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10 de outubro de 2010

Contribuição ao debate sobre Política Cultural em SJC (por Andréia Barros)

Também quero colocar minhas singelas opiniões, embora não tenha participado do encontro/debate organizado pelo Estivale e pelo SESC, já que estava acompanhando a apresentação do “Reis do Baralho”, com nossos amigos André Braga, Marcelo Moreira e Beto Quadros, no CAC Walmor Chagas, previamente marcado por coincidência no dia 07/10.

Na realidade, como milito na área cultural de São José dos Campos desde o primeiro Curso Livre de Teatro, realizado pela Fundação Cultural e que trouxe para a cidade os mais importantes profissionais de teatro da década de 80, e desde então, há 20 anos atuo, resisto e persisto no teatro joseense, penso que às vezes nos esquecemos que há 14 anos o PSDB assumiu a prefeitura e governa nossa cidade e isso faz a grande diferença no estabelecimento de políticas públicas de cultura.

Na esfera política federal, por exemplo, houve uma mudança de paradigmas na área cultural e os resultados são visíveis.

Muitos dos que hoje nos auxiliam nessa discussão, à época tinham 10 ou 12 anos de idade e podem, de repente, considerar que fazemos de conta que nada acontece.

Quero lembrar aos leitores desse blog, assinado pelo mestre Paulo Barja (que precisou sair de Santos para “descobrir” São José dos Campos), que é sempre prudente rever a história para podermos formular pensamentos e recuperarmos “pedaços” da recente história de nossa cidade, principalmente no que diz respeito às conquistas históricas que temos em nossas mãos, como é o caso da Fundação Cultural Cassiano Ricardo.

A FCCR foi criada em 1986 como uma das mais “progressistas e democráticas” fundações do Brasil e que atuava por meio de comissões setoriais que elegiam seus coordenadores para compor o Conselho Deliberativo da instituição, responsável pela discussão e formulação de políticas públicas na área cultural do município.

Um grupo de abnegados artistas, intelectuais, políticos e interessados da nossa sociedade, não mediram esforços para que a cidade pudesse ter uma instituição de cultura que respeitasse e valorizasse a produção local, sem perder o foco das ações que pudessem contribuir no fortalecimento e crescimento da cultura em nossa cidade, contribuindo assim, de forma efetiva, para o desenvolvimento social de todos nós.

Durante quatro anos esses artistas, principalmente, lutaram para concretizar uma idéia, que só passou a existir depois de muitas reuniões e manifestações públicas em praças e escolas de São José. Nasceu então em 1986 a Fundação Cultural.

A história é longa, mas é sempre bom relembrar, revigorar. Criada pelo então prefeito Hélio Augusto de Souza para progredir na política pública, foi erroneamente interpretada por alguns políticos e, parafraseando o jornalista Paulo Henrique Amorim, pelo “PIG” (Partido da Imprensa Golpista)! Quem não se lembra do título em um famoso jornal da cidade: “Sexo, drogas e corrupção na Fundação Cultural”.

Mas, voltemos à história. Com a morte do Hélio, assume então o presidente da Câmara, Sr. Antonio José Mendes Faria, que, na época, não se conforma e questiona constantemente porque a FCCR não poderia trazer “Chitãozinho e Xororó” para cantar na cidade? E esse pensamento ainda ocorre até hoje e foi aí, na minha visão, que começaram os equívocos.
E muitos erros e enganos foram cometidos ao longo desses 24 anos de existência e talvez, o maior deles, foi acreditarmos que a formula já estava pronta e que, a partir dali, não se fizesse mais necessária a nossa organização. Que a nossa organização era a própria Fundação Cultural.

