Lirismo para combater a automatização

Lirismo para combater a automatização
#antimáquina

Vídeos (seleção)

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2 de agosto de 2016

Andanças poéticas - Julho/2016

Com a vida corrida e a tendência de privilegiar postagens rápidas no Facebook, o blog acabou ficando meio abandonado... Busco retomar aqui, sintetizando as últimas apresentações e andanças poéticas:







20 de junho de 2016

Lirismo pela inclusão

No sábado 18/6. passei um dia em formação sobre Educação Inclusiva, com a profa. Katia Maria Pereira. Durante essa vivência (inspiradora!), fui anotando pequenos poemas (aldravias e uma sextilha) que aqui transcrevo, na ideia de que modestamente contribuam para uma política de inclusão social - um Lirismo Inclusivo, quem sabe... Mas nem é preciso pensar muito para perceber: TODO lirismo é inclusivo. O que gera exclusão é justamente a falta de afeto, de lirismo...

toda
fragilidade
física
exige
força
espiritual

situação
bastante
delicada,
esta:
chama-se
V I D A

V i v e r
é
lidar
com
nossas
perdas

Meu
coração
deficiente
requer
completa
acessibilidade

Deficiente?
Não:
meu
coração
é
valente

Lento?
Não:
todo
tempo
tem
razão

Muita gente inda confunde
pressa com eficiência
quando lida com pessoas
com qualquer deficiência:
cada coisa tem seu tempo,
há que se ter consciência!

Paulo Barja

27 de janeiro de 2016

23 de dezembro de 2015

poema em resposta

(sobre as ofensas recebidas por Chico Buarque no Leblon)

para bom entendedor
bobagem não é pecado
na minha linha do tempo
comentário é liberado
mas eu quero deixar claro
que na vida tenho um lado
vou muito além de partido
mas meu verso inconformado
será sempre solidário
ao artista achincalhado
que difunde em sua obra
um consistente recado
CasaGrande já existiu
Senzala está no passado
muito falta melhorar
neste Brasil melhorado
mas ofensa se responde
com verso qualificado
canção de grande riqueza
e texto bem humorado

29 de outubro de 2015

10 de junho de 2015

UM RESGATE JUSTO - e necessário


     Como cristão, fiquei sinceramente comovido ao ver a belíssima foto que reproduzo abaixo. A verdade é que, após muitas apropriações da crucificação (principalmente em capas de revistas da grande mídia), finalmente pudemos ver uma imagem que resgata o poder e a força da crucificação de Cristo. 
     Sei que algumas pessoas podem questionar o que considero "resgate justo" da força original da cruz como símbolo cristão. Por que digo isso? Porque Cristo nunca foi personagem de igreja-butique (entrem numa igreja hoje e perguntem onde fica a lojinha, vocês provavelmente encontrarão modelos de cruz de todos os tamanhos e preços). Ao contrário: Jesus foi perseguido, assim como seus seguidores. Viveu à margem da sociedade da época, sendo portanto um "marginal", no sentido estrito do termo. Foi também um "subversivo", para usar um termo que a turma do Bolsonaro adora aplicar (em geral, para as pessoas erradas) ao defender aqueles que não tinham defesa. Observem: nada disso aparece nas capas da Veja e da Placar, quando se utilizaram da cruz. 
     Por fim, ver alguém na cruz inevitavelmente desperta em nós (em mim, pelo menos) piedade, compadecimento... Empatia: "é uma pessoa comum ali, poderia ser você ou seu filho". 
     Viviany Beleboni: obrigado por renovar em mim a fé cristã, nesse mundo tão cheio de gente que ostenta arrogância e intolerância incompatíveis com a fé que dizem professar. 
     Só para lembrar: na mesma semana, o grande Zé Celso teve que se defender num processo movido contra ele por um religioso que se disse ofendido com uma representação ocorrida na PUC, em 2012. Pois bem. Como cristão, digo: VIVA VIVIANY! VIVA ZÉ CELSO!


(Foto: João Castellano, Agência Reuters)

Diariamente (como Caeiro)


Dia após dia, busco na prática o aprendizado dessa arte: "viver". Talvez, um dia, aprenda - tenho esperança. Mas não tenho pressa. É desses casos em que se deve andar reparando bem no caminho...

