13 de julho de 2017

A Revista VEJA e seus seguidos tiros no pé (a pressa é "iminiga"...)

     Na divulgação da sentença proferida ontem por um juiz de Curitiba contra Lula, um detalhe é revelador de possíveis "ligações perigosas". Até onde sabemos, a primeira postagem de veículo midiático sobre a sentença foi divulgada pela Veja, ainda antes das 14h (a partir das 14h, a notícia multiplicou-se em diversos sítios de notícias). 
     A imagem abaixo (compartilhada ao longo do dia em redes sociais) mostra, porém, que a pressa pode ser inimiga da perfeição - e revela ainda mais:



     Quem trabalha (ou tem contato) com o meio jornalístico sabe que é comum a preparação de versões prévias de notícias, que ficam (ou deveriam ficar) aguardando confirmação e detalhamento de informações para publicação em seguida. No entanto, a "ansiedade vejística" foi tamanha que a matéria saiu com um "XX" no lugar da informação!
     Fica no ar a pergunta: será que houve informação privilegiada (ainda que incompleta)? Ou este foi só mais um exemplo do desleixo e/ou mau jornalismo dessa revista-boa-pra-fazer-papel-machê?
P.R.Barja


O Tema da Vez (e mais uma sextilha da série Cordel-Notícia, 12/07/17)

     No futebol também é assim: em alguns jogos, a estratégia adotada por uma das duas equipes (ou mesmo o estilo desenvolvido por ambas) praticamente conduz o jogo a um determinado resultado final. Ainda que o placar varie, valem máximas como "quem joga para empatar acaba perdendo" e outras, vivas na sabedoria popular. 
     No que se refere ao julgamento do ex-presidente Lula pelo juiz de primeira instância em Curitiba, as duas partes sabiam desde o início que a condenação (por um triplex no Guarujá que nunca foi de Lula) já estava escrita, determinada, ainda que nunca se tenha obtido prova alguma de crime algum. É grave, gravíssimo - mas não chega a surpreender. No entanto, confesso que me equivoquei quanto a cronologia do jogo: imaginei que a "condenação sem provas" sairia pouco antes da votação das alterações da CLT, para tirar a atenção deste que seria o real e imediato problema para a maior parte da população brasileira. Na verdade, ocorreu o contrário: como o (des)governo demonstrou ter maioria para aprovar as reformas, a preocupação (imagino) passou a ser como evitar uma eventual reação intempestiva nas ruas contra a perda de direitos do trabalhador.
     Uma coisa, porém, é certa: independentemente da posição ideológica (contra ou a favor das reformas, contra ou a favor de Lula), está claro para todos que a aprovação destas reformas e o nome de Lula (como líder nas pesquisas para a sucessão presidencial) são dois lados da mesma moeda. Por uma razão bastante simples: Lula é visto por uns e outros como o grande (e talvez único) candidato capaz de reverter as reformas, voltando a salvaguardar o trabalhador. Isto, aliás, não seria bondade alguma: o respeito à própria biografia de Lula assim o exige. 
     Segue o jogo...
*          *          *

Também serei preso, sim:
o triplex nunca foi meu;
o helicóptero do pó
também nunca me valeu
e maleta de dinheiro
nunca recebi... Fodeu!

*          *          *

     Uma das coisas mais importantes que aprendi na carreira acadêmica foi o valor da concisão. Por escrito ou oralmente, quem "enrola" muito na defesa de sua tese demonstra insegurança e/ou tenta disfarçar falhas utilizando verborragia.
     A sentença de Moro contra Lula tem 218 páginas.
     É autoexplicativo.
P.R.Barja

7 de julho de 2017

Um cordel feito ao vivo

No final de junho/2017, fui chamado a colaborar com a programação "Fora da Caixa", do Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos. Minha tarefa era desafiadora: eu deveria acompanhar o bate papo com os autores Paulo Freire e Tenório Cavalcanti e fazer inserções poéticas na forma de cordel, compondo em tempo real um folheto sobre o encontro. Nasceu aí o Cordel Joseense 76 (clique no link abaixo para conhecer o texto na íntegra).



5 de julho de 2017

Manifesto semafórico (limeriques joseenses)

   Desde o início de 2017, tem ocorrido um embate (infelizmente embate mesmo, mais que debate) entre a administração municipal de São José dos Campos e os artistas da cidade. Como ponto-chave neste tensionamento, tivemos as discussões sobre o PL215/17, apresentado pela bancada governista na Câmara Municipal. O projeto ficou conhecido como "proibição de malabares em semáforos joseenses", mas (infelizmente) é ainda mais amplamente grave a situação, pois a (agora aprovada) lei instaura condicionamentos à apresentação de qualquer trabalho cultural e/ou artístico em espaços públicos da cidade! Todos, incluindo os malabares, devem agora cadastrar-se previamente e aguardar autorização da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR) para apresentações, que obrigatoriamente devem conter repertório e roteiro definidos (isto é uma quase-impossibilidade, tratando-se de arte de rua em que a interação em tempo real impõe eventualmente alterações significativas na apresentação).
   Aprovado dia 8/junho/2017, o projeto entra em vigor 30 dias após aprovação. Neste cenário e contexto, postamos a seguir a série de limeriques criada contra este projeto/lei, que segundo nosso entendimento reinstala a censura em terras joseenses.
   São poemas curtos e bem humorados. Recomenda-se a leitura em semáforos joseenses!