Quando a Comissão Municipal de Teatro criou em 1990 o Grupo Teatro da Cidade (que deu origem em 1993 à Cia Teatro da Cidade), muitos foram os alertas sobre o primeiro erro dentro da instituição. Quem acompanhou e vivenciou esse período sabe que, apesar dos ótimos resultados obtidos na formação individual de cada integrante e do fantástico trabalho de formação de público, a existência de um grupo estável de teatro na entidade, significava negligenciar a existência dos demais grupos de teatro naquela oportunidade. E foi em decorrência a isso que temos hoje na cidade, importantes grupos como o Velhus Novatus, Cia Sem Máscaras, dentre tantos exemplos.

Mas porque é importante rever nossa recente história na área cultural? Para não cometermos outros erros. Para não esquecermos os protagonistas dessa história. Para não deixar de valorizar e respeitar os recentes protagonistas que chegam e nos chamam para um novo ato do mesmo espetáculo e não como coadjuvantes de um novo trabalho, o que fragiliza nossas ações.

Precisamos nos lembrar que em algumas oportunidades convocamos a cidade e o movimento cultural para dois encontros que chamamos de “Cultura em Questão” e que, nos dois encontros, foram promovidos debates com aqueles que à época pretendiam governar São José dos Campos. Nesses encontros, inclusive, já foram apontadas as futuras ações do PIG e de alguns políticos “progressistas”, mas nós ficamos pacientemente, quietamente...aguardamos...aguardamos...aguardamos.

Existem compromissos assumidos e um deles, talvez o mais importante para nós, produtores e criadores culturais, seria o Fundo Municipal de Cultura. E mais uma vez, como tantas outras, esses compromissos foram deixados de lado e nós, pacientemente, quietamente, aguardamos... aguardamos... aguardamos.

Saímos novamente à  luta. Fizemos reuniões, tentamos nos organizar, levantamos discussões, mobilizamos vereadores e elaboramos um modelo para o “nosso” Fundo Municipal de Cultura. E mais uma vez o poder nos olhou como meros coadjuvantes da cidade e nosso modelo foi para as gavetas do mesmo Prefeito que em 2004, publicamente, em um debate com a nossa participação ativa e interessada em melhorar a sociedade joseense, assumiu o compromisso de defender e criar o Fundo Municipal de Cultura de São José dos Campos.

O ponto principal, como reflete bem a Jacqueline, é que não existe eco entre a sociedade civil e o governo local. Esse ponto está, cada vez mais, nos distanciando de nós mesmos e, por conseqüência, está enfraquecendo nossa organização, nossa produção, nossa contribuição com o que poderíamos chamar de política cultural.

Em tempo: a nossa organização é tão fragilizada que, quando podemos expor nossa opinião, somos chamados de “curralzinho”!

Quando o Carlos Rosa diz “Somos mais importantes que a Fundação Cultural. Ela deve existir para a cidade toda e não nós para ela”, ele está absolutamente certo e coerente. Nós é que podemos ser os protagonistas da história cultural da cidade. A Fundação Cultural deve ser vista como uma possibilidade a mais de nosso trabalho e não a única fonte. Precisamos sim nos organizar para acabar com essa “grande fornecedora de tetas para os vereadores da nossa cidade” e demais políticos dessa  cidade.

Para finalizar, vamos refletir com Bertolt Brecht:

“Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário.
E agora, não contentes, querem privatizar o conhecimento,
a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence”

Que o poder queira fazer isso com a classe artística e cultural eu até entendo - não aceito, mas entendo. Mas, que a própria classe artística e cultural queira fazer isso com a gente, eu não consigo entender e nem aceitar.

Portanto, vamos discutir sim a questão cultural na cidade, mas com respeito e com muita propriedade.

 
Andréia Barros - Atriz, jornalista e mestre em Artes pela Unicamp.

9 comentários:

  1. Em tempo: a nossa organização é tão fragilizada que, quando podemos expor nossa opinião, somos chamados de “acomodados” e "dependentes"!

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  2. Em tempo: "acomodado" é quem não expõe sua opinião. Há gente assim, todos sabemos disso.
    Acredito que todos que participamos deste debate estamos tentando, cada um do seu jeito, dar uma contribuição, certo?