19 de maio de 2015

Caetano e "Irene"

Sobre Caetano e a história da canção “IRENE”, 1968/69



Sempre achei que IRENE fosse uma das canções leves do Caetano. Não é...

Após ser eliminado do Festival de Música Popular Brasileira por conta de seu discurso em É PROIBIDO PROIBIR (em solidariedade a Gil, também desclassificado), a dupla foi presa e teve os cabelos raspados. Foi na cadeia que Caetano compôs os versos de IRENE. Essa informação é essencial para que se compreenda a letra da canção:


“Eu quero ir, minha gente
Eu não sou daqui
Eu não tenho nada...”


O disco com a canção IRENE, lançado por Caetano em 1969, tem outra peculiaridade: ele NÃO aparece na capa. Ainda estava de cabelo curto... Somente em seu disco seguinte (o “álbum inglês”), Caetano volta a aparecer na capa. A foto é tristíssima: um baiano no frio londrino... mas ele já estava de cabelo comprido.

P.R.Barja

2 de maio de 2015

RESPOSTA DE UM PROFESSOR à fala do senador (Cordel Joseense 56)

Brasília, 2015:
numa sessão do Senado
o “nobre” senador Serra
(há pouco tempo empossado)
produziu, ao microfone,
um discurso equivocado:

Foi se queixar, no plenário,
das horas-atividade
pagas para os professores
e bem justas, na verdade.
Professor trabalha muito:
negar isso é vã maldade!

No discurso, o senador
usou um termo insolente:
disse que os mestres ganhavam
só para “supostamente”
preparar as próprias aulas...
Senador, seja decente!

(faço aqui breve parênteses:
para estes versos fazer,
antes corrigi 100 provas,
pois esse era meu dever,
e fui depois, na internet,
o diário preencher)

O senador criticava
(falta alça em sua mala)
que o professor recebesse
40 horas... sua fala:
“10 horas-atividade,
SÓ 30 horas na sala!”

Porém, depois do discurso,
nenhum jornal registrou
a bronca que o senador
de professores levou;
uso então estas sextilhas
pra mostrar nosso valor.

“Prezado Senador Serra:
o senhor não foi eleito
pra bater em professor
nem negar nosso direito.
Mas, se quiser discutir,
sou professor: eu aceito.

Por sinal, sei que o senhor
também é nosso colega:
sei dos vídeos no YouTube
- quem correr ainda pega -
de aulas suas em campanha...
O senhor sabe e não nega.

Não vou questionar as aulas
nem os seus erros de conta,
pois o senhor, pelo visto,
nenhum erro em mim aponta.
O debate é sempre bom,
nunca é uma coisa tonta. 

O senhor falou de "custo":
professor tem custo, sim!
Senador também tem custo:
o senhor acha ruim?
Vamos debater agora
isso, tintim por tintim.

Neste primeiro bimestre,
corrigi (e ainda bem!)
trezentas e tantas provas
sem dever nada a ninguém.
Aulas? Posso assegurar
que dei muito mais de cem.

O senhor não se preocupe:
Não ache que é tão difícil...
Corrigi mais de trezentas
e dez listas de exercício.
Sei que, pro senhor também,
trabalhar é um doce vício...

De quantas sessões ao todo
o senhor participou
nessas últimas semanas,
no bimestre que passou?
E os projetos sociais,
afinal, quantos votou?

Na trilha do seu discurso,
não cabe fazer piadas:
precisamos discutir
as "horas não trabalhadas"
também aí no Congresso
- são verdades mal faladas...

Que tal se a gente parasse
de pagar os senadores
pelas promessas que fazem
sob a luz dos refletores
e a tal “meritocracia”
fosse aplicada aos senhores?

E, para não perder tempo,
eu também pergunto, então:
por que o senhor defendeu
essa terceirização
que ao nosso trabalho honesto
gera precarização?

Eu já estou até achando
que a tal terceirização
veio de outro senador
que em segundo turno NÃO
se elegeu e, num terceiro,
sonha ganhar a eleição...!

Quem já comprou prédio inteiro
conhece dinheiro vivo...
Senador: na Educação,
não diga “custo excessivo”
pois o preço da ignorância
é mais alto e permissivo.

Talvez mesmo os professores
ganhar melhor já pudessem,
se os senadores ganhassem
realmente o que merecem
e bem menos assessores
os políticos tivessem.

Deixo aqui no meu cordel
a modesta sugestão:
que descontem do salário
do “Senador-da-nação”
as horas-atividade
que trabalhadas não são.

