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5 de julho de 2017

Manifesto semafórico (limeriques joseenses)

   Desde o início de 2017, tem ocorrido um embate (infelizmente embate mesmo, mais que debate) entre a administração municipal de São José dos Campos e os artistas da cidade. Como ponto-chave neste tensionamento, tivemos as discussões sobre o PL215/17, apresentado pela bancada governista na Câmara Municipal. O projeto ficou conhecido como "proibição de malabares em semáforos joseenses", mas (infelizmente) é ainda mais amplamente grave a situação, pois a (agora aprovada) lei instaura condicionamentos à apresentação de qualquer trabalho cultural e/ou artístico em espaços públicos da cidade! Todos, incluindo os malabares, devem agora cadastrar-se previamente e aguardar autorização da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR) para apresentações, que obrigatoriamente devem conter repertório e roteiro definidos (isto é uma quase-impossibilidade, tratando-se de arte de rua em que a interação em tempo real impõe eventualmente alterações significativas na apresentação).
   Aprovado dia 8/junho/2017, o projeto entra em vigor 30 dias após aprovação. Neste cenário e contexto, postamos a seguir a série de limeriques criada contra este projeto/lei, que segundo nosso entendimento reinstala a censura em terras joseenses.
   São poemas curtos e bem humorados. Recomenda-se a leitura em semáforos joseenses!

ANARCOVERSOS
PRA D/R-ECLAMAR
EM VIAS PÚBLICAS
#SãoJoséDosAbsurdos
#SomosTodosArtistasDeRua

1
Uma vez houve 1 certo estrupício:
sem pensar - era muito difícil! 
proibiu a Poesia
mas ficou com azia
pois poeta tem muito artifício!

2
O prefeito botou pra ferver
e mostrou que era ruim de doer:
- Malabares não dá!
Eu proíbo isso já!
Só porque não sabia fazer...

3
O prefeito ralhou, de pirraça:
- Eu proíbo palhaço e palhaça!
Mas... proíbe por que?
Eu explico a você:
esse alcaide foi sempre sem graça...

4
Cantador bom e bem preparado
canta em praça e jamais é vaiado:
- Faço o povo feliz!
Se o prefeito não quis,
tá provando que é desafinado...

5
O prefeito mandão não se cansa
e na rua proíbe até dança...
- Mas a dança é no pé; 
se o senhor tem chulé, 
ponha talco e não seja criança!

6
Para artistas o alcaide diz não
e ameaça com proibição 
mas parece esquecer
(ou precisa aprender)
que nós temos Constituição!

7
Se o eleito relincha de fato, 
a Cultura é que vai pagar pato?!
Sem artista ou teatro,
só andando de quatro:
ferradura em lugar do sapato!

8
Se o alcaide governa a galope,
quando empina não há mais quem tope.
Chega de proibir:
Arte vai resistir!
Sem Cultura, acabou seu Ibope...

9
A cidade é lugar de debate;
nunca pode ser campo de abate!
Ninguém vai se calar,
pois, se a Arte acabar,
logo a elite não fala, só late...

10
Não se pode impedir cidadão
de expressar a sua opinião:
malabares, cantor,
dançarino ou ator
- rua é nossa também, por que não?

11
O teatro que foi restaurado
já foi logo em seguida fechado.
Vai fechar também rua?
A verdade está nua:
não é culto esse alcaide, coitado...

P.R.Barja

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