1 de agosto de 2014

Versos A Moraes

(um poema da madrugada pós-ValeSul)


O Método do Grande Irmão


Agosto - mês de cachorro louco, dizem alguns  -se aproxima. E eis que a CCR Nova Dutra adota o método 1984: anuncia o aumento dos pedágios... SEM utilizar a palavra “aumento”! Nem sequer o termo “reajuste” é mencionado.
O informativo (fartamente) distribuído aos motoristas (em cada um dos muitos pedágios da Via Dutra) diz apenas que “passam a vigorar novas tarifas de pedágio da Rodovia Presidente Dutra”. Lança, em seguida, um singelo convite à população:
“Conheça os valores das tarifas: ...”
Imagino que os próximos comunicados sobre aumento no valor do pedágio falarão de “redução com sinal trocado”. Num estágio mais avançado de desfaçatez, talvez cheguem a festejar a “ótima notícia: valores mais adequados para o pedágio”!
Não é novidade: na sociedade descrita por George Orwell no livro 1984 (escrito em 1948), simplesmente altera-se o registro do passado, para cercear qualquer possibilidade de análise crítica. Deste modo, por exemplo, um aumento de R$2,50 para R$2,70 pode ser anunciado como:
“Ótima notícia! Alteração do pedágio para o valor reduzido de R$2,70”
As pessoas, nesse caso, seriam levadas a crer que houve um decréscimo em vez de um aumento, pois o valor antigo seria alterado em todos os registros para parecer que houve uma queda, digamos, de R$3 (valor fictício) para "apenas R$2,70".
Estejamos atentos.
31/julho/2014

19 de julho de 2014

haikai


no espaço
aquilo que é denso
flutua

(P.R.Barja)

SP oficializando a discriminação: Vagão Rosa no metrô paulista


Acabo de ler que já está na mesa do governador paulista a proposta de criar um VAGÃO ROSA só para mulheres no metrô de SP. A ideia seria "evitar assédio". 
Confesso que não entendo.
Então é assim? Mais uma vez, as "soluções políticas contra a opressão" significam trancafiar os próprios oprimidos? Não seria melhor se todos nos uníssemos para não permitir qualquer tipo de agressão às mulheres?
Sempre é mais fácil jogar a culpa nas vítimas.
Mas é, também, mais covarde.

16 de julho de 2014

Vida em vão? Não!


Que mundo estranho esse:
um pintor passa a vida ouvindo que "não vale nada" (e é tratado como louco);
depois que morre, um quadro seu passa a valer mais de 80 milhões de dólares.
O contrário já seria melhor...
(P.R.Barja)

2 de julho de 2014

Microconto gastronômico



Em 10 minutos, aquela sopa justificou a fome dele pelas 10 horas anteriores.

(P.R.B,)

25 de junho de 2014

Crônicas da Copa: Deus é brasileiro, Neymar também


     Foi por volta dos 15 minutos de jogo. O zagueiro adversário simplesmente empurrou Neymar, arremessando-o contra o alambrado e as câmeras da imprensa. Em seguida, claro, o brutamontes resolveu se fingir de bonzinho e estendeu a mão, mas o jogador brasileiro nem viu. Estava olhando o futuro.

     Um minuto depois, Neymar recebeu na área e fez, num chute de primeira, o gol do Brasil. É assim que ele responde às pernadas: com lirismo. E lirismo de uma eficácia mortal.

     Mas os Camarões ainda não estavam mortos e enterrados. Muito pelo contrário: logo em seguida foram para a frente, meteram uma bola na trave e, segundos depois, empataram o jogo.

     Empate útil: serviu para evidenciar os erros de posicionamento da defesa do Brasil, as falhas de marcação. Isso sem falar em Marcelo, o saltimbanco trapalhão. Desde que fez aquele gol contra nos minutos iniciais da Copa, continua perdido. Enfim...

     Após o empate, todos viram Neymar se aproximando para conversar com Felipão à beira do campo. O técnico do Brasil fazia gestos e caretas. Minha dublagem para a cena:

     – Poxa, professor, quer dizer que agora vou ter que fazer outro?

     – E o que é que EU posso fazer? Vai você, garoto!

     Um minuto depois, Neymar chegou na entrada da área com a bola dominada, cortou o zagueiro e fez outro golaço. Daí em diante foi a torcida em festa até o intervalo. E ali, antes do retorno a campo, houve a cena-resumo da ópera: um jogador da seleção de Camarões foi até Neymar e pediu a camisa do craque – que atendeu na hora. Simples, tranquilo, feliz.