P rezadíssimo político:
R espeito é muito importante.
B asta treinar; é possível
A vançar nisso bastante.
R esta só falar bem menos,
J ogando fora os venenos:
A gradeço nesse instante!
Paulo R. Barja

29 de abril de 2015

Matemática - na Aula e na Vida

Prezados,

como educador, eis alguns pontos que considero importantes:

1) Na maioria dos problemas propostos em Matemática ou Estatística, ao contrário do que alguns pensam, o mais importante não é simplesmente “fazer contas”. Precisamos avaliar criticamente o resultado das contas. Que significa isso? Temos que prestar atenção para ver se o resultado é minimamente consistente com o bom senso. 
Observem este exemplo: “20 alunos responderam uma prova, obtendo as seguintes notas: ............ – A partir destes resultados, calcule a média da turma”. Neste caso, observando-se que as notas variaram de 0 a 10, não é possível aceitar como resultado uma resposta do tipo “65”. NÃO adianta o aluno dizer que esqueceu a vírgula; na verdade, faltou analisar o resultado.
Outro exemplo: é dada uma lista dos números de calçados e, perguntado o valor médio, alguém responde “3,7”. Isso não é número de calçado, gente!
(Não no Brasil, pelo menos).

2) É essencial saber redigir a resposta. NÃO adianta dizer: “ah, prof, a conta está aí, tá óbvio que é o resultado, a gente não tá aqui pra ficar escrevendo” – muito pelo contrário: em algum momento da vida, todos nós teremos que apresentar algum resultado – seja em relatório, seja em palestra, seminário ou mesmo bate papo. E, claro, espera-se que as frases sejam bem redigidas, sem erro de concordância por exemplo.

3) Finalmente: é importante estar pronto a justificar e analisar uma resposta numérica. Não basta dizer “olha, a conta deu esse valor aí”. Se o salário médio nos classificados de um jornal vale “R$1000” e o aluguel médio nos classificados do mesmo jornal vale “R$800”, temos que discutir o grave risco de que pessoas deixem de comer para pagar aluguel. 
E, a partir desta constatação, talvez devamos fazer algo a respeito, não?

Só para encerrar: viva Boal, viva Freire! Saudações,

Paulo Barja

13 de abril de 2015

Novo projeto: #antimáquina



Criaram um computador 

capaz de contar piadas;

depois, porém, só silêncio...

Trabalha agora o inventor

buscando o público: máquinas 

capazes de dar risadas.


P.R.Barja

25 de março de 2015

24 de março de 2015

Absurdo injustificável


Em 1964, o Arcebispo de Olinda e Recife, D. Helder Câmara, foi até o Exército para reclamar das torturas cometidas na ditadura contra presos políticos.
O coronel Helio Ibiapina então respondeu:
- Nós torturamos para não fuzilar. 
Nos 20 anos seguintes, muitos foram torturados.
Muitos também foram mortos, e não apenas por fuzilamento:  havia, por exemplo, aqueles que eram atirados de aviões ou do alto de prédios.

P.R.Barja
(a partir do relato publicado por Elio Gaspari no livro "A Ditadura Envergonhada")

21 de março de 2015

27 de janeiro de 2015

Microconto


Procurou, no canivete de 38 funções, uma que tirasse dor de amor. Acabou desistindo.
P.R.Barja

28 de dezembro de 2014

SOLIDARIEDADE - com ou sem foto

A história é tristemente real: uma moça começa um relacionamento com um sujeito e, poucas semanas depois, é covardemente agredida pelo imbecil (perdão, não achei outra palavra). O que fazer? Segundo a maioria das pessoas, o melhor é ir imediatamente à delegacia e fazer um Boletim de Ocorrência. Porém, ainda antes de seguir o conselho dos amigos, ela decide denunciar o agressor em rede social.

Perguntam-me: por que ela faz isso? Sinceramente, não acho que a pergunta seja relevante diante da gravidade do fato. A meu ver, a pergunta correta é bem outra: o que leva um homem a cometer tamanho ato de covardia? De todo modo, vejo uma razão bem simples para a publicação da moça. Imagino que ela tenha desejado deixar um alerta, o mais claro e público possível, para fazer com que pessoas próximas de um e/ou de outro fiquem cientes do potencial de agressão, do caráter violento do sujeito que cometeu o gesto absurdo. Enfim, o que sei é que a moça posta uma foto de seu próprio rosto – provando assim a agressão que acaba de sofrer – e junta a isso um texto curto em que fornece o nome do agressor.