    "Dependente" é quem "depende de".
    O Júlio foi objetivo: não depende da FCCR.
    Nem a Jacque, nem o Carlão, nem o Cláudio Mendel, nem a Andréa, nem eu...

    Nós nos posicionamos para contribuir.

    Divergir não é confrontar.

    Aproveito para dar os parabéns ao pessoal pelo belo adesivo mencionando o apoio de quem trabalha com Cultura ao governo Lula e à Dilma.
    É isso aí!

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  3. Parabéns, Andréia!

    Importantíssimas as suas colocações e o resgate dos fatos, trazer à tona a história.

    Outros erros, provavelmente, cometeremos. Não mais os mesmos, é o que esperamos.

    Não podemos esquecer os que fizeram e que ainda fazem em prol da cultura, mas que, por estarem ocupando uma determinada posição, fica depositário de toda a angústia da classe artística, como se tivesse o poder de fazer, mas se negasse a isso. Sabemos que há muitos outros entraves e que não basta a vontade. O que falta e é o que vem sendo apontado, é o diálogo.

    Precisamos nos organizar e penso que, talvez, um caminho seja esse: o exercício de pensar e construir um 'o que' e um 'como'. Assim será possível a construção de uma história a partir daqui, com protagonistas, com sujeitos e não mais na posição de assujeitados.

    O caminho não está pronto. O que possibilitou a FCCR ser expressiva no passado, não existe mais. É o momento de construção e, com respeito, como sugere a Andréia!

    Abraços,
    Andréa Mourão

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  4. Desde quando questionar a INEXISTÊNCIA de política cultural na FCCR significa que os artistas dependem dela??

    Tbm não dependo da FCCR! Mas isso não significa que não tenho o direito de cobrá-la, de querer que ela cumpra sua função.

    Como "cidadã-artista" que sou, quero que a FCCR cumpra com suas obrigações. Exijo! É meu direito de cidadã-artista.

    É o mínimo que ela deve fazer. Pq a minha parte, sozinha e independente, eu já faço.

    Ou será que devemos deixar a FCCR continuar sendo o que é hj: um grande PAVÃO MISTERIOSO E SURDO? Um grande elefante branco?

    Se existe a estrutura, pq não aproveitá-la? Sim. Devemos aproveitá-la. Mas de forma com que ela realmente cumpra sua função.

    E é questionando, é divulgando, é "discutindo" que poderemos melhorá-la. É questionando, divulgando e discutindo que poderemos forçá-la a fazer uma política cultural. É questionando, divulgando e discutindo que poderemos fazer com que ela ouça os artistas, e também a sociedade.

    Ou será que devemos nos acomodar e deixar que ela continue sendo esse PAVãO MISTERIOSO e SURDO? Esse ELEFANTE BRANCO que ela é hoje?

    E é por isso que eu como artista, questiono sim, divulgo sim e discuto sim.

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  5. Prezados,
    segue abaixo comentário enviado pela querida JACQUELINE do Bola de Meia, que sempre merece ser lida/ouvida com atenção... estou publicando em 3 partes pois é um comentário generoso, vale a pena ler na íntegra! Valeu, Jacque!

    "Peço licença e a benção aos mestres de tradição oral de São José pra entrar nessa roda!

    Queridas pessoas dessa rede cultural! Espero que estejam bem de saúde, com alegria e disposição para a Vida!

    Gosto particularmente de uma frase de Milton Santos:
    "Defendo aquilo que me liberta!"
    "nada que me prenda, que me aprisione de alguma maneira"...
    total liberdade de pensamento e ação! Será que isso é uma prerrogativa anarquista? então acho que sou completamente anarquista, graças à Deus!

    "...Tudo que liberta, tudo que nos faça sagrados e felizes, tudo que ilumine o corpo, o coração e a mente, pois o amor dá asas e nascemos pra voar!..." (trecho de uma música que gosto muito... mais não sei de quem é, tinha num disco chamado "Sagrado Coração da Terra")

    Tenho lido alguns comentários e contribuições nesse blog, com a intenção de dar continuidade a última roda de conversa sobre Política Pública Cultural na qual fui convidada a participar... e se é para conversarmos, então vamos lá... não é sempre que consigo parar na frente do computador para escrever devido aos afazeres domésticos e cotidianos... mas procuro contribuir sempre que posso.