     Que seja um exemplo para todos nós na vida. Tomar empurrão é muitas vezes inevitável, reagir é absolutamente natural – mas saber superar beira o sublime.

     Acontece assim: o gênio esbanja desprendimento e generosidade. O craque joga para a equipe e ajuda a equipe a jogar. No segundo tempo, saiu enfim o primeiro gol de Fred (nosso centroavante, ou seja, aquele que é pago para fazer gols). Alívio e alegria geral da plateia e do time. Todos festejam. São essas comemorações, aliás, que vão aos poucos dando a aura de time, de conjunto e, ouso dizer, de Brasil para a seleção.

     Com o jogo decidido, e percebendo o tamanho dos jogadores de Camarões, o técnico brasileiro tirou Neymar do jogo. Tirou também Hulk e Paulinho, que estavam mal e foram substituídos por Ramires e Fernandinho. Quanto a este último, garanto que muitos estranharam: “Quem? Mas nem no álbum de figurinhas da Copa esse tal de  Fernandinho aparece!”

     O fato é que o autofalante do estádio transmitia o resultado parcial do outro jogo do grupo e o México vencia a Croácia por um a zero, dois a zero, três a zero... epa! Empate no saldo de gols entre México e Brasil. Era urgente fazer mais um gol.

     Acontece assim: o craque, mesmo após a substituição, continua em campo. Inspira os companheiros e a torcida. E foi um inspirado Fernandinho que fez o quarto gol brasileiro (agora, se alguém perguntar quem é Fernandinho, já dá para responder: “aquele do quarto gol”).

     No meio da euforia, ainda tive a sensação de que seria bom olhar o jogo do México. Mudei de canal (sob protestos da plateia presente) bem na hora do gol da Croácia, que reduzia o saldo mexicano e sacramentava o Brasil como líder do grupo.

Um comentário pós-jogo:
Quando o jogador é craque mesmo, é um perigo fazer dois gols numa só partida. Corre-se o risco de esquecer as dezenas de jogadas geniais do sujeito e falar só dos gols. Não vou cometer esse pecado aqui: o que o Neymar fez nesse jogo é coisa de lenda, seja curupira ou saci pererê. Só faltou dar nó em pingo d´água. Após o jogo, um locutor comentava os gols do Neymar dizendo: “coitados dos zagueiros”. Discordo. Na minha opinião, feliz do zagueiro que teve a honra de ser driblado pelo Neymar – pode até pedir a camisa dele para guardar de lembrança.

P.S.: Nos outros jogos, deu o esperado: 1) Holanda 2, Chile 0, placar definido apenas nos últimos 15 minutos, quando a Holanda resolveu jogar de verdade; 2) Espanha 3, Austrália 0, despedida algo melancólica dos ex-campeões mundiais, valorizada pelo belíssimo gol de Villa, de letra.
23/junho/2014

23 de junho de 2014

CR7ônicas da Copa: Até o último instante - e além

      Amigos: falemos sobre EUA x Portugal, este confronto épico e improvável que ocorreu em gramado brasileiro agora à noite. Dramaticidade total! Um placar decidido aos 49 minutos do segundo tempo de jogo – aliás, faltavam 20 segundos para o apito final – comprova de uma vez por todas que estamos vivendo a Copa das Copas. Por isso, não queiram objetividade nesta hora. Não é possível. Um jogo definido deste modo é uma aula sobre Arte e humanidade: aumenta a responsabilidade de atores de teatro e cinema, de bailarinos, compositores, poetas. Sim! Não é possível aceitar a mediocridade – nem nos palcos, nem nos gramados – após testemunhar uma apresentação assim.

      Não estou falando de qualidade ou técnica, compreendam. O que uma partida de futebol como a de hoje nos ensina é que não podemos nos conformar com manifestações artísticas definidas e/ou controladas por bur(r)ocratas via editais. É necessário garantir espaço para a invenção, o improviso, até mesmo para o desespero criativo. Pois foi esse o grande mérito de Portugal neste jogo: o desespero criativo. Acreditar além do possível, ou, por outro ponto de vista, recusar-se a aceitar o que se convencionou chamar de “destino”. Por sinal, há décadas, o próprio gênio mudo falou: “que nossos esforços desafiem as impossibilidades”. Grande Chaplin.

      Vejam que coisa: Portugal, hoje, ensinou-nos a desconfiar do fado, da fatalidade!