Para nossa tristeza, surgem em cena os relativistas, dizendo coisas como “será que ela não fez nada antes?” Outros argumentam que não é possível ter certeza de que o acusado foi realmente o agressor. Ok, apure-se tudo: de acordo. Porém, considero inadmissível que se parta para a inversão dos fatos, com a culpabilização... da vítima. Absurdo! Há quem chegue a comparar o caso a “mais um reality show”. A pessoa agredida chega a ser chamada de exibicionista porque teve a coragem de mostrar o que aconteceu. Que mundo é esse? Nessas horas, faço um baita esforço para respeitar o direito de cada um falar (e escrever) o que quiser. No entanto, sinto-me na obrigação de dizer (e gostaria que fosse em alto e bom som) que precisamos parar de encarar violência real como cena de reality show!

É necessário que as pessoas se conscientizem do seguinte: as agressões contra mulheres nesse país vêm de muito longe e continuam até hoje. Curiosamente, estas agressões reais e cotidianas não aparecem nos tais shows de (falsa) realidade. Aquilo lá nos programas de TV não é reality, meus caros: são “autênticas histórias falsas”, como diz um espanhol que conheci anos atrás.

Dizem alguns que “rede social não é pra isso”. Seria então para que? Só pra exibir foto bonitinha de festa? Questionamento não pode? Denúncias são proibidas? Por quem? De minha parte, todo respeito ao uso de toda e qualquer rede social como local de manifestação de cidadania sim.

Triste país o nosso. Uma mulher foi agredida e conseguiu fotografar e denunciar a agressão antes mesmo de fazer o BO, ponto. Não vou condenar isso! Por sinal, uma perguntinha básica: quantos Boletins de Ocorrência cada um de nós já leu hoje? E quantas imagens já viu, no mesmo período? Pensem nisso.

Chamo atenção para o fato de que não estamos aqui julgando fotos. A questão é que precisamos debater e combater a violência. Também precisamos combater o preconceito no julgamento que se faz de quem é vitimado pela violência nesse país. São mulheres. São, também, negros, orientais, latinos, nordestinos. Somos nós os agredidos, percebem?

Nenhum de nós precisa ser parente ou amigo pessoal de uma pessoa agredida para sentir o impulso da solidariedade, de querer se mostrar pronto a ajudar. A partir de certas reações lidas hoje, sinto despertar em mim uma profunda verdade, mais material do que qualquer foto. Aqui vai ela: nada pode desencantar mais o ser humano do que a falta de solidariedade.

Isso aqui é só minha opinião pessoal. Mas, em pleno século XXI, este começa a ser um pais onde os agredidos não se calam. Não mais. E, como ninguém é uma ilha, uma agressão a uma pessoa – qualquer pessoa – é uma agressão, também, a mim.

P.R.Barja

21 de dezembro de 2014

Por que?


Por que não consigo ser feliz?


- Felicidade se acha em horinhas de descuido...

Perdão, mestre, mas discordo:
enquanto houver uma única injustiça
cometida contra um único de nós,
como descansar?

"É impossível ser feliz sozinho"

- e essa frase do Jobim
não fala de amor:
é política.
(P. R. Barja)

29 de novembro de 2014

De Crença e Descrenças (uma crônica de 1994)


   Relembrando a época em que comecei a fazer catecismo percebo que, depois de algum tempo, tornei-me extremamente permeável à religião católica. Ou seja, comecei a gostar de ler a Bíblia e pensar em temas religiosos: Deus, a Criação, o Universo... Obviamente, por volta dos quinze anos, passei pela crise de rebeldia adolescente que me fazia renegar toda e qualquer crença, mas arrisco dizer que, das meditações surgidas na infância até a graduação em física, foi apenas um pequeno passo.

   Hoje, parece-me claro o quanto de crença temos nas mais diversas áreas do nosso (não tão) vasto conhecimento: filosofia, psicologia, pedagogia, biologia, política (votar é, em última análise, um ato de fé em pessoas e sistemas – e não se confunda isso com fanatismo, que também existe em todas essas áreas). A física é, por ironia, a área do conhecimento humano historicamente mais atolada em crenças as mais estranhas possíveis. Quando digo “por ironia”, refiro-me à legião de físicos que se dizem ateus. Como e por que acreditam, então, que a possível descoberta do último quark previsto na teoria desvenda de uma vez por todas a já milenar busca pelos “blocos fundamentais da matéria”?