ANARCOVERSOS
PRA D/R-ECLAMAR
EM VIAS PÚBLICAS
#SãoJoséDosAbsurdos
#SomosTodosArtistasDeRua

1
Uma vez houve 1 certo estrupício:
sem pensar - era muito difícil! 
proibiu a Poesia
mas ficou com azia
pois poeta tem muito artifício!

2
O prefeito botou pra ferver
e mostrou que era ruim de doer:
- Malabares não dá!
Eu proíbo isso já!
Só porque não sabia fazer...

3
O prefeito ralhou, de pirraça:
- Eu proíbo palhaço e palhaça!
Mas... proíbe por que?
Eu explico a você:
esse alcaide foi sempre sem graça...

4
Cantador bom e bem preparado
canta em praça e jamais é vaiado:
- Faço o povo feliz!
Se o prefeito não quis,
tá provando que é desafinado...

5
O prefeito mandão não se cansa
e na rua proíbe até dança...
- Mas a dança é no pé; 
se o senhor tem chulé, 
ponha talco e não seja criança!

6
Para artistas o alcaide diz não
e ameaça com proibição 
mas parece esquecer
(ou precisa aprender)
que nós temos Constituição!

7
Se o eleito relincha de fato, 
a Cultura é que vai pagar pato?!
Sem artista ou teatro,
só andando de quatro:
ferradura em lugar do sapato!

8
Se o alcaide governa a galope,
quando empina não há mais quem tope.
Chega de proibir:
Arte vai resistir!
Sem Cultura, acabou seu Ibope...

9
A cidade é lugar de debate;
nunca pode ser campo de abate!
Ninguém vai se calar,
pois, se a Arte acabar,
logo a elite não fala, só late...

10
Não se pode impedir cidadão
de expressar a sua opinião:
malabares, cantor,
dançarino ou ator
- rua é nossa também, por que não?

11
O teatro que foi restaurado
já foi logo em seguida fechado.
Vai fechar também rua?
A verdade está nua:
não é culto esse alcaide, coitado...

P.R.Barja

4 de julho de 2017

Pinheirinho dos Palmares, terra de esperança

PRÉ-HISTÓRIA

   Para quem não conhece a história, vale contextualizar: em 2012, o governador de SP empregou 2.200 policiais na operação de invasão àquela que era, até então, a maior ocupação popular da América Latina. Cerca de 1600 famílias (perto de oito mil pessoas) foram retiradas à força do terreno ocupado na divisa entre São José dos Campos e Jacareí.
   A operação foi feita, por incrível que pareça, para beneficiar Naji Nahas, que tem em seu currículo de megaespeculador a façanha de haver exterminado a Bolsa de Valores do RJ, após a emissão de dezenas de cheques milionários - sem fundos. Nahas foi condenado, mas aqui em São José dos Campos escondeu-se atrás do nome Solectron para manter (e não utilizar) por mais de 20 anos uma extensa área em São José. Observação importante: os caminhos até que esse terreno virasse propriedade de Nahas são, no mínimo, suspeitos, uma vez que a família de alemães proprietária das terras foi assassinada no final da década de 1960, quando a propriedade passou para o Estado de SP...
   No início de 2004, a área foi ocupada inicialmente por 200 famílias. O Pinheirinho cresceu, com a construção de casas de alvenaria, estabelecimentos comerciais, um parquinho recreativo, igreja: tornou-se, enfim, mais um bairro joseense à espera de regularização (como havia acontecido com o Campo dos Alemães anos antes; em 2012, eram mais de 90 os bairros joseenses aguardando regularização).
   Nahas, mesmo afogado em dívidas inclusive com a prefeitura de São José dos Campos (não pagava os impostos sobre o terreno, devia décadas de IPTU), seguia lutando pela propriedade.
   Em 22 de janeiro de 2012, enquanto o prefeito Cury (PSDB) se escondia na praia, a PM prestou serviço a Nahas, retirando os moradores do bairro. Houve tiros e muito gás lacrimogêneo. Dezenas de feridos. Ironicamente, a população da parte rica da cidade manifestou preocupação quanto aos... cachorros perdidos na operação. É verdade: o prefeito chegou a contratar estabelecimentos particulares para cuidar dos cães.  Quanto às famílias desalojadas, contribuiu com a quantia de 100 reais mensais para as famílias que se cadastraram, valor este complementado pelo governo estadual. 
   A promessa: em um ano e meio, surgiria em outro local um outro bairro para acomodar os antigos moradores do Pinheirinho. Mas a promessa não foi cumprida, ou melhor, só foi cumprida sob a prefeitura de Carlinhos Almeida (PT), já em 2016. 