    Pois bem, lendo as contribuições da Andréa, o que posso dizer é que cada um possui um olhar de acordo com o lugar que ocupa, respeito o trajeto histórico e as lembranças do processo de "surgimento da FCCR" como ela relatou, como nasci aqui e estou com 46 anos de idade pude ver, vivenciar e participar ativamente a partir do meu território de atuação.

    Em 1979 eu tinha 15 para 16 anos de idade e já participava de cursos de teatro com a escola, com a igreja, com o movimento de teatro das bandeirantes estado de São Paulo que era fortíssimo (escoteiras da época rsrs), o saudoso palhaço Rizo passou por ali também... (cheguei a substituir um de seus palhaços por algumas vezes... e aprendi também com aquela experiência... eles eram tão jovens e eu muito mais...), com 17 e 18 anos de idade fui fazer curso de teatro com Gianfrancesco Guarnieri, Illo Krugli do Vento Forte, Reinaldo Puebla (Teatro e Educação) e até mesmo com o saudoso Jair Leite (João Redondo)... alguns se lembram daquela época... No campo da música nunca deixei de participar e até de compor comissões organizadoras dos antigos festivais de música estudantis (lembram aqueles do João Cursino?) foi ali que conheci tantos amigos que conservo até os dias de hoje.

    Pois bem, pra dizer a verdade, a minha militância cultural se dava nas favelas e comunidades principalmente através das CEBS (Comunidade Eclesial de Base) que muito atuei, sempre me mantive distante do poder político e governamental local... sempre desconfiei "desses caras"... rsrs

    Venho de uma família operária como muitos de minha geração (meu pai foi o número 26 na Embraer até chegar sua aposentadoria), isso mesmo, foi um número, ensinou, fez, se dedicou, deu sua vida, seus dias, nunca vi meu pai faltar ao serviço, deu sua saúde e hoje de 10 salários mínimos deve receber três com tantos arrochos salariais sofridos há décadas e mais décadas...

    Sou de uma família onde a miscigenação foi generosa, meu pai descendente de alemão por parte de pai e origem portuguesa e africana por parte de mãe, minha mãe possui descendência italiana por parte do pai e índia por parte de mãe... e o mesmo acontecia com a diversidade religiosa... então cresci exercitando desde cedo a tolerância com os diferentes, isso me deu uma visão de mundo ampliada que apenas hoje reconheço... tenho a consciência que o colonizado e o colonizador são capazes de se encontrar, transcender e harmonizar pelo instante que ocorre de fato o amor.

    (Continua)

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  6. JACQUE NA RODA - Parte 2

    “Então a história que eu conto... claro que será diferente daquela contada pelos olhos da Andréa e do Mendel p.ex, lembro bem quando o Claúdio Mendel chegou aqui em São José... participei com ele da FEJOTA (Federação Joseense de Teatro Amador), ele militou bastante p/garantia de muitas conquistas p/ a área da cultura sim, principalmente do Teatro... assim como os nativos que aqui se encontravam... muitas vezes tão oprimidos e sem voz... Lembro de tantos nomes: do Beto, da Fátima, do Fernando, do Hélio Augusto e tantos outros guerreiros que se valiam dos instrumentos que tinham p/garantir algum direito, uma mísera conquista que fosse no campo das atuações políticas...

    Certa vez o Beto me falou: se soubesse que a Fundação ia dar nisso não teria se dedicado tanto naquela época... ele estava triste com os rumos que a Fundação idealizada tomou desenfreadamente... por má gestão, experiência ou falta de compreensão do que seria política pública cultural mesmo.