      Nunca houve craque tão vilipendiado antes da hora quanto Cristiano Ronaldo. Eleito melhor do mundo recentemente! Mas a humanidade é bárbara, sádica, perversa. Mal começou o jogo e já se lia nas redes sociais as mais terríveis acusações: Cristiano isso, Cristiano aquilo, Cristiano não veio ao Brasil e tal. Querem saber mais o que? Amigos meus, gente boa que conheço, acusou Cristiano de ter virado astro só porque é um jogador que tira a sobrancelha. Sim, meus amigos, até isso foi dito. E o mais incrível é que, por exatos 94 minutos, não houve resposta possível.

      Todos os que viram o jogo perceberam que o crucificado Cristiano enfrenta problemas físicos. É o joelho! Sempre é o joelho. Mas também está nitidamente em estado de exaustão, fraqueza física até. Não sou médico, não sei dar diagnóstico preciso. Pode mesmo ser tristeza, melancolia, dessas que às vezes atingem os melhores do mundo – estaria legitimamente dentro do espírito português algo assim.

      Pois bem: durou 94 minutos isso. Tudo seguia o roteiro já tradicional da Copa 2014: um time faz o primeiro gol e em seguida retrai-se até levar a virada. Com um agravante: o segundo gol dos Estados Unidos foi feito... de barriga! Golpe de sorte, talvez, mas humilhante ao ponto de irritar os deuses. Não se poderia admitir um final de drama assim, tão antidramático – tão pequeno, se me permitem.

      Então aconteceu: no último lance do jogo, Cristiano recebe a bola na direita, corre com ela e faz o cruzamento mais perfeito desta Copa, colhido perfeitamente por Varela para decretar o placar final. Dois a dois, e qualquer definição fica para a próxima rodada.

      As chances de classificação da seleção portuguesa são ínfimas, após esse empate. Mas existem. E, se a Península Ibérica resiste ainda até o fim da semana, isso ocorre graças a Portugal. E a Cristiano, que cristianamente superou a dor, o joelho, a melancolia e nos reensina, mais uma vez, a desafiar as impossibilidades.

      Para mim, este único lance já valeu a vinda de Portugal.

22/junho/2014

22 de maio de 2014

Estatística: preço da gasolina


Ao contrário do que se diz por aí, pesquisa internacional revela que a gasolina no Brasil NÃO é "uma das mais caras do mundo atualmente":


20 de maio de 2014

Estatística: alguns dados comparativos sobre o custo de um estádio de futebol



Aos alunos (FEAU/UNIVAP) da disciplina de Estatística:
Utilizando os dados da Tabela 3, construir o box-plot correspondente a:
i) todos os estádios
ii) somente os estádios brasileiros
iii) somente os estádios de outros países
- em seguida, analisar os resultados obtidos.

Dinâmica (Construção de narrativas e textos): Manchetes Self Service

Dando sequência às dinâmicas da disciplina "Construção de Narrativas e Textos Literários" (Jornalismo/FCSAC/UNIVAP), os alunos trabalharam em grupos para criar "manchetes self service" que serviriam de base para a criação posterior de textos curtos. 
Seguem as "finalistas" da dinâmica (foram produzidas cerca de 25 manchetes no total):


11 de maio de 2014

Poesia Cantada (fotos)

Algumas fotos do show de lançamento dos livros "Anarcopoesia" e "Sonetos" no SESC São José dos Campos:





Fotos: Marco Antonio de Oliveira
Iluminação: William Alves

Clique AQUI para acessar o álbum completo

9 de maio de 2014

ALERTA! PERIGO! Reescrevendo o mestre

Faço aqui uma provocação consciente aos leitores/escritores, a partir da notícia (!) de que Machado de Assis (!!) está sendo "reescrito de modo simplificado" (!!!) por uma escritora, com apoio governamental. Claro que o que verão abaixo é uma radicalização do processo, mas fica o alerta para que não se torne realidade uma profecia expressa por George Orwell no livro "1984" (de 1948). Esse autor dizia que até 2050 não restará mais vestígio das obras de Shakespeare e outros mestres, pois tudo teria sido reduzido e simplificado até lá. Que medo!


6 de maio de 2014

Dinâmica (Construção de narrativas e textos): Notícia Self Service


Uma brincadeira interessante para estimular a criação de narrativas originais (e até surpreendentes) consiste em recortar um jornal e montar uma narrativa (ou uma nova matéria) a partir dos trechos recortados. Aqui, estamos exercitando uma espécie de edição criativa e explicitando (por exagero) um padrão de manipulação da imprensa - a fragmentação. Neste caso, porém, a finalidade é criar novas possibilidades narrativas, explorando a criatividade. Eis um exemplo: