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14 de agosto de 2010

Soneto do mestre

Quando era menino ainda, tive a felicidade de conhecer um grande poeta: Roldão Mendes Rosa. Trago sua poesia em mim. Eis um soneto do mestre que até hoje me inspira:

Quem te escuta navega de olhos cegos
velhos mares há muito navegados
e surpreende-se em terras sem memória
lavrando chãos há muito já lavrados.

A quem te segue, faz-se puro o tempo
que de impuro se fez quando passado;
faz-se de lua a noite que era escura
e o dia sem ventura, aventurado.

Pensar em ti é desejar-te sempre:
sem a saudade que amargura a alma
ou a incerteza que amargura a espera.

Estar contigo é não saber que há morte:
é ver que o tempo as árvores desfolha
e outono em ti rescende a primavera.

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