    Pois então eu até acredito mesmo que ela tenha nascido da nobreza de caráter de muita gente mas, em minha avaliação, caiu num descrédito grande diante da opinião pública, seja da classe empresarial, como de artistas e população em geral.

    Mas lembro também daqueles anônimos, onde me incluo, que agiam na periferia, faziam com os instrumentos que tinham também, nem sequer eram ouvidos, nem sabiam da existência dessa gente... quantas apresentações teatrais eu participei... na Vila Nova Esperança, no Banhado, na Vila Maria, no Jardim Maringá, na Vila Sinhá, em Santana etc

    Mais tarde passei a militar na escola de ensino médio através dos grêmios estudantis, depois na universidade através dos diretórios acadêmicos, fazendo greves e embates p/ a defesa de uma universidade pública de qualidade (juntamente com Carlinhos de Almeida, Amélia Naomi que optaram pelo caminho político e tantos outros...) pois a Fundação Valep/ibana de Ensino era p/ a elite e continua sendo... me formei através do crédito educativo, tive dois anos p/ trabalhar depois de formada p/ pagar meu curso, paguei pro Gargione... naquela época nem pensar em PROUNI... uma política pública assim somente 1 presidente da classe operária podia fazer...

    Fui servidora pública federal, estadual e municipal e também trabalhei na indústria privada. De nenhum de meus empregos fui demitida, fechava ciclos de projetos de vida e pedia pra sair, deixei amigos por onde passei, sinto orgulho disso. Trabalhei no CTA, ministrei aulas no estado, no município, coordenei o setor de educação especial na secretaria de educação e fundei o Bola de Meia juntamente com o Celso, antes mesmo de 1989... me formei em Pedagogia, fiz pós-graduação em Arte-educação e Educação Especial, me especializei em Psicopedagogia e estudei Psicanálise, fui seguindo meus estudos até os dias atuais.

    Há 10 anos ministro aulas de teatro infantil no Colégio Anglo - Cassiano Ricardo e respondo pela Coordenadoria Pedagógica de Projetos Institucionais da Cia Cultural Bola de Meia, que é uma OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público.

    Achei interessante traçar essa memória p/ que, quem sabe, eu mesma pudesse compreender por que motivos nunca me aproximei demais da FCCR, que é a única instituição cultural reconhecida pela Prefeitura local e que a representa oficialmente, pois é sua mantenedora direta...

    Hoje arrisco 1 palpite, não me aproximei porque msmo jovem ainda eu percebia claramente o cenário estruturado p/classe dominante, p/os amigos do rei, do qual eu nunca haveria de pertencer, pois eu não fazia parte daquele círculo de amizades, eu não tinha parente político, eu não concordava com as iniciativas segregativas implementadas, ou seja, eu não me reconhecia naquele pensamento de quem gerenciava, eu me identificava com aqueles que faziam suas ações artísticas... com nada, sem apoio de nada, de órgão público nenhum... não havia abertura e pensamento democrático tão avançado naqueles tempos, era sim segregacionista."
    (Continua)

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  7. “Até hoje mantenho 1 exercício interno de não me importar c/convenções, rótulos, cargos e status... nada disso me priva de escrever, mesmo não sendo escritora ou jornalista, não me proibo de cantar só por não me considerar cantora, não me proibo de encenar só por não me considerar atriz e assim sigo atuando, cantando, estudando, ensinando e aprendendo, escrevendo minha vida rumo à liberdade pois acredito c/todas as forças que todo ser humano deve se permitir expressar-se artistica e cultural/e p/além das convenções e dos egos, é 1 direito a livre expressão!

    A gente vai descobrindo depois da formatura que o diploma não nos torna mestres, a mestria vai sendo construída quando vamos nos despindo das certezas, dos "certificados"... e vai acreditando nas incertezas, fragilidades, vai aprendendo mais do que as respostas as formulações de perguntas que transformam as nossas ações e nos constitui enquanto sujeitos imperfeitos, sujeito das transformações e dos desafios que a vida nos apresenta. Vamos aprendendo a desconfiar criticamente de tudo o que lemos, ou que aprendemos na escola, na igreja... queremos ver a fonte onde tudo brota... descobrir, desesconder...