   Este texto é de 1994. Qualquer pessoa pode dizer: “daqui a 50 anos, será descoberta a prova experimental da existência dos subquarks...”

   Na verdade, Deus pode estar murmurando isso agora mesmo, entre uma risada e outra.

   Outro exemplo de crença dogmática no âmbito da física diz respeito ao Big Bang. Até mesmo físicos não conseguem suportar o peso de questionar tudo eternamente e cristalizam dogmas como a ocorrência do Big Bang, “o início de tudo”. Mas há pesquisadores que defendem a idéia de um Universo cíclico, com uma sucessão de Big Bangs onde cada um marca ao mesmo tempo o fim de um ciclo e o início de outro (soube desta teoria através de uma palestra do prof. Ross Douglas, do IFGW/Unicamp). Mesmo Stephen Hawking (autor do best-seller “Uma Breve História do Tempo”) já defendeu e atacou a teoria do Big Bang, em diferentes momentos.

   Por tudo isso, pode não ser sensato concentrar toda a fé só na ciência ou só na religião. Nesse sentido, vale citar a abertura do “Evangelho segundo o Espiritismo” (organizado por Allan Kardec, Ed. IDE, 1978, 142a. edição, S.Paulo): “Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.”

   Quanto à velha questão “Determinismo x Incerteza”: o fato de existirem leis da física não determina de maneira absoluta a evolução de todos os seres; o que as leis fazem é simplesmente imprimir limites para os acontecimentos.

   Nossos movimentos são determinados pelo nosso livre arbítrio e executados de acordo com os limites impostos pelas leis físicas. Assim, Deus não joga dados: ao que parece, ele criou dados e regras para que nós possamos jogar, conforme nossa consciência e vontade.

P.R.Barja

17 de novembro de 2014

RESPOSTA-MANIFESTO

EM RESPOSTA A UMA PROPOSTA FEITA A ARTISTAS LOCAIS
“Apresente-se de graça em nossa sede, fazemos divulgação”

      Considero absurdo e mesmo constrangedor o convite feito, uma vez que artistas precisam ser pagos pela Arte que fazem, até mesmo para manter a Saúde. Creio que isso seja simples de entender, principalmente por quem se diz disposto a trabalhar "pela humanização do atendimento". Pois bem: quando um artista é "convidado a trabalhar de graça" numa empresa que tem totais condições de pagar pelos serviços prestados, isso na verdade soa como "desumanização", na medida em que sucateia o valor do artista enquanto ser humano. 

      Esclareço que, antes de redigir esta pequena resposta, entrei em contato com diversos artistas, inclusive via redes sociais, e o entendimento geral foi este, o que motivou o envio da resposta (fiz essa consulta prévia a colegas para não incorrer no erro de um julgamento precipitado e descolado da realidade). 

      Informo adicionalmente que, em outros países onde tenho amigos artistas, há movimentos de conscientização junto a artistas para que NÃO aceitem este tipo de proposta. A motivação para o movimento coletivo de recusa é a seguinte: enquanto alguns têm outras fontes de renda e poderiam até se dar ao luxo de "trabalhar de graça", outros dependem exclusivamente do que recebem pelo seu trabalho artístico para sobreviver. 

      Entendo que artistas precisam ser bem pagos por quem pode pagar justamente para que possam se dedicar, em outros momentos, a apresentações beneficentes e/ou voluntárias junto a instituições que dependam exclusivamente de esforços coletivos – e, estes sim, humanitários – para subsistência. 

      No entanto, creio que nossa conduta diante desse tipo de situação deve ser fruto de amadurecimento coletivo e troca de ideias (como tudo, sempre). Assim, tomo a liberdade de sugerir uma contraproposta. Tenho quase certeza de que artistas da cidade topariam fazer apresentações por valores, digamos, a partir de R$400 por apresentação (dependendo, naturalmente, da configuração artística - solo ou grupo). Em troca, divulgariam o local e os serviços da empresa contratante. Creio que isso traria transparência ao relacionamento e, sem dúvida, benefícios à imagem da empresa. 

