Entrevista sobre cordéis na Rádio Estadão
Na quinta-feira, 9/5/13, conversei sobre cordéis (e sobre os Cordéis Joseenses em particular) com Marcelo Almeida, na Rádio Estadão.
Obrigado ao Marcelo e às pessoas que entraram em contato por conta da entrevista!
Seguimos buscando unir Arte e Cidadania,
abraços,
Paulo
7 de maio de 2013
Da Verdade
(P.R.Barja)
VINTE anos de ditadura militar:
um tempo em que havia execuções
(quantas? como saber?)
em que "a cúpula ordenava o extermínio"
em que "a ordem era atirar"
- infelizmente, foi a partir DESSA forma
de se resolver problemas
que se formou o pensamento de muitos brasileiros,
alguns dos quais nem nascidos à época.
A verdade é dura: destroi toda visão de "guerra limpa, justa"
e nos obriga a reconstruir
- dentro e fora de nós -
uma nova forma de viver.
Se a guerra (interior, anterior)
nunca foi limpa nem justa,
saibamos construir a paz que o seja.
um tempo em que havia execuções
(quantas? como saber?)
em que "a cúpula ordenava o extermínio"
em que "a ordem era atirar"
- infelizmente, foi a partir DESSA forma
de se resolver problemas
que se formou o pensamento de muitos brasileiros,
alguns dos quais nem nascidos à época.
A verdade é dura: destroi toda visão de "guerra limpa, justa"
e nos obriga a reconstruir
- dentro e fora de nós -
uma nova forma de viver.
Se a guerra (interior, anterior)
nunca foi limpa nem justa,
saibamos construir a paz que o seja.
4 de maio de 2013
1 de maio de 2013
Poema anotado
Palavras de um professor
(que ama, como outros mortais):
amores não são "amenos":
amores são sempre "A+"!
(P.R.Barja)
30 de abril de 2013
Haikais libertários
Estou convencido:
é melhor ser INTEIRO
do que ser PARTIDO
(P.R.Barja)
SEMPRE POSITIVO
Tudo é afirmação:
dizer "não" é dizer "sim"
à negação
dizer "não" é dizer "sim"
à negação
(P.R.Barja)
Desmontando Falácias (ou "Pela maioridade nos argumentos")
Recebi um
email repassando “argumentos do prof. Adilson Dallari” a favor da redução da
maioridade penal. Infelizmente (mas não surpreendentemente), o autor do email
não revela os emails dos demais destinatários, impedindo assim que se abra um
debate real. Por esta razão, tomo a liberdade de trazer a discussão para este blog:
Quem perde e quem ganha com a redução da idade
mínima de responsabilidade penal?
1) Primeiro
argumento falho do prof. Dallari:
“A
Constituição Brasileira (...) reconheceu expressamente que aos 16 anos o menor
tem plena capacidade de discernimento, a ponto de poder eleger todos os
mandatários políticos (...) Logicamente, em termos de lógica formal, algo não
pode SER e NÃO SER ao mesmo tempo. Assim, ou bem se tira a capacidade eleitoral
ou se confere a responsabilidade penal.”
Resposta:
- Em
primeiro lugar, o sr. coloca em pé de igualdade duas questões diferentes (e independentes):
maioridade penal e voto facultativo para cargos eletivos. Vejamos apenas alguns
aspectos cabais dessa diferença, demonstrando a clara ASSIMETRIA da lei no que
se refere à maioridade:
a) Maiores
de 18 anos são OBRIGADOS a votar, enquanto os menores (a partir dos 16 anos) têm
o direito de ESCOLHER se querem ou não votar;
b) Mais grave
que isso: menores PODEM eleger todos os mandatários políticos, porém NÃO PODEM
ser eleitos para nenhum desses cargos!
Só isso já
é o suficiente para se pensar, não é? Porém, como físico, preciso também me
contrapor ao uso da lógica formal aqui. De fato, a lógica formal jamais poderá
ser utilizada como critério da verdade, uma vez que é possível chegar a
conclusões absurdas utilizando lógica formal. Tudo depende dos pontos de
partida, sobre os quais muitas vezes não há concordância alguma. Em alguns
casos há mesmo uma concordância quanto à FALTA de validade das premissas
iniciais, porém a lógica formal é insensível à mentira e permite concluir que “as
baleias voam”, só para citar um exemplo pescado rapidamente na internet. Em
resumo: lei alguma, decisão alguma deve ser baseada simplesmente na (muita
vezes falsa e errônea) lógica formal.
2) Segundo
argumento falho do prof. Dallari:
“A
capacidade política aos jovens de 16 anos foi um golpe do PT, pois o jovem
tende a ser generoso, se preocupa com a desigualdade e acaba acreditando nas
maravilhas do socialismo. Só com o amadurecimento e a experiência ele vai
perceber o engano, mas até aí já votou várias vezes no PT.”
Resposta:
a) EPA! Aqui o sr. está francamente NEGANDO ao jovem sequer a possibilidade de ter “amadurecimento e experiência” suficientes para votar “bem”, na sua opinião? Lamento informar que o sr. acaba de se contradizer em relação ao ponto principal da discussão colocada pelo sr. mesmo no item anterior. Brincando, eu poderia até dizer que “encerramos o jogo aqui”. Mas há muito a se dizer, ainda;
b) O sr. acha
mesmo que “generosidade” e “preocupação com desigualdade” são ENGANOS? Só posso
lamentar pelo sr.;
c) O sr.
acha mesmo que os jovens de 16 anos são “petistas por natureza”? Conheço um
bocado de gente da juventude tucana que vai ficar brava com o sr. por isto.
Conheço também a juventude anarquista de minha cidade, com a qual me
identifico, e que deve estar rindo do sr. nesse exato momento;
d) O sr.
realmente acredita que o PT, como um todo, ainda é francamente socialista? Parabéns,
o sr. crê mais no PT do que uma parte dos eleitores do partido, que se move por
questões mais imediatas e concretas do que “ser ou não ser socialista”.
e) O sr.
sustenta que só os imaturos e inexperientes votam no PT? “Depois percebem o
engano...” – Lamento, sr., mas minha mãe e a maior parte dos docentes
universitários com os quais convivo diariamente desmentem sua afirmação. Não
estou julgando partido algum aqui, apenas mostrando a falha do seu argumento.
“Quem não
foi socialista na juventude, não tem coração; quem permanece socialista na
maturidade, não tem cérebro.”
Resposta:
Como diria
Itamar (o compositor, não o ex-presidente), “Chavão abre porta grande...” – com
a triste reprodução deste chavão aqui, o sr. diz, de uma só vez:
a) que a
juventude de direita não tem coração;
b) que
socialistas experientes não têm cérebro;
c) pior de
tudo: que anarquistas não tem nem cérebro nem coração.
Puxa, o
sr. não deve ter coração para falar desse jeito...
4) Quarto argumento
falho do prof. Dallari, acompanhado de um acerto (que bom!):
“Alguém
duvida que os jovens delinquentes, revoltados, que se consideram vítimas da
sociedade e que não respeitam os valores burgueses (como vida e propriedade)
são potenciais eleitores do PT? (...)“Tudo bem: eu até concordo que o mais importante seria desenvolver MUITO a educação, mas uma coisa não impede a outra. Educação e responsabilidade não são incompatíveis: ao contrário: são complementares.”
Resposta:
Juntei o
quarto item com o primeiro acerto para não ter que dizer “vamos para o quarto”,
uma vez que não pretendo correr o risco de ser mal interpretado (eu até
dividiria com o sr. uma mesa de bar, mas nunca um quarto).
Creio que o
sr. comete um erro grave ao afirmar que a VIDA é um “valor burguês”. Não,
prezado sr., a VIDA é o mais alto valor humano, independentemente de corrente
política ou partidária. Talvez isso até o surpreenda, mas essa verdade vale
para os pobres, os burgueses e os ricos aos quais os burgueses servem.
Finalmente,
sobre educação e responsabilidade serem complementares: CONCORDO! Acho
inclusive que são uma única e mesma coisa. Como exigir responsabilidade de uma
criança de 2 anos, por exemplo, se lhe falta educação? Ainda quanto à
responsabilidade, sugiro ao sr. o estudo da prática da “justiça restaurativa” –
essa, sim, é uma prática que educa, dando responsabilidade. Bem melhor que esquecer
os maiores e menores problemas numa cela e esperar que ocorra um milagre.
Atenciosamente,
Paulo
Barja
28 de abril de 2013
22 de abril de 2013
Pelas tramas dessa vida
(adaptação de canção tradicional colombiana)
Eu canto porque desejo,
eu canto porque preciso:
o som se transforma em beijo
quando encontra o seu sorriso.
eu canto porque preciso:
o som se transforma em beijo
quando encontra o seu sorriso.
Saudade, meu bem, é fogo:
de longe, não vai passar.
Preciso te ver de novo:
só assim vou melhorar.
de longe, não vai passar.
Preciso te ver de novo:
só assim vou melhorar.
Às dez me bateu o sono,
às onze foi que eu dormi;
às duas da madrugada,
acordei pensando em ti!
às onze foi que eu dormi;
às duas da madrugada,
acordei pensando em ti!
Se a gente está com vontade
mas não pode se encontrar,
é só mandar pelo vento,
que o carinho vai chegar.
mas não pode se encontrar,
é só mandar pelo vento,
que o carinho vai chegar.
Cantando, mando um suspiro
com um abraço amarrado:
receba com muito amor,
desamarre com cuidado.
com um abraço amarrado:
receba com muito amor,
desamarre com cuidado.
Se eu digo que já vou indo,
não pense que é despedida:
estamos pra sempre unidos
pelas tramas dessa vida.
não pense que é despedida:
estamos pra sempre unidos
pelas tramas dessa vida.
Estamos pra sempre unidos
pelas tramas dessa vida.
pelas tramas dessa vida.
(Paulo Barja)
21 de abril de 2013
19 de abril de 2013
Frase
Olhar além do próprio umbigo é fundamental:
permite ao menos ver as próprias tripas.
permite ao menos ver as próprias tripas.
(P.R.Barja)
12 de abril de 2013
11 de abril de 2013
Sem retrovisor
(poema-homenagem a um velho espelho retrovisor)
Eu nunca fico parado
pois isso me dá pavor
- preciso andar devagar:
não tenho retrovisor.
pois isso me dá pavor
- preciso andar devagar:
não tenho retrovisor.
Olhando só para a frente,
esqueço o que já passou
- se pude chegar aqui,
adiante agora eu vou.
esqueço o que já passou
- se pude chegar aqui,
adiante agora eu vou.
Sigo pela mesma faixa.
Tudo que vem tem valor
= será que é só por acaso
que estou sem retrovisor?
Tudo que vem tem valor
= será que é só por acaso
que estou sem retrovisor?
P.R.Barja
10 de abril de 2013
9 de abril de 2013
7 de abril de 2013
6 de abril de 2013
sobre um (in)certo marco
Ninguém precisa ser negro ou homossexual para combater o preconceito. Essa é uma batalha de todo cidadão que defende a vida e a liberdade. Quem é "gente do bem e de família" não deveria sair por aí chamando os outros de "depravado".
Mais respeito - e mais amor, por favor!
Mais respeito - e mais amor, por favor!
P.R.Barja
(publicado na seção
"Carta do Leitor",
jornal "O Vale",
06/04/2013)
OS
O cínico disse ao político
(de quem já foi muito crítico):
"De mim ninguém mais se esquece:
vou fundar uma OS!"
(de quem já foi muito crítico):
"De mim ninguém mais se esquece:
vou fundar uma OS!"
P.R.Barja
5 de abril de 2013
Reflexão
Descobri (mero palpite)
do preconceito a razão:
é que "saber" tem limite,
porém "ignorância"... não!
(P.R.Barja)
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