PINHEIRINHO DOS PALMARES

   O jornal local, que havia trabalhado midiaticamente contra os moradores do Pinheirinho desde setembro de 2011 (como prova artigo de P.R.Barja e C.R.Lemes, premiado em congresso), passou a tratar o novo bairro - Pinheirinho dos Palmares - de modo tendencioso e negativo, comparando-o ao que classificavam como território do crime. 
   Com o tempo, aprendemos a não acreditar nos jornais. Ou melhor, a exercer uma leitura crítica e buscar, sempre que possível, a verdade que "está lá fora". Nesse caso, impunha-se a visita ao novo bairro. E a oportunidade surgiu da maneira mais bonita possível: fomos convidados a participar de um evento comunitário no bairro (meu papel, em particular, seria o de apresentar cordéis para as crianças).
   No primeiro domingo de julho de 2017, a comunidade do Pinheirinho dos Palmares lançou o projeto Sementes Pela Paz, que visa levar arte, cultura, esporte e cidadania às crianças do bairro. O evento reveste-se da maior importância e é um símbolo do poder de organização da coletividade - independentemente de qualquer ligação com instituições políticas. Nossa participação se dá por solidariedade, e a divulgação destas imagens visa levar a verdade aos cidadãos joseenses e brasileiros: ao contrário do que o jornal local quer fazer crer, o Pinheirinho dos Palmares é SIM um exemplo de cidadania e de gente sem medo de trabalhar pelo bem coletivo.
   Como diz a galera do rap: máximo respeito por essa comunidade! Seguem fotos.

Vista parcial do bairro novo, na chegada
A EMEF Pinheirinho dos Palmares. Nas comunidades da periferia, a escola reveste-se de importância adicional, pois é um "centro natural" para atividades como as oficinas culturais propostas pelo projeto SEMENTES PELA PAZ
A parcela infantil da comunidade, público preferencial dos Cordéis Joseenses
Começando a apresentação com adivinhas em cordel
"Quero ver você acertar:
de que bicho eu estou falando?"

Atenção, concentração total da galera

Início da caminhada pela paz, em direção à escola.
Sem medo de chuva!
"Caminhando e cantando..."

Ações de cidadania são essenciais para todos nós. Todos!

Rappers, ativistas, escritores
Rappers, ativistas, escritores (2) - e até a próxima!

30 de junho de 2017

Cordel-Notícia (30/6/17)

Ainda que sem periodicidade definida, iniciaremos aqui um exercício buscando aliar literatura e atitude cidadã. Trata-se de uma série de notícias comentadas sob a forma de "cordel-notícia". Eis a primeira edição...:


SEXTILHAS SUPREMAS

Eis o SUPREMO negócio
que eu ofereço a vocês:
um TRIBUNAL FEDERAL
inteirinho, de uma vez,
e vendido com desconto
só pra terminar o mês!

Não fiquem aí parados:
comprem logo, tá barato!
E eles aceitam de tudo:
jantar, caviar, até pato...
E com senador suspeito
chegam a tirar retrato!

Vocês ficarão felizes.
Só não esperem justiça:
isso é coisa trabalhosa
que neles só dá preguiça!
Melhor então ir à igreja
e rezar depois da missa...


SEXTILHAS SOBRE O AÉCIO

Temer volta - que absurdo! -
a ter o seu aliado
e capanga preferido,
podre Aécio, no senado.
O povo mal acredita:
fica assim abestalhado!

A imprensa foi na carreira
entrevistar o farsante,
mas encontrou tal poeira
na casa do meliante
que a entrevista mostrou-se
inviável nesse instante.

A assessora de Aécio
informa que há um porém
e que entrevistá-lo agora
é coisa que não convém:
- Quando ele enfim ficar sóbrio,
  fala com vocês, tá bem?

P.R.Barja

29 de junho de 2017

Anotações sobre "Apocalípticos e Integrados" (I)

   A partir da leitura do livro Apocalípticos e Integrados, clássico de Umberto Eco, proponho-me a publicar por aqui breves notas - quem sabe aproveitáveis em futuros trabalhos acadêmicos. Começando...



25 de junho de 2017

Assim Não(,) Vale! Errando é que o jornal acerta



   A capa do jornal "O Vale" (edição de 24 e 25/junho/2017) é curiosa: ao "errar", o jornal acerta. Referindo-se ao período da ditadura civil-militar das décadas de 60 e 70, a manchete no entanto traz o verbo no tempo presente: "... faz mais de 700 operações na região em meio à Ditadura". Quem conhece a linha editorial d´O Vale sabe que não se trata de uma crítica indireta ao atual (des)governo brasileiro. Pois bem: a frase ganha ainda mais força por se constituir em ato falho - é aquela verdade que escapa, que se deixa passar, que não pode ser (mais) escondida.
   No Editorial, o jornal alerta sobre os perigos da ditadura e destaca a perda de liberdade. Somando-se o alerta à manchete, temos bom assunto para reflexão... 

