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7 de dezembro de 2010

Correspondência literária

Publico abaixo parte de um texto de minha autoria produzido após uma “provocação” que muito agradeço – é assim que a roda gira.  Está na forma de tópicos para facilitar a compreensão de quem entrar na roda.

(...)
MODERNISMO – A Semana da Arte Moderna de 22 teve coisas boas e merda também, como quase qualquer movimento (veja que o "quase" é importante, me esquivo de generalizar). No que se refere a "São José dos Campos não ter chegado a 1922", na verdade quem vive e escreve por aqui já sabe que a questão não é essa... é mais prosaica até: queremos é mostrar que existe vida literária PÓS-Cassiano Ricardo por aqui. Tenho um poema recente sobre isso que até gostaria de compartilhar qualquer hora com os amigos de letras, mas está escrito numa forma antiga - crime premeditado, ok?
SONETO - O soneto é uma forma literária que tem cerca de 700 anos; assim, é a forma por excelência tanto dos retrógrados como dos modernos DE VERDADE: sim, falo dos realmente corajosos - alguém que se proponha a utilizar uma forma medieval (“dantesca” inclusive, podemos dizer), ainda por cima bastante rígida, pra dizer algo novo, merece atenção...
 HAIKAI - Bashô, considerado o "pai" da forma poética haikai, viveu no século XVII. Isso não impediu o GRANDE (opinião minha e de muitos outros) Paulo Leminski de adotar (apaixonadamente) esta forma poética também secular - e o legal é que ele é considerado por muita gente como VANGUARDISTA. Essas pessoas não estão erradas, se considerarmos a contribuição de Leminski ao haikai brasileiro (foi talvez o nosso Bashô tupiniquim). Outras pessoas dizem que o Leminski foi MARGINAL - mesmo adotando uma forma poética tão antiga... e quem sabe um pouco da vida do cara entende também esse ponto de vista;
 VANGUARDA? - O que os concretistas faziam há 60 anos não pode ser considerado por nenhum de nós, hoje, como vanguarda – ok! Mas tem muita coisa boa ali (é aquela história, tem o bom e tem o ruim que pega carona);
SARAUS MEDIEVAIS - Meu profundo agradecimento pela expressão “saraus medievais"... é um sonho antigo, que tenho esperança de realizar por aqui. Esse ano, na Cia Bola de Meia e no Espaço Cultural Flávio Craveiro, realmente levei poesia medieval pra roda. Assumo o crime! Isso vem da imensa paixão por Idade Média, que dá vontade de compartilhar com todo mundo o tanto de coisa incrível que se fez há 800 anos. (...) Termino com as palavras que há mais de 10 anos uso na correspondência com outros apaixonados por Idade Média:
Saudações medievais,
                          Paulo Barja

2 comentários:

  1. .

    Adoro sonetos, carretilhas, haikais e demais formas poéticas. E concordo com você sobre a audácia de alguns (dentre eles o "poetinha" Vinícius de Moraes) ao expressar em formas "medievais" algo novo. Aliás, eu trocaria o "medieval" do soneto por "eterno", mesmo gostando da classificação que você lembrou e imprimiu.
    Quanto ao Modernismo, muita porcaria foi criada, sim, e muita gente rotula-se "modernista" apenas para justificar o desconhecimento das origens da arte poética. Nem todos, é verdade, mas sabemos que há casos.
    Afinal, para se transgredir alguma coisa, é necessário entender o que se está transgredindo. Roqueiros de sucesso (mesmo) foram crias da música clássica, oras.
    Enfim, que haja liberdade também para seguir regras. E que não se critique algo pelos rótulos, ainda mais se não tiver conhecimento do conteúdo.

    Vai um haikai que fiz ao ver minha namorada pintando um quadro. Chovia.

    Chuvas torrenciais,
    telas, tintas no pincel.
    Deuses diferentes.

    Abraços.

    .

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  2. Prezado Wilson,
    obrigado pelo comentário - e concordo com você: soneto não tem época - nem lugar definido, aliás. Quem sabe qualquer hora organizamos inclusive um sarau só de sonetos, pra mostrar a diversidade que se pode construir exercitando a "liberdade também para seguir regras" (feliz expressão sua).
    Abraços,
    Paulo

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