      Uma proposta alternativa (talvez não para esta empresa, mas para outras, mais humildes) seria, ainda, que a empresa prestasse serviços gratuitos aos artistas e, a cada valor X (a definir), o artista fizesse uma apresentação em contrapartida. 

      Para citar um caso recente que mobilizou a sociedade brasileira: nenhum de nós é Deus. Nenhum de nós está acima do outro. Todos precisamos batalhar (com o suor de cada dia) pelo alimento, moradia, saúde e – sempre – respeito.

      Sigamos na trilha da construção de um novo país a cada dia, em cada atitude. 

      Saudações,
P. R. Barja

11 de novembro de 2014

Parceria


Sábado passado (8/11), como atividade da parceria entre a Secretaria do Meio Ambiente de São José dos Campos (SEMEA) e a UNIVAP, ministramos uma Oficina de Cordel para a formação de agentes de educação popular na área ambiental/agroecológica. Clique AQUI para ler matéria completa a respeito.

Finalização da Oficina de Cordel na Secretaria Municipal do Meio Ambiente
(foto: PMSJC, 2014)

28 de outubro de 2014

"Que Fim Levou Samanta Miller" - lançamento


Depois de meses de diversão e (muito) trabalho, dia 25/10/2014 ocorreu na Univap Urbanova o lançamento da pulp fiction universitária "Que Fim Levou Samanta Miller", escrita em conjunto por Paulo Barja e o Coletivo Fidelio (alunos da FCSAC - Univap). 
Clique para ver o álbum de fotos.

24 de outubro de 2014

Regulamentação da mídia (colaborando para o debate público)

   Para começar, vejamos o que diz sobre liberdade de expressão o Capítulo I da Constituição Federal (1988), no artigo quinto:
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
(...)
IX – é livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença;
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
(...)
XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.

   Pronto. Agora vamos lá: o que é a tal “regulamentação da mídia”, que existe em tantos países e no Brasil não sai da gaveta?
   Basicamente, seria um tipo de regulamentação para evitar concentração excessiva de meios/mídia sob controle de “poucos proprietários". Em outras palavras: busca evitar a concentração de muitos veículos de mídia na mão de um único grupo ou família.
   No contexto brasileiro, entendo que limitar a alta concentração hoje existente em torno das poucas e poderosas “famílias da mídia" no Brasil seria justamente uma forma de garantir a liberdade de expressão, que nossa Constituição de 1988 defende mas, na prática, ainda não existe. Prova: os casos frequentes de jornalistas demitidos por grandes grupos hegemônicos pela simples ousadia de “pisar fora da linha editorial” (estou usando um eufemismo). Assim, a pressão ideológica sobre o profissional da comunicação pode ser vista como subproduto da concentração da mídia.
   Há um Projeto de Lei (PMDB/BA) para substituição da Lei da Imprensa que voga desde a ditadura militar. Clique AQUI para ver a respectiva ficha de tramitação. O Projeto foi apresentado em 1991. Detalhe: NÃO foi votado, debatido, apreciado - estamos em 2014!
   Minha leitura, simples: os congressistas temem as “famílias da mídia”. Vejamos outras leituras, a partir da matéria da Revista FORUM, ed. 146:


Segue um trecho e alguns depoimentos presentes na matéria mencionada:

O Fórum Nacional Pela Democratização dos Meios de Comunicação (FNDC) visa colher 1,3 milhão de assinaturas no intuito de propor um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para a regulamentação da comunicação social eletrônica do país, além de levar o debate à sociedade.

Ivo Freitas (coletivo Mídia Ninja): diz que não houve avanço político no que diz respeito à regulamentação. “Mas não é por falta de vontade, tanto do governo em si como dos alternativos da mídia. A tentativa de regulação dos meios de comunicação ainda sofre bastante oposição das famílias detentoras das concessões. O que se pode dizer é que a discussão avançou”.

Mayrá Lima (conselho diretor do Intervozes, Coletivo Brasil de Comunicação Social): “A radiodifusão segue monopolizada e as famílias que controlam o conjunto da grande mídia no Brasil continuam usufruindo das concessões públicas sem que haja um mecanismo em que a sociedade possa fiscalizar possíveis violações de direitos. Carecemos de um regramento que impeça a propriedade cruzada, garanta pluralidade e diversidade nos meios de comunicação.”