6 de março de 2017

CARTA AO MESTRE



recebo agora, mestre, o teu poema
falando de hoje mesmo. no Brasil
vivemos tempo incerto, bem o sabes
- pequenos crimes líricos nos salvam -

vivemos esse recapeamento
que cobre as cores com o cinza asfáltico 
porém nem bem assenta e as fissuras 
começam a surgir, anarcofendas

a tua escrita jovem me energiza
e aguça meu olhar interior
não há terror aqui. sobrevivemos
e a hora de um incêndio se aproxima

chegou em boa hora o teu poema
o tempo é mesmo um deus provocador
soubeste viajar usando os versos
e aqui chegaste sem um arranhão

trabalhas nas fissuras. apreendo
a relatividade e seu lirismo
com rimas ou sem rimas: eis o homem
cantando sempre à beira de um abismo

releio o teu poema, amado mestre
a data é de 70 anos atrás
os dramas são perenes. já sabias.
a tinta ainda parece por secar

agora volto à luta, renovado
desmorto, renascido, sempre vivo
que meu abraço chegue até aí
na força desse afeto subversivo

a vida segue indefinida e vasta
nenhum de nós se chama Raimundo
senhores, uma rosa fura o asfalto!
é feia, mas é tua: é do Drummond.
P.R.Barja

13 de fevereiro de 2017

O Impacto do Ensino da Arte (ouvindo Camille Paglia)


(obs.: versão condensada de entrevista com Camille Paglia publicada originalmente no site http://fronteiras.com/canalfronteiras/entrevistas/?16,341, sob o título "O impacto do ensino da arte (ou da falta dele) na percepção do mundo")