    Nem tudo que é torto é errado: veja as pernas do Garrincha e as árvores do cerrado

    Acredito hoje que quando o espelho da verdade caiu no mundo cada 1 ficou c/1 pedacinho, sendo capaz de olhar por 1 ponto... portanto somos incapazes de chegar a 1a única verdade através de tanta fragmentação, seria inútil julgar alguém por 1a atitude ou outra, ficar remontando a história disso ou daquilo deve ser no sentido de contribuir p/tentar entender 1 pouco mais... mas bom mesmo é construir o agora, o agora se faz já, s/julgamentos, c/outra geração, outras pessoas, porque o mundo é dinâmico e impermanente, e tão bonito e poético por isso...

    Aprender e agir, reaprender e reagir!

    Penso que o melhor jeito é o diálogo honesto, generoso... perdoar as faltas daquilo que não conseguimos fazer ou ser no passado e tentar ser a partir da renovação a partir de agora, na eterna tentativa de acerto, de melhoria, de aprimoramento do ser... a lapidação se faz c/o atrito na areia, dói mesmo... mas fica lindo muito depois!

    Partir p/políticas afirmativas talvez seja o melhor caminho p/São José operário, talvez seja o momento das relações mais circulares, quem sabe hoje chegamos n1 grau de amadurecimento maior p/1 pensamento coletivo e compartilhado, quem sabe? só saberemos se nos dispusermos a deixar nossas certezas de lado e partir assim leve, despretensiosamente, gratuitamente a construir 1 diálogo construtivo e solidário, afirmando verdadeiramente a tão falada e até desgastada Cultura da Paz!

    Bóra botar a conversa em dia... p/depois não ficar reclamando do que "sobrou" pra gente... Entendi perfeitamente a própria indignação do Mendel a respeito do que "sobra" p/as ações culturais no município, ele também não se alegra c/isso, ninguém se alegra, a não ser aqueles que não possuem nenhum sentimento honesto pelo povo já tão oprimido dessa cidade, pelos seus patrimônios materiais e imateriais, pela memória de cada história que nos constitui.

    Sei que corro o risco de ser incompreendida, às vezes é até prudente não dizer o que se pensa, mas estou disposta a correr esse risco de novo, penso que Política Pública p/a Cultura é assunto de profundidade e respeito, faço pelos meus mestres que já se foram sem ver seus direitos garantidos até hoje: meu próprio avô Chicão da Folia de Reis, o meu querido amigo e mestre Zé Mira, D.Maria, D.Eugênia, Mestre Caixeiro Antonio, Dito barqueiro da Vila Sinhá, Dito do Jongo e tantos outros c/quem aprendi 1 bocado... inclusive a calar e a falar quando assim sentir que devo... A benção queridos mestres e pessoas queridas... é 1 costume, desde menina peço a benção a meus mestres, nunca fiz isso por modismo ou por programa de governo, fiz e faço culturalmente e por respeito aos mais velhos, aos meus antepassados.

    Namastê pra você que me lê, pra você que realmente me vê."

    Jacqueline - Cia Bola de Meia

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  8. bom ver a história sendo contada por outros lados... sabemos que não há UMA história... assim como não há UM caminho... façamos, então: histórias e caminhos

    "Defendo aquilo que me liberta!"
    (Jacqueline citando Milton Santos)

    abraços
    Andréa

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  9. "No decorrer da minha existência, coloquei as descrições de tijolos e de jarras, de bolas de sinuca e de galáxias numa caixinha e, ali, deixei-as repousar em paz. Numa outra caixa, coloquei coisas vivas: os caranguejos do mar, os homens, os problemas de beleza e as questões de diferenças. É o conteúdo da segunda caixa [que, a mim, interessa]" (Gregory Bateson)

    à mim, também é o que interessa

    novos abraços
    Andréa

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