FORUM: Por que entra e sai governo e as legislaturas, sucessivamente, não fazem o debate em torno de um novo marco para a mídia?

Conceição Oliveira (blog Maria Frô): “Não avança porque o Congresso é feito por políticos que dividem este monopólio midiático. Collor, Sarney, Renan [Calheiros], família de Antônio Carlos Magalhães dividem concessões de rádio e TV retransmitindo a Globo, vários têm jornais etc.

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Outro artigo interessante (e esclarecedor) sobre o tema está disponível aqui:

Diário do Centro do Mundo:

P.R.Barja

22 de outubro de 2014

A Força das Minorias


Venho aqui manifestar
total solidariedade
a todas as minorias
do nosso imenso país:
as opções minoritárias 
as siglas minoritárias 
as vozes minoritárias
falo isso comovido
comovido e convicto
de que são as minorias
unidas, reconhecidas
nobres no olhar e nos gestos
que dão rumo a essa nação
pois são essas minorias
unidas, reconhecidas
que sabem da força imensa
do respeito às diferenças
assim ensinam e aprendem
assim juntos aprendemos
que a soma das minorias
vence todo preconceito
converte-se em maioria
mas maioria sensível
mais madura e mais feliz
e é disso que precisamos

P.R.Barja

18 de outubro de 2014

Crônica - O Nó da Gravata

(para meu pai, o eterno maestro Barja)


     Tudo que é tocado por aqueles que amamos adquire novo significado para nós. Se era um objeto simples, agora é especial; se era banal, agora é único. Pode até virar amuleto, símbolo do amor, do caráter eterno do afeto – e da saudade.
     Penso nisso a partir de uma simples gravata. E é particularmente curioso que seja uma gravata, já que praticamente não uso gravatas. Chego a passar anos feliz, sem usar gravata uma única vez. Mesmo em ocasiões formais, dou quase sempre um jeito de abdicar do terno em favor de um blaser e uma calça social, só para me sentir absolutamente desobrigado de usar gravata. Mas já cheguei mesmo a cometer o que para alguns seria pecado: colocar o terno e não colocar a gravata.
     Acho que há apenas uma ocasião em que aceito o formalismo no vestuário, e de bom grado. É quando me convidam para ser padrinho de casamento. Acho bonito, uma honraria. Penso assim: até mesmo o convite para uma palestra pode ser uma forma de expor a pessoa a uma situação difícil, mas ninguém convidaria uma pessoa para ser padrinho se não tivesse uma dose ao menos bem razoável de confiança e cumplicidade. 
     Nessas ocasiões, sei que esperam que eu use gravata. E uso gravata.
     Amanhã viverei uma dessas situações. Serei padrinho de casamento. Usarei gravata, depois de anos com o pescoço livre. Nesse caso, o primeiro a fazer é... achar a gravata.
Primeira surpresa: após intensa prospecção, descubro que tenho nada mais, nada menos que três gravatas! Incrível, dado que só devo ter usado gravata sete ou oito vezes na vida.
Mas aí vem a segunda constatação surpreendente, e é essa que me lança ao lirismo mais deslavado, desses de encharcar lenço e fazer o coração transbordar: uma das gravatas está com o nó pronto.
     Foi meu pai que fez esse nó.
     Meu pai partiu deste mundo há alguns anos. Acho que foi quando as asas cresceram demais para caber no terno – que, ao contrário de mim, ele usava com frequência. E meu pai sabia da minha aflição e dificuldade em colocar uma gravata. Acho até que a dificuldade nascia da aflição. Seja como for, eu simplesmente apanhava da gravata, não aprendia a dar o nó. E ele, após diversas tentativas de me ensinar, com paciência e amor havia feito o nó daquela gravata em seu próprio pescoço. Depois, havia afrouxado o nó: “pronto, é só você colocar e ajustar agora”.
     Sei que é simples, sei que pode soar ridículo até. Mas quanto amor, quando amor ali!
     E quanto amor, pai, aqui, ao olhar a gravata que amorosamente já enlaçou teu pescoço antes de ser por mim utilizada e guardada por anos, até a epifania deste momento.
     “Pouco amor não é amor”, já dizia Nelson Rodrigues. Pai, eu te amo tanto, tanto que não tenho medo algum do ridículo ao dizer: este nó eu vou guardar para sempre.


Paulo Barja

Maestro Barja, de gravata, no dia da formatura do autor do blog