   (...) A escritora norte-americana Camille Paglia é conhecida por desafiar as ideias em voga nos mais diversos campos. Professora de Humanidades e Estudos Midiáticos da University of the Arts da Filadélfia, é autora de obras que misturam cultura pop, história da arte, sexualidade e os diferentes meios que tornam o homem um espectador: seja na frente da televisão, de um Pollock ou de sua própria vida.
   Em sua mais recente obra, Imagens cintilantes - uma viagem através da arte desde o Egito a ‘Star Wars’ (Apicuri, 2014), Camille retorna ao local que a consagrou, a crítica à arte contemporânea. No livro, a autora de Personas Sexuais analisa 29 obras que considera fundamentais na História da Arte e afirma, com certa decepção, que os jovens deixaram ofícios como a pintura e a escultura para emprestar sua lealdade à tecnologia e ao design industrial.
   Em entrevista, Paglia resumiu o panorama que motivou a produção do livro:         “O olho sofre com anúncios piscando na rede. Para se defender, o cérebro fecha avenidas inteiras de observação e intuição. A experiência digital é chamada interativa, mas o que eu vejo como professora é uma crescente passividade dos jovens, bombardeados com os estímulos caóticos de seus aparelhos digitais. Pior: eles se tornam tão dependentes da comunicação textual e correio eletrônico que estão perdendo a linguagem do corpo.” De acordo com ela, esta degeneração gradativa da percepção/expressão nasce do mercado – das galerias às instituições de ensino.
   Segundo a norte-americana, este mercado não é apenas um objeto a ser combatido, mas sim um profundo problema de visão sobre a vida, que parte, também, do espectador. Ensinado a enxergar o mundo apenas de forma política e ideológica, o homem contemporâneo teria perdido a esfera do sensível, do invisível, do metafísico.     A isso, somam-se a rapidez da tecnologia e a promessa de lucro aos artistas, que acabam trocando o lento processo de aprendizado por contratos exclusivos ou por telas digitais.
Longe de ser uma questão restrita a quadros e esculturas, este contexto de constante estímulo atinge a sociedade como um todo, como Camille argumenta logo na introdução da obra:
   “A vida moderna é um mar de imagens. Nossos olhos são inundados por figuras reluzentes e blocos de texto explodindo sobre nós por todos os lados. O cérebro, superestimulado, deve se adaptar rapidamente para conseguir processar esse rodopiante bombardeio de dados desconexos. A cultura no mundo desenvolvido é hoje definida, em ampla medida, pela onipresente mídia de massa e pelos aparelhos eletrônicos servilmente monitorados por seus proprietários. A intensa expansão da comunicação global instantânea pode ter concedido espaço a um grande número de vozes individuais, mas, paradoxalmente, esta mesma individualidade se vê na ameaça de sucumbir.
   Como sobreviver nesta era da vertigem? Precisamos reaprender a ver. Em meio à tamanha e neurótica poluição visual, é essencial encontrar o foco, a base da estabilidade, da identidade e da direção na vida. As crianças, sobretudo, merecem ser salvas deste turbilhão de imagens tremeluzentes que as vicia em distrações sedutoras e fazem a realidade social, com seus deveres e preocupações éticas, parecer estúpida e fútil. A única maneira de ensinar o foco é oferecer aos olhos oportunidades de percepção estável – e o melhor caminho para isso é a contemplação da arte.”
   Ainda em seu texto introdutório, Camille critica as instituições de ensino por falharem completamente no ensino da visão que nos tiraria desta vertigem. Se precisamos reaprender a ver, as faculdades de arte, para ela, poderiam ser consideradas mais um empecilho do que uma parceira nesta tarefa. Leia, abaixo, o que ela tem dizer sobre isso a partir de excerto do livro Imagens cintilantes:
   “É de uma obviedade alarmante que as escolas públicas norte-americanas têm feito um mau serviço na educação artística dos estudantes. Da pré-escola em diante, a arte é tratatda como uma prática terapêutica – projetos com cartolina do tipo “faça você mesmo” e pinturas com os dedos para liberar a criatividade oculta das crianças. Mas o que de fato faz falta é um quadro histórico de conhecimentos objetivos acerca da arte. As esporádicas excursões ao museu, mesmo que haja um por perto, são inadequadas. Os cursos de história da arte deveriam ser integrados ao currículo do ensino primário, fundamental e médio - uma introdução básica à grande arte e a seus estilos e símbolos. O movimento multiculturalista que se seguiu à década de 1960 ofereceu uma tremenda oportunidade para expandir o nosso conhecimento do mundo da arte, mas suas abordagens têm com demasiada frequência sacrificado a erudição e a cronologia em favor de um partidarismo sentimental e de queixumes rotineiros.
   Era de se esperar que as faculdades que oferecem cursos de artes liberais dessem ênfase à educação artística, mas não é esse o caso. O atual currículo, de estilo self-service, torna os cursos de história da arte disponíveis, mas não obrigatórios. Com raras exceções, as universidades abandonaram toda noção de um núcleo de aprendizado. Os departamentos de humanidades oferecem uma mixórdia de cursos feitos sob medida para os interesses de pesquisa dos professores. Tem havido um gradual eclipse, nos Estados Unidos, do curso de história geral da arte, que cobria magistralmente, em dois semestres, da arte das cavernas ao modernismo. Apesar de sua popularidade entre os estudantes, que se recordam deles como pontos culminantes em suas vivências universitárias, os cursos gerais são cada vez mais vistos como excessivamente pesados, superficiais ou eurocêntricos – e não há mais vontade institucional de estendê-los para a arte mundial.
   Jovens professores, criados em meio ao pós-estruturalismo, com sua suspeita mecânica da cultura, consideram-se especialistas, e não generalistas, e não foram treinados para pensar sobre trajetórias tão vastas. O resultado final é que muitos alunos de humanidades se formam com pouco senso da cronologia ou da deslumbrante procissão de estilos que constituía a arte ocidental.
   A questão mais importante acerca da arte é: o que permanece e por quê?
   As definições de beleza e os padrões de gosto mudam constantemente, mas padrões persistentes subsistem. Defendo uma visão cíclica da cultura: os estilos crescem, chegam ao ápice e decaem para tornarem a florescer, num renascer periódico. A linha de influência artística pode ser vista claramente na cultura ocidental, com várias interrupções e recuperações, desde o Egito antigo até hoje – uma saga de 5 mil anos que não é (como diria o jargão acadêmico) uma “narrativa” arbitrária e imperialista. Grande número de objetos teimosamente concretos – não apenas “textos” vacilantes e subjetivos – sobrevivem desde a antiguidade e as sociedades que moldaram.
   A civilização é definida pelo direito e pela arte. As leis governam o nosso comportamento exterior, ao passo que a arte exprime nossa alma. Às vezes, a arte glorifica o direito, como no Egito; às vezes, desafia a lei, como no Romantismo.
   O problema com abordagens marxistas que hoje permeiam o mundo acadêmico (via pós-estruturalismo e Escola de Frankfurt) é que o marxismo nada enxerga além da sociedade. O marxismo carece de metafísica – isto é, de uma investigação da relação do homem com o universo, inclusive a natureza. O marxismo também carece de psicologia: crê que os seres humanos são motivados apenas por necessidades e desejos materiais. O marxismo não consegue dar conta das infinitas refrações da consciência, das aspirações e das conquistas humanas.
   Por não perceber a dimensão espiritual da vida, ele reduz reflexivamente a arte à ideologia, como se o objeto artístico não tivesse outro propósito ou significado além do econômico ou do político.
   Hoje, ensinam aos estudantes a olhar a arte com ceticismo, por seus equívocos, suas parcialidades, suas omissões e ocultos jogos de poder. Admirar e honrar a arte, exceto quando transmite mensagens politicamente corretas, é considerado ingênuo e reacionário. Um único erudito marxista, Arnold Hauser, em seu épico estudo de 1951, A história social da arte, teve bom êxito na aplicação da análise marxista, sem perder a magia e o mistério da arte. E Hauser (uma das influências iniciais do meu trabalho) trabalhava com base na grande tradição da filologia alemã, animada por uma ética erudita que hoje se perdeu.
   A arte é o casamento do ideal e do real. Fazer arte é um ramo da artesania. Artistas são artesãos, mais próximos dos carpinteiros e dos soldadores do que dos intelectuais e dos acadêmicos, com sua retórica inflacionada e autorreferencial. A arte usa os sentidos e a eles fala. Funda-se no mundo físico tangível.
   O pós-estruturalismo, com suas origens linguísticas francesas, tem a obsessão pelas palavras e, com isso, é incompetente para interpretar qualquer forma de arte além da literatura. O comentário sobre arte deve abordá-la e descrevê-la em seus próprios termos. Deve-se manter um delicado equilíbrio entre os mundos visível e invisível. Aqueles que subordinam a arte a uma agenda política contemporânea são tão culpados de propaganda e rigidez literal como qualquer pregador vitoriano ou burocrata stalinista.

Quem Paga Essa Conta?

(artigo de Oswaldo Almeida Jr e Paulo Roxo Barja)

     Não é novidade que os investimentos em arte e cultura sejam vistos, por boa parte dos gestores públicos, como dinheiro jogado fora. Os argumentos usuais são o de que haveria áreas também deficitárias em que o recurso seria mais importante e o de que dinheiro público não deve servir à manutenção de artistas que, “se fossem bons mesmo”, deveriam buscar sua subsistência no mercado. Há aqui, no entanto, um vício de origem. É comum que se veja o trabalho com cultura como algo importante para artistas e produtores, mas não para a população. Em outras palavras, há quem ignore o valor do trabalho artístico como ação voltada à comunidade e pense que a verba para cultura serve apenas para que os artistas paguem suas contas e “façam festas”. Pensando assim, caem no senso comum de indicar diversas áreas em que o recurso seria melhor aproveitado.

     No entanto, são raras as críticas a investimentos na área de desenvolvimento econômico. Os milhões investidos em parques tecnológicos ou a renúncia fiscal voltada à atração de empresas são vistos como investimento necessário e urgente. Mas esses recursos não beneficiam diretamente a população; assim como na área da cultura, vão para agentes que (espera-se) transformarão o recurso em resultados para o cidadão. Mesmo em áreas como Saúde, o recurso público é destinado a profissionais que, a partir disso, criam ações voltadas ao atendimento das pessoas. Assim, por que só os agentes culturais são vistos como “aproveitadores do dinheiro público”?

     Na Cultura, ao contrário do que ocorre na economia, os números de atendimento à população parecem não ter importância, mesmo com dados concretos a justificar os investimentos. Muitos gestores – e parte da sociedade – ignoram os resultados da ação cultural no desenvolvimento humano (algo intangível, subjetivo); assim, quando se fala em cortes no orçamento, começam cortando recursos da Cultura. Imagine agora o que aconteceria se as pessoas se recusassem a ouvir o relato de um amigo que defendesse o corte de verbas para Cultura, mas quisesse contar suas andanças pelos museus de Paris ou suas leituras mais recentes. Chato, né?

     Para avaliar a falta que as ações artísticas fariam no cotidiano de uma população, imaginem que por um dado período todos os cinemas e teatros fossem fechados e todos os shows e saraus proibidos, assim como as festas de cultura popular e as aulas de Arte nas escolas. Há quem defenda isto, “em nome da ordem e da produtividade”! Mas viver assim seria triste, e pouco humano...

     Felizmente, a arte dispensa autorizações para sua realização. Independentemente do poder público e da verba, a arte continuará existindo – e resistindo. Mas, sem recursos, a população ficará sem acesso à cultura produzida em sua comunidade. Sem recursos públicos, os resultados do trabalho artístico e cultural ficarão restritos a poucos privilegiados. E o povo ficará sujeito ao mínimo que o Estado estiver disposto a oferecer: o mínimo de renda, o mínimo de cultura, o mínimo de saúde. Cuidado.

25 de janeiro de 2017

Arte e Estado

(Versão condensada e comentada por Paulo Barja para o texto “Por qual dinheiro? O artista diante do poder”, de Andrzej Wajda, in: WAJDA, A. Um Cinema Chamado Desejo. Petrópolis: Campus, 1989)

   Uma vez que boa parte da produção artística é, direta ou indiretamente, financiada pelo Estado, colocam-se diante de nós algumas perguntas. A principal delas: quem, afinal, é o responsável pela obra produzida? Não importa quem financia: em última análise, o responsável é sempre o artista – e é assim que tem que ser.
   Para o Congresso da Cultura Polonesa de 1981, Andrzej Wajda preparou o texto “O mecenato do Estado e a liberdade do artista”, que em linhas gerais diz o seguinte:

   (...) O mecenato do Estado tem funções diferentes e uma ingerência diferente nos diferentes domínios das artes. Há domínios em que a ingerência do Estado é limitada ou pode até ser ignorada. Assim, pode-se pensar de graça. A escrita de um romance custa uma soma irrisória. (...) Da mesma forma, pode-se, por uma soma um pouco maior, produzir obras de artes plásticas que sejam belas, importantes, duradouras. O cinema, infelizmente, qualquer que seja seu tema, precisa de dinheiro, de milhões (vale o mesmo para uma grande orquestra ou para a produção de um grande musical).

   Pois bem: o Estado destinou do seu Tesouro uma soma milionária para meus filmes. Ora, de acordo com minha consciência de artista, não contraí por isso nenhuma obrigação ideológica para com esse mecenas. Isso significa que, usando dinheiro público para minha produção artística, enganei o Estado? Não, porque tomei dinheiro público e o utilizei para o bem público. (...) A existência de público para o trabalho sustenta minha convicção de que aquela arte era necessária (e não um luxo ou uma extravagância).

   Podem me responder que muitas obras de arte ruins mobilizam grande público. Sim, mas é certo que não haveria utilidade pública nenhuma em salas de espetáculo onde se sentasse sozinho e contente consigo mesmo apenas o agente financiador - o Estado (pensem: qual a utilidade pública de salas de espetáculo vazias? Isso é tão absurdo quanto limitar o acesso de alunos a uma biblioteca escolar “para evitar bagunça”).

   Eu recebia, assim, o dinheiro do Estado mecenas sentindo-me livre, porque jamais considerei que se tratasse de meu dinheiro. Sempre me esforcei para que o dinheiro retornasse, de algum modo, ao lugar de onde fora emprestado: o Tesouro nacional (percebam a ética do processo: a produção não se fez pelo dinheiro! O dinheiro é que foi disponibilizado para a produção. Isso faz toda a diferença).
Em países ocidentais, é considerado produtor e mesmo, em certa medida, criador de uma obra de arte aquele que consegue reunir o capital necessário para sua produção. (...) Contudo, aprendi muito jovem que o valor supremo é o trabalho. Assim, o criador não pode ser outro senão quem contribui com mais trabalho: a equipe e a pessoa que a dirige. Nunca me preocupei muito com a opinião das autoridades, sua reserva ou mesmo oposição a alguns de meus projetos. Minha verdadeira preocupação era com o público, sobretudo “se eu conseguiria me comunicar com ele” (Wajda defende que o financiador não tenha ingerência sobre o trabalho do artista. Faço uma analogia futebolística: a Nike não poderia influenciar na escalação da seleção brasileira. Por sinal, seria fantástico aplicar isso à política: o financiador de campanha não poderia ter ingerência sobre o trabalho do político, que deveria sempre representar os interesses do povo. Sabemos que geralmente não é bem o que acontece).

   (...) Por que o artista deve ser livre? Para poder penetrar no espírito das pessoas e expressar suas inquietudes, esperanças e ilusões! O Estado não saberia fazer isso em meu lugar. Por que um funcionário do Estado conheceria esse segredo melhor do que o artista? Em virtude de sua função? Acho que a paz silenciosa dos escritórios oficiais e roteiros longamente debatidos e preparados podem chegar a uma revelação... Na maioria das vezes, lengalengas dessa ordem dão lugar a obras indigestas, sem alma nem rosto (este é nosso argumento para defender que a gestão cultural seja exercida por gente próxima à área e aberta ao diálogo, e não entregue a “qualquer bom administrador, de preferência com formação jurídica”, como vemos ocorrer com triste frequência).

   Somente o artista pode responder pelo que diz ao público. Empregando sua liberdade, o artista deve, às vezes, fazer seu público compreender o que não teria condições de perceber sem a obra de arte. Ele tem necessidade de uma liberdade dupla: em relação ao poder e em relação ao público. Apenas os maiores conseguem atingir essa liberdade e merecem nosso reconhecimento. Quanto ao mecenas, que ele se lembre: a Arte só se desenvolve à medida que o povo consegue impor ao poder importantes concessões.

*   *   *

Uma colocação anticlímax ao final deste texto: o discurso original de Wajda nunca foi proferido, pois na ocasião o governo polonês cancelou o congresso. É triste, mas parece haver analogia entre esse fato e diversas situações vividas no Brasil. Diante do fechamento de oficinas culturais e dos repetidos cortes de verbas públicas para a cultura, perguntamos: será que os cortes são uma punição imposta aos artistas pelo Estado, que deseja controlar a criação artística e não consegue entender ou aceitar a liberdade criativa? Reflitamos.

Orquestra, Cultura, Cidade (jornal "O Vale", 14/jan/2017)




24 de janeiro de 2017

Cultura e Bem Estar

Trecho do artigo "The Impact of Culture on the Individual Subjective Well-Being of the Italian Population", Applied Research Quality Life, 2010 (DOI 10.1007/s11482-010-9135-1), de E.Grossi, P.L.Sacco, G.T.Blessi & R.Cerutti
Traduzido, adaptado e comentado por Paulo Barja

   O termo “Cultura” é repleto de complexidades e ambiguidades. Para pesquisadores, há ao menos três diferentes sentidos que podemos atribuir ao termo, como segue:

   1º: Cultura pode ser vista como um conjunto de características associadas ao desenvolvimento humano e social e que são transmitidas de uma geração a outra através de diversos mecanismos. Estes traços podem ser cultivados e desenvolvidos, como por exemplo uma forma de canto tradicional ou um modo específico de enfeitar ou movimentar o corpo, mas é o fato de ser cultivado em um contexto social específico que determina a permanência daquela característica, tanto no indivíduo quanto em nível social.

   2º: Cultura pode envolver também a aquisição intencional de capacidades e competências que vão além de características socialmente transmitidas, relacionando-se portanto com a determinação pessoal, ainda que estas características sejam instrumentais, ou seja, estejam a serviço de objetivos cuja natureza não é intrinsecamente cultural. Um exemplo seria o aprendizado de uma língua estrangeira com o objetivo de “conseguir um emprego melhor”.

   Há estudos apontando a conexão entre o acesso à Cultura (em qualquer das acepções acima) e a qualidade de vida. Uma possível explicação: o maior acesso à Cultura faz o indivíduo avaliar melhor as diversas possibilidades de escolha diante de si – e melhores escolhas levam a uma melhor qualidade de vida. Observem que isto vale para tudo: alimentação, política...

   3º: Pode-se pensar Cultura também como um conjunto de capacidades e competências adquiridas e desenvolvidas por motivação explicitamente cultural, como quando se busca o acesso, produção e desfrute de atividades culturais para deleite próprio e/ou de outros.

   A relação entre bem-estar e este significado de Cultura pode soar intrigante para quem pensa em experiências culturais meramente em termos de lazer e entretenimento, ou seja, atividades boas, mas que não teriam grande efeito no bem estar ou na Saúde, quando comparadas a fatores como nível de renda, por exemplo. No entanto, experiências culturais revelam-se bem mais que “uma boa forma de se passar o tempo”: podem ser essenciais ao despertar disposição para buscar satisfação com a vida, novamente influenciando nas escolhas de estilo de vida e muito mais.

*   *   *

Uma vez estabelecida esta relação entre Cultura e bem estar, pergunta-se: a quem interessaria cortar investimentos em Cultura? Por que limitar o acesso da população a bens culturais? Eis uma resposta triste e maquiavélica, porém não desprovida de sentido: isso seria interessante àqueles que preferem ter sob sua administração uma população com menor condição de escolha. Proponho que reflitamos sobre isso.

13 de outubro de 2016

ESTATÍSTICA - Cidadania e utilidade pública

No início de outubro, o Ministério do Trabalho do Brasil divulgou vídeo com distorções numéricas para induzir o povo a pensar que há férias excessivas no Brasil. Seguem elas:

1) DISTORÇÃO 1 - Citam "dias úteis de férias" (DESCONTAM, portanto, fins de semana) para todos os países EXCETO o Brasil, onde entram "dias corridos de férias" (assim aumentam em 9 o número de dias no Brasil)

2) DISTORÇÃO 2 - Excluem "misteriosamente" da estatística países como França e Reino Unido, que segundo dados OFICIAIS da OIT apresentam mais dias de férias que o Brasil.

Pois bem: preparei 1 gráfico mais honesto que o do Ministério para completar esta denúncia.
Após o Ministério do Trabalho do Brasil divulgar "equivocadamente" a contagem dos dias de férias de vários países para "concluir" que as férias do brasileiro são das mais altas do mundo, tomei a liberdade de fazer um trabalho estatístico que consistiu em calcular a mediana, média e desvio padrão para a variável "Dias úteis de férias" para um conjunto de países.
O resumo está no gráfico a seguir.


Percebam: o Brasil está rigorosamente na média em relação ao conjunto de países avaliados.
O único país que destoa do restante do mundo (muito fora da margem de erro) é a China.

#ABatalhaÉMidiática
#AnáliseCrítica 
#AquiTemAula
#EducarÉResistir
#EstatísticaCidadã
#SóAVerdadeCombateAMentira

2 de agosto de 2016

Andanças poéticas - Julho/2016

Com a vida corrida e a tendência de privilegiar postagens rápidas no Facebook, o blog acabou ficando meio abandonado... Busco retomar aqui, sintetizando as últimas apresentações e andanças poéticas: